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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Governo não vai alterar a oferta de canais na TDT

O ministro Miguel Relvas declarou em entrevista à Antena 1 que o Governo não iria alterar a oferta de canais em sinal aberto na Televisão Digital Terrestre. Falando sobre o processo de migração, disse ainda que, “tirando casos pontuais o processo está a correr bem”. Questionado se não seria possível alterar nada, o ministro desculpa-se com a decisão do governo anterior e o concurso público. Ou seja, o modelo que foi decidido está errado, falhou, é alvo de críticas generalizadas, mas mesmo assim o Governo mantém tudo na mesma. Esta declaração do ministro não constitui no entanto surpresa, pois desde que foi conhecido que a RTP iria abandonar a sua participação no canal Euronews que se tornou evidente que a TDT ficaria tal como está, uma das mais pobres do mundo.

O ministro aparenta estar mais preocupado com os lucros da PT, pois segundo o mesmo a PT terá “investido em 6 canais e só terá 4 que vão pagar o respectivo serviço”. Não se preocupe Sr. Ministro, a PT ganha mais dinheiro com a TDT com quatro canais do que ganharia com uma TDT com seis canais! Já todos perceberam isso! A PT (e a ZON) agradecem a sua inacção, estou certo disso!

O processo do Quinto Canal está em tribunal, é certo, mas um dos fundadores (Carlos Pinto Coelho) entretanto faleceu e a empresa (TeleCinco) há anos que já nem sequer tem Web site activo! Se, eventualmente, o tribunal vier a dar razão à TeleCinco e ela pretender avançar com o seu canal, o Governo poderia sempre, como último recurso, substituir um dos novos canais.

Então e para o Canal HD houve algum concurso? O canal não foi atribuído directamente à RTP, SIC e TVI? Então a RTP a SIC e a TVI há três anos que “não chegam a acordo” e o Governo não intervém? As televisões mantêm há três anos um autêntico bloqueio à TDT, não avançando com o canal (que ocupa cerca de 30% do espectro) e o Governo assobia para o lado? É claro que RTP, SIC e TVI não estão interessados no Canal HD e muito menos interessados estão que o espectro reservado para o canal seja utilizado para disponibilizar novos canais!

O Governo avançou para a privatização de um canal da RTP sem pedir primeiro uma inspecção às contas do grupo. A razão é fácil de encontrar, tanto o PSD como o PS têm responsabilidades nos défices acumulados, não há interesse em tirar “esqueletos” do armário. Mas avançar para a privatização de um canal sem primeiro proceder a uma avaliação rigorosa e independente às contas e à gestão do grupo será pouco mais que uma operação de cosmética, que poderá poupar alguns Euros aos cofres do Estado, mas que poderá ser errada e irá empobrecer ainda mais a televisão portuguesa.

Tornámo-nos  “Os Miseráveis” da Europa!

13/02/2012:
O presidente da ANACOM José Manuel Amado da Silva voltará ao Parlamento na próxima quarta-feira, 15/02/2012 pelas 9H30, na sequência de requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda. O presidente na ANACOM já se tinha deslocado ao Parlamento em 20/09/2011 para dar explicações sobre a TDT, como foi noticiado neste blogue.

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TDT: Blogue TDT em Portugal apelou ao Governo
O Futuro do Serviço Público de Rádio e Televisão
TDT: MAP e ERC decidem novos canais
Impacto da TDT no negócio dos operadores de televisão

segunda-feira, 10 de maio de 2010

TDT portuguesa - Que futuro? (actual. em 28/06)

A televisão digital terrestre tem tido grande aceitação um pouco por todo o mundo. Reino Unido, Espanha, França, Itália, Alemanha, Estados Unidos, Austrália, Japão, são apenas alguns dos países aonde a televisão digital terrestre é um sucesso. E em Portugal? Um ano após o lançamento oficial, será que a TDT portuguesa terá algum futuro?

Portugal, reconhecidamente, arrancou muito tarde com a TDT. Mas isso não impediu que, possivelmente, TODAS as decisões estratégicas tomadas fossem as erradas:
  • Pretender a rápida massificação da TDT e seleccionar uma norma recente, diferente da já utilizada em todos os grandes países europeus, logo com pouca expressão no mercado. Resultado? Preços altos e incompatibilidade da esmagadora maioria dos equipamentos.
  • Atribuir apenas um Mux para a TDT de acesso livre e cinco para a paga. Ironia do destino, a TDT paga não saiu do papel!
  • Não criar as condições e obrigar o operador público a emitir os canais de interesse público RTP Memória e RTPN na TDT, continuando escandalosamente a favorecer as plataformas de PayTV.
  • Criar um canal HD partilhado, aparentemente, sem o acordo prévio entre os operadores de TV. Resultado? Não há canal HD!
  • Abrir concurso para um canal generalista quando a opinião generalizada apontava para a sua inviabilidade. Resultado? Perda de tempo e não há 5º Canal!
  • Delegar no operador da rede toda a responsabilidade sobre campanhas de informação e, aparentemente, sem um timing pré-estabelecido. Resultado? ZERO campanhas de informação até à data!
Se os responsáveis por estes resultados trabalhassem numa empresa privada, o que lhes aconteceria?

