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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fim da televisão analógica originou sofrimento e exclusão

A forma como a Televisão Digital Terrestre foi introduzida em Portugal não permitia esperar outro resultado. Os cidadãos em geral e as populações mais desfavorecidas em particular foram altamente lesados com a migração para a TDT. O processo de migração português foi concebido e implementado com quase total desrespeito pelos cidadãos, ignorando por completo as experiências de outros países, as recomendações de especialistas e as graves dificuldades económicas da maioria da população. 

Em Dezembro de 2010 alertei que já não seria possível implementar um processo de switch-off que decorre-se de forma tranquila. Os factos deram-me razão, em Portugal não tivemos uma verdadeira migração, mas sim uma expropriação. Tratou-se de uma verdadeira agressão à população, perpetrada por políticos sem escrúpulos ao serviço do lobby da televisão paga. A mudança foi imposta a todo o custo, sem estarem reunidas as condições, com grandes benefícios para alguns poucos, mas com uma factura pesada e sem contrapartidas relevantes para a população. 

ANACOM e responsáveis políticos decidiram que um ano bastaria para vários milhões de portugueses se prepararem e fazerem a mudança para a TDT. Apesar dos avisos e das inúmeras evidências em contrário, para eles foi um sucesso, pois avaliação diferente poria em causa os seus juízos e a sua competência. 

Aos olhos dos políticos o processo correu tão bem que o administrador da ANACOM com a responsabilidade da TDT (o mesmo que em Fevereiro de 2011 afirmou que a instalação de emissores tinha ficado concluída no final de 2010), foi “premiado” com novos pelouros. Entre outras atribuições, será responsabilidade deste Sr. coordenar e decidir a gestão e fiscalização do espectro radio-eléctrico. Já todos podem imaginar o que poderá vir a acontecer e qual será o futuro que espera a TDT portuguesa… 

Segundo a ANACOM, após as três fases de desligamento, terão sido recebidos no total 4.065 telefonemas para a linha de apoio da TDT por parte de pessoas que ficaram sem TV. A mesma considera estes números “pouco expressivos” e eu concordo. Os números são de facto pouco expressivos porque não expressam a realidade! A maioria das pessoas que liga para a linha de apoio sabe porque ficou sem televisão, simplesmente não tem disponibilidade financeira para fazer a mudança porque, ao contrário do que é afirmado na publicidade que passou na TV, na maioria dos casos não basta comprar um “descodificador” e ligar ao televisor.  

Como já referi neste blogue, o programa de subsidiação dos equipamentos TDT foi um fracasso, a verba utilizada ficou substancialmente abaixo dos valores apresentados pela PTC na fase de concursos. Ou seja, tudo indica que a PT acabou por poupar muito dinheiro com o programa de subsidiação! Terá sido porque os portugueses são ricos, ou devido à falta de divulgação e todas as burocracias necessárias para obter a comparticipação? Não há responsáveis?  

A contrapor ao sucesso apregoado pelos políticos e pelos responsáveis da ANACOM, há verdadeiros dramas de famílias e pessoas isoladas que ficaram sem televisão, a sua única fonte de distracção ou companhia. Eis o extracto de uma mensagem recebida pelo Blogue TDT em Portugal de uma funcionária da linha de apoio TDT que chega a atender várias dezenas de pessoas por dia:
Sou trabalhadora da linha de atendimento da TDT (a serviço da PT) há 7 meses. Lido diariamente com casos de telespectadores indignados que me deixam igualmente indignada e perplexa. Enquanto trabalhadora esforço-me ao máximo por ser imparcial, pessoalmente não consigo ficar indiferente aos problemas que este novo sistema está causar não a dezenas, nem a centenas, mas a milhares de cidadãos portugueses. Todos os dias regresso a casa com o sentimento de que estou a compactuar com o demónio. Raramente temos soluções gratuitas a baixo custo para oferecer aos telespectadores. Oiço pessoas a chorar, a gritar, a conformarem-se devido a esta situação. Estamos a falar da televisão, um bem adquirido pelos portugueses há 55 anos, o meio de informação das massas, o único meio de entretenimento ou a única companhia de alguns. «…» Existem direitos civis básicos que estão a ser violentados pelas entidades responsáveis da TDT. 

Segundo a ANACOM, terão sido 4.065 telefonemas, mas quantos mais milhares ficaram sem televisão e não telefonaram pelas mais variadas razões? Afinal, a experiência diz que quando um reclama muitos mais ficam em silêncio. 