Em 2008, o Estado favoreceu a adopção de uma norma que tornou obsoletos praticamente TODOS os televisores já preparados para a TDT e, através da Anacom informou que muitos equipamentos à venda em Portugal não eram compatíveis com a TDT portuguesa. Foi o understatement do ano!

Em Janeiro deste ano (2010) estimei que apenas 5% dos televisores em uso seriam compatíveis com a TDT portuguesa. É irrealista supor que em Abril de 2012 este valor atinja sequer os 50%. Recorde-se que em 2012 haverá grande disponibilidade de espectro. A manter-se a situação actual, apenas UM Mux estará em utilização, um bom indicador do (sub) desenvolvimento de Portugal em matéria de televisão! Mais uma vez, seria irónico o Estado ter favorecido a adopção de uma norma que permite poupar espectro para logo depois ter(?) de gastar milhões a subsidiar equipamentos com o dinheiro dos nossos impostos.

Segundo proposta em apreciação na Anacom, já no primeiro e segundo trimestres de 2011 as emissões analógicas de TV serão desligadas em duas zonas piloto ainda a definir. Os habitantes dessas zonas servirão de cobaias e o seu comportamento será analisado e poderá influenciar a forma como o processo de transição será conduzido no resto do país. Portugal deverá ser o único país do Mundo em que se fixam datas para o encerramento de emissores sem que haja previamente uma única campanha de informação sobre TDT! Simplesmente vergonhoso!

Mas, compreende-se... Quando o tuga perceber que, para poder continuar a ver 4 canais de TV, terá de comprar uma “caixinha” para cada televisor e, provavelmente ter ainda de pagar ao “técnico” para “mexer” na antena, não vai ficar muito satisfeito! Mais insatisfeito ficará se souber que os seus vizinhos espanhóis têm acesso a uma oferta alargada de canais por uma fracção do custo. Por isso, quanto menos e mais tarde se falar nesta "coisa" da TDT melhor! Ah, e as plataformas de TV paga sempre vão angariando mais umas centenas de milhar de clientes. É assim que as coisas funcionam em Portugal…

O Canal HD continua sem emissão e sem qualquer perspectiva de solução à vista. O chumbo da candidatura da TeleCinco ao concurso do 5º Canal generalista é agora definitivo com a rejeição do recurso interposto pela mesma.

E a seguir virá a investigação à desistência da TDT paga da empresa com participação capitais públicos, golden shares e dois administradores nomeados pelo Estado(!). E o tempo passa...

E depois? Novo concurso para a TDT paga? Novo concurso para o 5º Canal? Mais prazos e mais recursos? Patético! Os interesses instalados tudo farão para que nada avance! Infelizmente, em Portugal, a TDT tem mais detractores do que defensores.

A solução lógica e imediata foi à muito apresentada aqui neste Blog: RTP Memória e RTPN na TDT Já!

Mas como, se aqueles incumbidos de defender o interesse público demonstram estar mais interessados em favorecer interesses privados?

Actualização 22/06/2010:
Como avançado em Março aqui no blog, o pedido de revogação da licença dos canais pagos de Televisão Digital Terrestre pela Portugal Telecom e o novo destino do espaço deixado livre serão discutidos hoje e na quarta feira pelas comissões parlamentares de Ética e de Comunicações. Esta discussão, recorde-se, surge na sequência de uma queixa apresentada pela Sonaecom, uma das empresas interessadas nos concursos da TDT. Segundo o Jornal de Negócios serão hoje ouvidos pelos deputados das comissões o presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), José Amado da Silva, às 15:00, o presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), José Azeredo Lopes, às 16:15, e o administrador da Portugal Telecom (PT) Alfredo Baptista, às 17:30. Para quarta-feira estão marcadas as audições dos ministros das Obras Públicas, António Mendonça, às 10:30, e dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, às 11:45. Veremos o que "sai" destas discussões, sendo certo que não é possível (nem recomendável) forçar a PT a avançar com a contra gosto com TDT paga. A poucos meses do primeiro apagão do sinal analógico (1ºtrimestre de 2011), esta poderá ser uma das últimas oportunidades para colocar a televisão digital terrestre nos carris.

Actualização 24/06/2010:
Para não variar muito do que tem sido a norma, pouco ou quase nada se sabe sobre os trabalhos das comissões parlamentares de inquérito sobre a televisão digital terrestre. Mais uma vez, quase nenhuma cobertura por parte dos meios de comunicação, nem pelo próprio Canal Parlamento. Fica no entanto a informação de que o PSD irá apresentar um requerimento a fim de clarificar dúvidas levantas. Segundo o deputado social-democrata António Leitão Amaro «o Governo garante que as sinergias estão garantidas e a PT alega que não há sinergias». Já o Ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, ainda sobre a revogação das licenças da TDT paga e devolução da caução de 2.5 milhões à PT, afirmou que «a decisão final da Anacom já tarda».

Vamos aguardar pelos resultados...de preferência sentados.

Actualização 28/06/2010: Governo "favorece" alta definição?
A edição impressa d'O Jornal de Negócios publicou uma notícia em que deduz das palavras do ministro Jorge Lacão que a inclinação do Governo para solucionar o problema criado com a desistência da PT da TDT paga passa pela utilização do espectro deixado livre para emissões em alta definição: «merece ser bastante ponderada a definição de um modelo de alta definição» são as palavras do ministro. O modelo, alegadamente, passaria pela atribuição de um canal em alta definição a cada um dos operadores. Mas a «oferta em sinal aberto de outros canais no âmbito da prestação de serviço público» continua a ser uma possibilidade. Já a abertura de novo concurso é considerada "critica", devido à alteração das condições do mercado (razão invocada pela PTC para desistir da TDT paga).


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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quinto canal: Tribunal impede novo concurso

A "novela" 5º Canal continua. De acordo com informação avançada pelo "Sol", o tribunal aceitou a providência cautelar interposta pela Telecinco que, recorde-se, visa impedir o Estado de abrir novo concurso antes de ser conhecida a decisão do recurso apresentado sobre a decisão de chumbo da sua candidatura ao concurso do quinto canal de televisão.

O Governo, recorde-se, tinha anunciado em Abril a intenção de abrir novo concurso (intenção nunca concretizada), antes mesmo de se saber a decisão do recurso apresentado pela Telecinco. De acordo com o mesmo jornal, o Estado poderá recorrer desta decisão através da ERC. Com todos estes "incidentes", não é de prever que o 5º Canal arranque antes de 2011.

Actualização:
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), informou que irá recorrer da decisão.

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5º Canal - Zon e Telecinco chumbadas
A TDT, o serviço público e a lenda do cavalo de Tróia

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Programa "A Voz do Cidadão" sobre a TDT

No sábado, o programa do Provedor do Telespectador da RTP “A Voz do Cidadão” abordou o tema Televisão Digital Terrestre (TDT). Como o próprio Provedor (Paquete de Oliveira) reconheceu, foi o número elevado de solicitações dos telespectadores que levou a que fosse dedicado um programa a este tema. Alguns do cidadãos que participaram são assíduos participantes do Blog TDT-Portugal.

Embora várias questões tivessem ficado sem resposta, no geral considero positiva a emissão do programa. Afinal, foi dada voz ao cidadão comum, e a própria ausência de respostas convincentes a algumas das observações mais “contundentes”, na minha opinião, põem em xeque perante o grande público o erro de algumas das opções tomadas e acaba por validar as críticas dos cidadãos. O programa teve ainda o mérito de alertar a grande maioria do público que ainda está alheio da temática da TDT para questões importantes que, mais cedo ou mais tarde, serão do seu interesse.

Sem surpresa, constatei que muitas das pessoas entrevistadas no inquérito de rua ainda desconhecem o que é a TDT, o que confirma estudos publicados e a necessidade de avançar com campanhas de informação e sensibilização de maior alcance (leia-se televisão). De realçar ainda, uma grande confusão e a associação da TDT com as plataformas de pay-TV (cabo, fibra, satélite). Mas, seria de esperar outra coisa, quando a TDT é patrocinada por um dos serviços de pay-TV, e quando a relação de Mux’s codificados e sinal aberto é de 5 para 1? Infelizmente, parece-me a nossa TDT foi “pensada” para que os canais de acesso gratuito fossem apenas um apêndice da TDT. O mínimo dos mínimos, nada mais!

Também alguns dos aspectos mais técnicos da TDT são mal interpretados por muitos. A questão dos Multiplexers (ou Mux’s), apesar de estar documentada foi mal representada no programa. Vejamos, até ao encerramento das emissões analógicas é sabido que existirão 6 Mux’s: A, B, C, D, E e F. Dos seis, apenas o Mux A está destinado à difusão de programas em canal aberto. Os Mux’s B a F destinam-se à difusão de programação codificada (Meo DT). Dos seis Mux’s apenas o A, o B e o C está previsto que tenham cobertura nacional (pelo menos inicialmente). Os Mux’s D, E e F, devido à saturação do espectro radioeléctrico, apenas irão cobrir parte do litoral (até aprox. 80Km da fronteira).

Outro ponto que considero foi mal abordado diz respeito aos canais regionais e locais. Ao contrário do que foi dito, não foram atribuidos Mux's de cobertura regional ou local. Só após o encerramento das emissões analógicas existe a possibilidade de atribuição de 3 novas coberturas de âmbito nacional em MFN e 1 cobertura de âmbito distrital em MFN, essas sim vocacionadas para canais nacionais, regionais e locais. O que está previsto, e foi anunciado pela PT, é a emissão de dois canais regionais nos mux's já atribuidos. Estas matérias, no meu entender, deveriam ter sido explicadas no programa por alguém da ANACOM, que é a entidade responsável.