O processo de migração para a Televisão Digital Terrestre, pela forma como decorreu, ficará registado como um marco negro, não só na história da televisão portuguesa, mas também na história da nossa democracia. Infelizmente, a maioria da população achará que se tratou apenas de mais um “assalto” ao bolso dos cidadãos, mas quem seguiu o processo com atenção e tem alguma experiência de vida, sabe que se tratou de algo bem mais grave. Ficou bem evidente que a nossa democracia está doente e certos políticos não passam de serviçais do poder económico, neste caso a PT, que é quem de facto "governa" as telecomunicações e a televisão em Portugal. 

Os dias que correm fazem recordar tempos anteriores ao 25 de Abril de 1974, quando uma ditadura mentia e oprimia a população em benefício de meia dúzia de capitalistas. Parece que em vez de avançar recuamos no tempo! 

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Televisão analógica termina hoje

Cessam hoje em Portugal todas as emissões de televisão analógica com a concretização da terceira e última fase de desligamentos de emissores e retransmissores. Serão hoje desligados todos os emissores e retransmissores não afectados pela primeira e segunda fases dos desligamentos, inclindo o Monte da Virgem, Lousã, Montejunto, Marão e Muro. O marco será assinalado em cerimónia a realizar cerca das 11:45 no Porto onde estarão presentes membros do Governo, ANACOM e da Portugal Telecom. Conclui-se desta forma o processo de migração para a Televisão Digital Terrestre em Portugal iniciado em Abril de 2009. Um processo que segundo os políticos e responsáveis tem corrido bem, mas que mereceu e continua merecer fortes críticas da população.

A introdução da TDT em Portugal tem estado rodeada de polémicas e situações mal explicadas, desde a fase de concursos, em 2008. Nunca é demais recordar que a TDT portuguesa é das mais pobres a nível mundial, não só em número de canais, mas também em funcionalidades e nível de cobertura da população. Milhões de famílias foram obrigadas a suportar grandes despesas com a migração, em muitos casos, na ordem das centenas de euros. E isto apenas para não perderem o acesso aos quatro canais de televisão. Ao longo deste processo a informação foi escassa, de má qualidade e em regra tardia. O programa de subsidiação dos equipamentos não foi eficaz. A promoção da TDT praticamente não existiu. Desta forma, foram as empresas operadoras de serviços de televisão por assinatura e os canais generalistas que mais lucraram com a introdução da TDT. Algumas empresas de TV por subscrição recorreram a tácticas comerciais agressivas e desonestas que lesaram a população. Até á data nenhuma multa foi aplicada pelas entidades reguladoras.

Em todo o processo de introdução e migração para a Televisão Digital Terrestre, as televisões demonstraram comportamentos cínicos e, de forma consciente ou não, foram, regra geral, agentes da desinformação, só muito tarde fazendo algum eco da realidade e do descontentamento das populações. Foi graças ao protesto das populações que a cobertura foi melhorada em alguns locais, mas apenas nas vésperas dos "apagões".

Nota muito negativa para a RTP que, apesar de ser a empresa titular do serviço público de rádio e televisão, sempre esteve de costas voltadas para a TDT, recusando apostar naquela que foi designada da Televisão Digital de Todos, indo contra as suas intenções declaradas em 2008 relativamente à Televisão Digital Terrestre e já transcritas no blogue TDT em Portugal em diversas ocasiões. Ao contrário das congéneres europeias (e não só), o serviço dito público de rádio e televisão continua a favorecer de forma escandalosa (com a cobertura do Governo) as plataformas de televisão por subscrição, fornecendo canais exclusivos como a RTP Memória, a RTP Informação e a RTP HD. A manutenção do exclusivo destes canais pelos serviços de televisão por assinatura favoreceu naturalmente a adesão às plataformas pagas em detrimento da TDT.

Apesar de existir espectro não utilizado no único multiplex utilizado em Portugal, que permitiria emitir mais alguns canais, o actual e o anterior Governo nunca tomaram medidas para relançar a TDT após o fracasso do lançamento do Quinto Canal generalista e do Canal HD. Pelo contrário, temos assistido a sucessivas manobras demagógicas destinadas a enganar os cidadãos e defender os interesses do lobby da televisão por subscrição.

Para cúmulo, depois de não terem sido capazes de acautelar e defender os interesses da população no processo de migração para a TDT, os políticos premiaram-se a si mesmos com a decisão de emitir a ARTV na TDT, que poderá acontecer a qualquer momento.