De realçar a convicção (talvez em em tom de aviso/alerta) do director de engenharia e tecnologias da RTP acerca da evolução da TDT em Portugal. Será um aviso de que em breve se espera que o sistema DVB-T será substituído pelo mais recente e eficiente DVB-T2? Quero acreditar que assim não seja.

Os meus parabéns a todos os leitores que participaram no programa!

O programa está disponível para consulta: no site da RTP ou para download aqui mesmo.

Recordo que está disponível online a Petição pela emissão da RTPN e RTP Memória em canal aberto.

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Petição: Pela emissão da RTPN e RTP Memória na TDT em canal aberto
RTPN e RTP Memória na TDT, já!
TDT Portuguesa: incertezas e contrariedades

terça-feira, 16 de junho de 2009

RTPN e RTP Memória na TDT, já!

Está à vista de todos que a oferta minimalista da TDT portuguesa, previsivelmente, não está a despertar grande interesse nos portugueses. Depois do aparente abandono das emissões partilhadas no Canal HD (nunca chegaram a concretizar-se) e da incerteza quanto ao 5º Canal generalista, a oferta da TDT gratuita resume-se a RTP1, RTP2, SIC e TVI (mais a RTP Açores e RTP Madeira nos arquipélagos). Ou seja, em termos de oferta televisiva a TDT não está a oferecer nada de novo aos portugueses, nem se perspectiva uma alteração desta situação a curto prazo.

Como se não basta-se, a somar à paupérrima oferta de canais, a nossa TDT tem ainda contra si o preço elevado dos adaptadores necessários, resultado da escolha da norma MPEG-4/H.264, tema amplamente discutido no blog.

No caso português, é caso para dizer que nunca uma nova tecnologia ofereceu tão pouco em troca de tanto dinheiro. Pelo andar da carruagem, vai mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.

Em 2004, aquando do lançamento dos canais RTPN e RTP Memória, foi dada como justificação para a sua não difusão na rede analógica de televisão a falta de espectro (espaço) radioeléctrico. Os canais, apesar de classificados de interesse público, foram directamente para as plataformas de canais pagos (cabo e satélite).

A RTP gastou recentemente bastante dinheiro com a sua restruturação e mudança da imagem corporativa, tendo-se nitidamente "inspirado" na BBC e na RTVE. Pena que não tenha também seguido o exemplo desses operadores públicos e salvaguardado espaço na TDT para disponibilizar novos canais.

Agora que a TDT oferece o espaço necessário para a emissão desses canais, muitos portugueses recordam o que foi dito na altura e reclamam a inclusão da RTPN e RTP Memória na oferta gratuita da televisão digital terrestre. E com razão!

Tomando o exemplo da RTP Memória. Como se justifica que este canal, em que quase toda a programação tem origem no arquivo da RTP que ao longo de décadas foi pago pelos contribuintes portugueses através da taxa de televisão e dos impostos, seja um exclusivo da televisão por assinatura?

A própria RTP parece pouco interessada em alterar esta situação ou discutir este assunto. Tão pouco é possível encontrar informação contabilística que discrimine de forma autónoma os custos e proveitos dos canais RTPN/RTP Memória. No entanto no Relatório e Contas da RTP de 2007, está escrito:

«Face ao impacto na população portuguesa e as obrigações de serviço público que Ihe estão cometidas, a RTP, enquanto operador de serviço público, pretende ter um papel activo neste processo de evolução tecnológica e de alargamento da capacidade de oferta de serviços do sector audiovisual de forma a ser possível desenvolver uma verdadeira plataforma multimédia na TDT em Portugal.

A exemplo de outros países e das experiências mais recentes de TDT na Europa, 0 papel do Serviço Publico de Televisão (e concretamente as exigências em matéria de inovação e de cobertura universal de Portugal) pode ser decisivo para um switch-off mais rápido, quer através da qualidade e diversidade dos serviços de programas oferecidos, quer ainda pelo desenvolvimento de novos serviços ligados ao desenvolvimento da Sociedade da informação (informação, educação, etc.).»


Como é reconhecido pela RTP, pelo Governo e por vários estudiosos destas matérias, a oferta de novos programas na TDT é um factor muito importante, senão mesmo crucial para uma rápida adesão à plataforma e o seu sucesso. Em toda a Europa, a TDT portuguesa, que é das últimas a serem implantadas, tendo portanto um dos períodos de transição/adaptação mais curtos, é também das que têm uma oferta de canais gratuitos mais reduzida!

O Blog TDT-Portugal cedo apontou a difusão da RTPN e RTP Memória em canal aberto como solução para o impasse na TDT. Muitos leitores têm manifestado a mesma opinião nos vários comentários recebidos.

Para além de participarem no inquérito que está a decorrer no blog, cujos resultados demonstram de forma inequívoca o apoio a esta solução, os leitores podem fazer chegar a sua opinião directamente a várias entidades e aos partidos políticos. Sugestões:

Ministro dos Assuntos Parlamentares (Augusto Santos Silva):

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (Mário Lino): gmoptc@moptc.gov.pt

Bloco de Esquerda: bloco.esquerda@bloco.org


Partido Social Democrata: psd@psd.pt

CDS - Partido Popular: cds-pp@cds.pt

Novo!
Foi criada uma petição para a emissão da RTPN e RTP Memória na TDT em canal aberto. Clique aqui para assinar!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A TDT, o servico público e a lenda do cavalo de Tróia

De acordo com a lenda associada à conquista de Tróia pela Grécia, na chamada Guerra de Tróia, um grande cavalo de madeira foi deixado junto às muralhas de Tróia. Construído de madeira e oco no seu interior, o cavalo abrigava alguns soldados gregos dentro da sua barriga. Deixado à porta da cidade pelos gregos, os Troianos acreditaram que ele seria um presente como sinal de rendição do exército inimigo. Durante a noite, os guerreiros deixaram o artefacto e abriram os portões da cidade. O exército grego pôde assim entrar sem esforço em Tróia, tomar a cidade, destruí-la e incendiá-la.

Fonte: Wikipédia

Aquando do concurso ao 5º canal de televisão generalista, vieram a público informações surpreendentes acerca da estratégia de um dos candidatos para o seu canal de televisão na plataforma TDT. Em síntese, o candidato planeava utilizar o seu canal na TDT essencialmente para promover as suas plataformas de televisão por assinatura (táctica do cavalo de Tróia). Uma das tácticas previa a emissão do primeiro episódio de cada nova série televisiva, no seu canal TDT e os seguintes apenas na plataforma de canais pagos! A sua candidatura, felizmente, foi chumbada.

É notório que não há grande interesse na plataforma de canais gratuitos da TDT (Mux A), aliás, só duas empresas se apresentaram ao concurso do 5º canal. Nem o serviço público de televisão parece estar interessado na TDT! Parece ser mais vantajoso (para a RTP) continuar a emitir canais como a RTP Memória ou RTPN apenas nas plataformas de canais pagos. Mas agora, a desculpa da falta de espectro já não “pega”! O canal em alta definição não está a ser transmitido e o 5º canal não se vislumbra no horizonte próximo (os dois únicos candidatos foram chumbados).

A RTP que tanto se tem "inspirado" na RTVE e na BBC, porque não "copia" também o exemplo desses serviços públicos que introduziram novos canais temáticos na plataforma (gratuita) da TDT?

A opção tecnológica adoptada (compressão MPEG-4) permite transmitir pelo menos sete canais de televisão em definição standard. Actualmente os espectadores não têm acesso nem a mais canais de televisão nem a alta definição. Ou seja, quem pretender aceder à TDT tem que pagar (e muito) para receber os mesmos canais que já recebe em analógico. Os consumidores estão a pagar mais por uma tecnologia que está a ser subaproveitada.

E, infelizmente, também não estaremos longe da verdade se dissermos que temos uma TDT gratuita de “favor”. Vejamos: a “promoção” é feita pelo serviço MEO (vêr site oficial), a tecnologia foi seleccionada tendo em conta a TDT paga e a promoção a sério (televisão) provavelmente também só começará quando a TDT paga estiver pronta para arrancar.

Depois do falso arranque em 2001 e da falta de interesse no concurso de 2008 (só a PT concorreu ao Mux A), a TDT gratuita parece ter ficado irremediavelmente refém dos interesses dos grandes grupos de media nacionais e da empresa que faz a distribuição do sinal.

Haja vontade política e firmeza para tomar as decisões que permitam corrigir esta situação.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

PT vai "repensar" a TDT paga

O atraso na concessão das licenças para a TDT paga, e o fracasso do concurso ao quinto canal de televisão generalistas “obrigam” a PTelecom a repensar o projecto.

Durante um jantar promovido pela APDC, o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, confirmou que a existência do 5º canal na TDT seria um importante incentivo à compra das caixas receptoras. Segundo o mesmo, «após nove meses deste processo, passou muito tempo, há uma alteração de circunstâncias que temos de analisar». Garantiu no entanto que o avanço do projecto não está em causa.

Na mesma ocasião o presidente executivo da PT afirmou que o arranque da TDT gratuita, a 29 de Abril, contemplará mais de 10 localidades.

Recorde-se que o resultado dos concursos da TDT paga esteve suspenso até ao passado dia 1 de Abril, devido ao recurso aos tribunais da concorrente derrotada Airplus. A entrega à PT das licenças da TDT paga ainda não se concretizou. Também o concurso ao 5º canal generalista de televisão terminou com o chumbo pela ERC dos dois concorrentes, tendo um deles (Telecinco), recorrido aos tribunais.

A oferta de TDT paga, denominada Meo DT prevê até 49 canais de televisão.

terça-feira, 24 de março de 2009

TDT - Televisão Digital em Tribunal (act.)

Como noticiado ontem, a ERC confirmou o chumbo de ambas as candidaturas ao concurso do 5º canal de televisão generalista, como aliás era esperado. A Telecinco já informou que irá recorrer ao tribunal e informa no seu site que irá dar uma conferência de impressa hoje à tarde. É uma triste sina a deste país, em que quase todos os concursos públicos acabam em tribunal! A nossa TDT corre o risco de ser jocosamente conhecida por Televisão Digital em Tribunal.