Após quase três anos de luta em defesa de uma TDT digna, com o apelo de inúmeros cidadãos, o Governo optou por fazer ouvidos de mercador e agradar ao lobby da televisão paga ignorando a opinião da esmagadora maioria da população.

Infelizmente, ao contrário dos outros países, com a migração para a TDT nada mudou na televisão portuguesa. A opinião e as aspirações da população não contaram. Que tipo de regime nos faz lembrar estas práticas? Será o povo sereno demais?

Gravação do momento do encerramento da emissão da SIC captada do emissor da Lousã

  
Actualização - a migração para a TDT continuará para além de 26 de Abril

O apagão do dia 26 de Abril, segundo a ANACOM, afectou um universo de mais de 1,9 milhões de pessoas - cerca de 730 mil famílias, mas não encerra o processo de migração. Apesar do sinal analógico já ter sido desligado em todo o país, prossegue a instalação de emissores TDT destinados a reforçar a cobertura, que é deficiente ou inexistente em vários pontos do país. Lamentavelmente, a instalação de emissores ou retransmissores continua a ser feita em completo silêncio, sem qualquer informação à população, quer por parte da ANACOM quer por parte da PT. Ainda na passada sexta-feira 4/05 o blogue TDT em Portugal recebeu de um leitor informação da entrada em funcionamento de um retransmissor em Cedrim - Sever do Vouga.

Segundo a ANACOM, após o desligamento de 26 de Abril ter-se-ão registado 2.264 chamadas telefónicas para a linha de apoio.

O blogue TDT em Portugal continuará a informar os seus leitores sobre todos os desenvolvimentos relacionados com a Televisão Digital Terrestre.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apagão analógico em Aveiro, Braga, Guarda, Porto, Vila Real e Viseu

Teve lugar ás 11 horas de hoje o desligamento do emissor analógico de televisão em São Macário, marcando o fim da primeira fase da migração para a TDT da faixa litoral de Portugal Continental. Este switch off afecta os distritos de Aveiro, Braga, Guarda, Porto, Vila Real e Viseu, num total de 3,1 milhões de pessoas e 1,1 milhões de famílias, segundo a Anacom. O "apagão" não será total nestes distritos, pois alguns dos principais emissores (Lousã, Monte da Virgem e Marão) continuam activos até ao dia 26 de Abril.

Para além do emissor de São Macário, serão desligados a partir de hoje, vários retransmissores: Préstimo, Viseu, Cedrim, Vouzela, Vale de Cambra, Covas do Monte, Santa Maria da Feira, Arouca, Rio Arda, Lalim, Vila Nova de Gaia, Foz, Valongo, Santo Tirso, Caldas de Vizela, Caldas de Vizela II, Amarante, Gondar, São Domingos, Ancede, Caldas de Aregos, Resende, Lamego e Santa Marta de Penaguião. Para a maioria das localidades servidas por este emissor e retransmissores, continuarem a receber televisão terrestre, agora só através da Televisão Digital Terrestre (TDT). No entanto, várias localidades terão que recorrer à recepção via satélite (TDT Complementar), pois há várias zonas de sombra onde o sinal da TDT não chega.

Os próximos desligamentos terão lugar a 22 de Março nos Açores e na Madeira.

O "apagão" final no Continente começará a 26 de Abril, quando está previsto o desligamento dos restantes emissores e retransmissores. Nessa data serão desligados os emissores da Lousã, Monte da Virgem, Montejunto, Marão, São Miguel, Mendro, São Mamede, Gardunha, Mosteiro, Marofa, Bornes, Bragança – Nogueira, Leiranco, Muro, Valença. Nos dias seguintes serão progressivamente desligados os restantes retransmissores.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

APAGÃO ANALÓGICO EM COIMBRA, LEIRIA E SANTARÉM

Teve lugar hoje, com o desligamento do emissor de Reguengo do Fetal (Batalha), o inicio da quarta etapa do novo calendário para a cessação das emissões analógicas de televisão na zona litoral do continente. Para além deste emissor, serão desligados a partir de hoje, vários retransmissores: Vale de Santarém, Sobral da Lagoa, Mira de Aire, Candeeiros, Alcaria, Tomar, Ourém, Caranguejeira, Leiria, Alvaiázere, Avelar, Pombal, Castanheira de Pera, Espinhal, Senhora do Circo, Padrão, Ceira dos Vales, Vale de Açôr, Vila Nova de Ceira, Ceira, Coimbra, Caneiro, Cidreira, Lorvão, Penacova, Mortágua, Avô e Benfeita. Para as localidades servidas por este emissor e retransmissores, receber televisão terrestre, agora só através da televisão digital terrestre (TDT).