Após o primeiro chumbo da ERC, Paulo Santos (secretário de Estado das Obras Públicas), disse:

«O Governo considera a existência de um quinto canal generalista como uma decisão extremamente importante para assegurar o sucesso da televisão digital terrestre».

«O Governo mantém por isso a sua expectativa sobre a existência de um quinto canal, que seja um apoio muito significativo na fase de transição».

Como irá haver recurso aos tribunais, penso que não será possível lançar novo concurso. O 5º Canal seria um importante (mas talvez insuficiente) incentivo para acelerar a adesão à TDT, e por esse motivo, enquanto esta "trapalhada" não é resolvida, o Governo deveria tratar de encontrar uma alterativa. A RTP parece-me a solução óbvia, uma vez que já tem dois canais "premium" (pagos com os impostos de todos) RTPN e RTP Memória.

Actualização 19h30:
Como anunciado a Telecinco confirmou em conferência de imprensa a intenção de recorrer ao tribunal, interpondo uma providência cautelar afím de impedir o fim do concurso (e consequente exclusão). Anunciou também a intenção de apresentar queixa contra a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social).

Actualização 2/04/2009:
O Governo, através do ministro Augusto Santos Silva, informou que vai avançar com uma nova consulta pública para decidir o destino a dar ao espaço que ficou livre no Mux A, com o chumbo das candidaturas. E, sem antes ser conhecida a decisão do tribunal.

Links:

segunda-feira, 23 de março de 2009

TDT Portuguesa: incertezas e contrariedades (act.)

A televisão digital terrestre ainda não arrancou em Portugal, mas pouco ou nada parece estar a correr como planeado! Senão, vejamos:

A TDT paga "não ata nem desata"! O concurso está suspenso e em tribunal, devido à acção movida pelo concorrente AirPlus.

O concurso ao quinto canal ameaça terminar num fiasco! A ERC chumbou os dois concorrentes.

Dos anunciados receptores de TDT a 50 Euros, pouco se sabe! Agora já se fala em preços de 50-80 Euros!

Até o logotipo da TDT, que permitiria indentificar facilmente os equipamentos compatíveis, teima em não aparecer!

E queria a PTelecom antecipar o "apagão" analógico para Janeiro de 2011!

Desde o esclarecimento da Anacom sobre a TDT, pouco mudou. A maioria do comércio continua a vender LCD's anunciando que têm sintonizador TDT, mas ocultando o facto que o mesmo é compatível apenas com mpeg-2 e incompatível com a TDT portuguesa (que utilizará o MPEG-4). Durante largos meses ninguém se preocupou em informar qual seria a norma de compressão a utilizar! Recorde-se que, em 29/10/2008, o blog TDT-Portugal foi o primeiro media a confirmar que a TDT portuguesa iria utilizar o MPEG-4 em todos os Mux's. A 27-11-2008, e após insistentes pedidos deste Blog, sai finalmente a "bomba", ou seja, a oficialização por parte da Anacom. Desde então, nenhuma campanha de informação de massas foi levada a cabo. Depois, o Estado (todos os portugueses que pagam impostos), lá irá(?) subsidiar os necessários receptores...

A cobertura da TDT iria começar pelo litoral, mas tirando a região de Lisboa/Setúbal, ainda está tudo "às escuras" e, no entanto, está em testes na Guarda! A poucos dias do arranque das emissões "piloto" de TDT no continente e ilhas, continuam por divulgar as localidades ou regiões seleccionadas. Antes a informação estivesse sob segredo de justiça, pois dessa forma já todos estariamos informados! Ou será que nem a própria PTelecom sabe ainda onde estará tudo a postos para o inicio das emissões?!

Onde está o planeamento?! Começo a acreditar que se justificou plenamente a avaliação do júri do concurso, que colocou a PTelecom atràs da AirPlus no respeitante às soluções tecnologicamente inovadoras e à qualidade do plano técnico! (1)

Alguém acha que a introdução da TDT em portugal está a correr bem?

É sabido que quando as coisas correm mal a generalidade dos politicos (os mais espertos por antecipação), trata de sacudir a água do capote. Há alguns dias ouvi na radio uma entrevista do Sr ministro dos assuntos parlamentares Augusto Santos Silva, leia-se o seguinte extracto dessa entrevista publicada no DN:

«DN: Para si, o quinto canal em sinal aberto é para esquecer, pelo menos por agora? É preciso esperar?

A.S.S.: Não. Nós fizemos o que nos competia com toda a lisura e transparência. Como tenho dito insistentemente, não sou salazarista e, portanto, não acredito no condicionamento industrial. Não compete ao Estado travar administrativamente a evolução do sector da comunicação social ou de qualquer outro sector. A TDT permite mais canais em sinal aberto. Nós fizemos uma consulta pública e apareceram interessados, operadores que disseram: "Nós estamos interessados em ter presença televisiva." E apareceram outros operadores, que estão no mercado, que disseram: "Nós estamos interessados em aproveitar o espectro para emissões de alta definição." E nós tomámos uma decisão que permite mais alta definição e mais um canal. O concurso foi aberto, apresentaram-se os candidatos, o concurso está a decorrer, não tenho nada a dizer.»

É curioso, eu sempre julguei que era dever dos governantes defender os interesses dos cidadãos! Afinal, acreditando nas palavras do Sr. ministro, parece que a função dos Governos é mais gerir a pressão dos lobbys (e isso explicaria muita coisa). E todos sabemos como tão bem tem funcionado a liberalização e desregulamentação de variados sectores da economia...

O texto completo da entrevista está aqui.

(1) - A AirPlus apenas concorreu ao concurso da TDT paga.

Actualização 23/03/2009, 21h30:
A ERC confirmou hoje a exclusão de ambos os concorrentes ao concurso do 5º Canal de televisão.

Actualização 2/04/2009:
O Governo, através do ministro Augusto Santos Silva, informou que vai avançar com uma nova consulta pública para decidir o destino a dar ao espaço que ficou livre no Mux A, com o chumbo das candidaturas. E, sem antes ser conhecida a decisão do tribunal.

Links:
TDT portuguesa arranca a 29 de Abril
TDT paga sofre novo atraso
TDT: cobertura do litoral
TDT portuguesa em MPEG-4
5º Canal: Telecinco e Zon chumbadas!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

5º Canal: Telecinco e Zon chumbadas! (act.)

De acordo com notícia do Económico e TSF, as candidaturas da Zon e Telecinco ao concurso do 5º canal de televisão foram ambas chumbadas pela ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). O chumbo da candidatura da Zon, deve-se à falta de meios técnicos e humanos. A candidatura da Telecinco terá sido chumbada devido a alegada falta de viabilidade económico-financeira.

A decisão não é ainda definitiva, devendo os interessados ser ouvidos. Se após a audição a decisão se mantiver, a licença ficará por emitir e todo o processo terá que ser reiniciado.

O 5º Canal será um canal generalista, de acesso livre e será transmitido unicamente nas plataformas digitais. O seu arranque está (ou estava) previsto para 2010.

O texto completo da decisão da ERC está aqui.

A polémica está garantida...

Links:

Actualização 23/03/2009:
A ERC confirmou hoje a exclusão das candidaturas da Telecinco e Zon II ao concurso do 5º Canal de televisão.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Telecinco já tem site

O projecto de televisão Telecinco, que concorre contra a Zon à licença do 5º Canal de televisão, já tem o seu site disponível para consulta. Nele é possível saber mais sobre o projecto e quem está por trás dele. Ao contrário de outro espaço recentemente criado, o site está aberto á participação dos cidadãos. A Telecinco informa também que estão a aceitar candidaturas para diversas áreas.
Links:
Telecinco

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quinto Canal da TDT tem dois concorrentes

Terminou hoje o prazo limite para a apresentação de candidaturas ao concurso do quinto canal de televisão. Ao concurso apresentaram-se apenas dois candidatos: a Zon Multimédia e a Telecinco, SA., representada por um grupo de jornalistas.

O 5º Canal será um canal generalista, de acesso livre e será transmitido unicamente na TDT. O seu arranque é previsto para 2010.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

TDT Portuguesa em MPEG-4: Prós e Contras

Com o esclarecimento publicado pela Anacom, em 27/11, foi confirmado publicamente o sistema de compressão do sinal a utilizar pela futura TDT portuguesa. Trata-se do MPEG-4/H.264.

Em termos simples, a compressão MPEG-4, sendo mais eficiente (comprime mais o sinal), permite difundir mais canais no mesmo espectro (espaço) radioeléctrico (Mux) em comparação com o MPEG-2. Ou seja, utilizando o MPEG-4 é possível difundir mais programas com a mesma qualidade num Mux comparativamente ao MPEG-2. O espectro radioeléctrico (frequências) é um bem escasso e a sua utilização é paga. Ao utilizar o MPEG-4 o negócio da TDT fica economicamente mais atractivo para o operador da rede (PTelecom), porque pode transmitir mais canais, criando uma oferta comercialmente mais atractiva e porque o custo da emissão dos seus próprios canais (versão do MEO) é mais baixo. O principal interessado na adopção do MPEG-4 é portanto o operador da rede e os operadores de televisão que a vão utilizar.

Se fosse permitida a difusão dos canais livres em MPEG-2 (sendo os canais a pagar emitidos em MPEG-4), grande parte do público comprava equipamento apenas compatível com o MPEG-2 (vulgarizado e relativamente barato), o que se tornaria num obstáculo a uma possível futura adesão aos canais a pagar, devido à necessidade de comprar novo equipamento. Assim para ver a TDT o público é obrigado a comprar um equipamento mais caro, já compatível com os canais a pagar (em MPEG-4). Mais uma vez os interesses do operador são colocados à frente dos interesses dos espectadores.