O emissor do Reguengo do Fetal e os retransmissores em questão, servem parte do litoral centro do país. No entanto, com venho informando desde há longa data, muitas localidades dos distritos de Coimbra, Leiria e Santarém, hoje afectados, continuarão a receber o sinal analógico, uma vez que os emissores da Serra da Lousã e da Serra de Montejunto (com grande alcance) continuarão activos até ao dia 26 de Abril.

A próxima etapa terá lugar a 23 de Fevereiro com o desligamento do emissor de São Macário e os retransmissores de: Préstimo, Viseu, Cedrim, Vouzela, Vale de Cambra, Covas do Monte, Santa Maria da Feira, Arouca, Rio Arda, Lalim, Vila Nova de Gaia, Foz, Valongo, Santo Tirso, Caldas de Vizela, Caldas de Vizela II, Amarante, Gondar, São Domingos, Ancede, Caldas de Aregos, Resende, Lamego e Santa Marta de Penaguião.

Para mais informação sobre a recepção da TDT (localização dos emissores TDT, antenas, dicas de instalação, etc.), pode consultar os vários destaques aqui no blogue TDT em Portugal.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Apagão analógico em Lisboa afecta 2 milhões de pessoas

O “apagão” do sinal analógico de televisão chega hoje a Lisboa, com o desligamento do emissor de Monsanto. Este emissor é um dos mais potentes e importantes do país e serve, não só a cidade de Lisboa, mas também muitas outras localidades. É também a partir do Centro Emissor de Monsanto, que o sinal de todas as estações de televisão nacionais é distribuído para o resto do país. Para além do emissor de Monsanto serão desligados vários retransmissores: Areeiro, Barcarena, Caparica, Carvalhal, Cheleiros, Estoril, Graça, Montemor-o-Novo, Odivelas, Sintra, Malveira, Sobral de Monte Agraço, Coruche e Cabeção. Com este “apagão”, marcado para as 11 horas da manhã, serão afectados os distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Évora.

Nalguns casos será necessário reorientar as antenas de recepção porque alguns dos emissores da Televisão Digital Terrestre estão localizados em locais diferentes dos emissores e retransmissores analógicos.

Em termos de população afectada será o maior apagão da migração para a TDT, cerca de dois milhões de pessoas segundo a ANACOM. Segundo dados divulgados pela mesma, no início de Janeiro 30% dos telespectadores (600 mil) ainda não tinha feito a migração e 10% (200 mil) não contava fazê-la a tempo do switch-off. No entanto, um estudo independente realizado a nível nacional apenas 3 meses antes (em Setembro de 2011), indicava uma taxa de migração de apenas 3% das famílias sem televisão por subscrição! É assim previsível que um número significativo de população, sobretudo a mais carenciada, perca hoje o acesso aos quatro canais de televisão. Uma situação que aparentemente não preocupa demasiado os nossos responsáveis políticos.

A próxima fase do plano de switch-off ocorrerá a 13 de Fevereiro com o desligamento do emissor de Reguengo do Fetal e os retransmissores de: Vale de Santarém, Sobral da Lagoa, Mira de Aire, Candeeiros, Alcaria, Tomar, Ourém, Caranguejeira, Leiria, Alvaiázere, Avelar, Pombal, Castanheira de Pera, Espinhal, Senhora do Circo, Padrão, Ceira dos Vales, Vale de Açôr, Vila Nova de Ceira, Ceira, Coimbra, Caneiro, Cidreira, Lorvão, Penacova, Mortágua, Avô e Benfeita.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Coberturas micro – Facturas macro: autarquias suportam o custo da TDT!

Como tem sido divulgado no blogue TDT em Portugal, muitas povoações correm o risco de ficar de fora da Televisão Digital Terrestre. Isto porque o plano técnico apresentado pela PT e aprovado pela ANACOM apresenta uma meta de cobertura terrestre relativamente baixa: 90% da população no final da implementação da rede. Este valor é inferior á cobertura dos canais analógicos e compara mal com a cobertura da rede de TDT espanhola que atinge os 98,5% e chega mesmo a cobrir vastas zonas do território português.