Porque os equipamentos MPEG-4 ainda são muito caros, os operadores das redes de TDT estão em posição privilegiada de os poderem comprar a preço mais acessível, principalmente porque compram em grandes quantidades. Este facto torna-se num importante incentivo à adesão do público aos canais a pagar, porque se o preço do equipamento é alto, havendo um contrato de fidelização, o operador poderá vender o receptor a um preço mais baixo ou aluga-lo. Isto já sucede com o serviço MEO. O receptor MEO (sem gravador), suporta o MPEG-4/H.264 e custa 79€. Este valor está bem abaixo do preço de mercado (livre de operador). No entanto o preço de 79€ é válido só para quem assina um pacote de canais (fidelização). E é bem provável que com a TDT irá suceder algo de semelhante, o receptor será substancialmente mais barato, mas apenas para quem aderir aos canais a pagar! E o preço do receptor também deverá ser muito próximo do receptor já utilizado pelo serviço MEO satélite, porque o equipamento em termos de características é muito semelhante, um tem um sintonizador satélite, o da TDT terá um sintonizador terrestre. E também porque não faria muito sentido oferecer dois serviços equivalentes a preços muito díspares. Duvido que a PTelecom tenha apresentado valores muito diferentes destes na sua proposta aos concursos da TDT. Aguarda-se com expectativa o comunicado da PTelecom até ao final do ano, onde se espera que esta e outras questões sejam esclarecidas.

Também o uso do MPEG-4 torna muito mais difícil, no curto e médio prazo, o uso de equipamentos TDT portáteis “concorrentes” com os actuais e futuros serviços a pagar de televisão móvel (via telemóvel), a disponibilizar após o apagão analógico. Actualmente há grande oferta de televisores TDT MPEG-2 portáteis, mas nenhum MPEG-4. O MPEG-4 necessita de muito maior capacidade de processamento para fazer a descompressão do sinal em relação ao MPEG-2. Já é difícil conseguir uma autonomia de bateria de 2,5 horas com o MPEG-2, com o MPEG-4 ainda mais.

É verdade que só a utilização da compressão MPEG-4 permite a difusão dos quatro canais nacionais mais o quinto canal em alta definição(*)num único Mux. Mas, embora a disponibilização de um canal em alta definição na oferta de canais livres (Mux A) seja um incentivo à adesão à TDT, este incentivo acaba por ser neutralizado pelo alto preço associado à tecnologia utilizada (MPEG-4) e que é pago por todos os espectadores. Maior incentivo seria tornar obrigatória a emissão em formato panorâmico (16:9) de pelo menos os canais de acesso livre. Não se compreende que se esteja a adoptar o sistema de compressão mais recente (e caro) e no entanto se esteja a perpetuar o uso do formato 4:3, ultrapassado, numa nova plataforma de distribuição.

Uma melhor opção (para o consumidor) seria a difusão dos cinco canais em resolução standard no Mux A e a difusão do quinto canal em simultâneo, em alta definição, e em modo aberto (porventura temporariamente) num dos outros Mux nacionais. Desta forma só quem estivesse interessado na alta definição teria de adquirir o equipamento adequado e suportaria o respectivo preço. É perfeitamente possível transmitir com muito boa qualidade de imagem em definição standard (720x576) os 5 canais em MPEG-2 num único Mux. Isto pode ser facilmente comprovado através do visionamento de variados canais emitidos por satélite e da análise do respectivo bitrate. A definição standard resulta numa muito boa qualidade de imagem em ecrãs até 32 polegadas (a diagonal de LCD e plasmas mais vendida) desde que a fonte de sinal seja boa. Se a fonte (origem do material) não é de boa qualidade, não há bitrate nem MPEG-4 que salve a situação.
(*) Actualização: É agora sabido que o 5ºCanal será emitido em SD (definição standard) e o canal HD irá emitir programação da RTP1, RTP2, SIC, TVI e 5ºCanal em HD (alta definição) e em simultâneo.

Vantagens do MPEG-4 para o consumidor:
+ Torna possível uma maior oferta de canais.
+ Os programas gravados ocupam menos espaço.

Desvantagens do MPEG-4 para o consumidor:
- Preço elevado do equipamento (principalmente os receptores).
- É incompatível com praticamente todo o equipamento em uso (TDT MPEG-2).
- A oferta de equipamento compatível ainda é muito reduzida (televisores e receptores).
- Ainda não há equipamentos TDT portáteis compatíveis com MPEG-4.

Links:

sábado, 1 de novembro de 2008

Quinto canal: Concurso já abriu

O concurso público para o licenciamento do quinto canal de televisão abriu ontém, 31 de Outubro com a publicação em D.R. da portaria 1239/2008. Entre os interessados deverão estar a Zon Multimédia, Cofina e Controlinveste. O vencedor deverá ser conhecido em meados de Abril.

O quinto canal, recorde-se, será um canal generalista de acesso gratuito e de âmbito nacional, a emitir na plataforma TDT e em alta definição (segundo o Governo).

Fonte: Diário Digital

Link: Portaria 1239/2008 de 31 de Outubro