Para os restantes 10% da população resta a opção satélite (TDT Complementar) que apresenta limitações técnicas e que na maioria dos casos fica bastante mais cara para as populações, contrariando o que havia ficado estabelecido no título que autoriza a PT e emitir a TDT (Artigo 9 nº2 do direito de utilização de frequências ICP-ANACOM Nº 6/2008). Diga-se de passagem que recebendo os canais por satélite, já não estamos a falar de televisão digital terrestre, pois o sinal para além de não ser recebido por via terrestre, é diferente do sinal da TDT.

Por isso, desde há largos meses alguns autarcas vêm reclamando da PT e da ANACOM a instalação de mais emissores ou retransmissores (Gap-Fillers) a fim de serem eliminadas zonas sombra do sinal TDT. As reuniões têm-se repetido, mas na maioria dos casos não têm dado os resultados pretendidos pois a PT não está disposta a suportar o acréscimo de custos relativamente ao que ficou estabelecido no concurso da TDT. Recentemente chegou ao conhecimento público* que a PT estaria a reclamar 30000 Euros para cada Gap-Filler a instalar. Será alegadamente o caso de uma proposta apresentada à Câmara Municipal de Vouzela, em que para a instalação de três micro-coberturas em povoações do concelho, seriam cobrados 90 mil euros.

No final da semana passada, a poucos dias do “apagão” analógico do emissor da Fóia (que ocorreu hoje), chegou a informação que a PT havia instalado um emissor TDT na encosta da Picota, onde já existem retransmissores de televisão analógica, o qual terá permitido retirar cerca de 3000 habitantes de Monchique da zona de sombra. Mas de acordo com reportagens, outros habitantes ficaram mesmo sem televisão, como foi o caso de Alferce, também em Monchique. Outras localidades têm optado por soluções tecnicamente menos sofisticadas e mais baratas como foi o caso de São Martinho de Angueira em Miranda do Douro, que instalou um micro-repetidor por apenas 3800 Euros. É importante referir que a instalação deste tipo de equipamentos requer autorização prévia da ANACOM. No entanto a mesma (aparentemente) tem fechado os olhos pois há vários anos que existem retransmissores analógicos instalados em vários pontos do país que não constam da lista oficial. A instalação de emissores ou retransmissores sem a apresentação prévia de um plano técnico e validação técnica pode vir a criar problemas de recepção noutras zonas.

A razão para a inferior cobertura do sinal da TDT não é pois técnica, é económica. Vários sites onde actualmente é emitida televisão analógica poderiam perfeitamente passar a emitir a TDT. Não o fazendo está a transferir-se para as populações o custo da mudança tecnológica. Mas outra questão se poderá colocar. Se não é do conhecimento público o plano técnico apresentado pela PTC, como saber se algumas zonas de sombra não são causadas por deficiente planeamento ou execução? Teremos que confiar na ANACOM?   

Sendo a PT uma empresa em que o Estado está representado e tem direitos especiais, não deveria ser o próprio Estado a pressionar a PT a fim de aumentar o nível de cobertura terrestre da TDT? Porque não é destinada parte da verba arrecadada com os leilões de frequências para custear o melhoramento da rede? Onde está a sensibilidade social do Governo?

*Intervenção na AR do deputado Bruno Dias, do PCP em 5/01/2012.


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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

PRIMEIRO APAGÃO ANALÓGICO É HOJE - para que tudo fique na mesma…

Inicia-se hoje a primeira fase de desligamentos dos emissores e retransmissores que têm feito chegar a televisão a nossas casas desde 1957. É o começo do fim para o “velho” sinal analógico terrestre. Daqui em diante o único sinal disponível será o da Televisão Digital Terrestre (TDT).

Mas aquele que deveria ser motivo para celebração é antes um dia negro na história na televisão e da sociedade portuguesa. Ao contrário de praticamente de todos os países do planeta que já introduziram ou estão em curso de introduzir a televisão digital terrestre, Portugal irá desperdiçar a maioria das oportunidades que a nova tecnologia proporciona, não dando desta forma o salto quantitativo e qualitativo que há muito se esperava na televisão portuguesa. Contrariando todos os estudos, aprendizagens, a opinião, os alertas e os pedidos dos seus próprios cidadãos, os políticos que nos têm “governado” nos últimos anos decidiram que Portugal e os portugueses não mereciam ter uma televisão de acesso livre digna de um país moderno e civilizado.

Venceram os lobbies da televisão por subscrição e os barões dos Media já acomodados ao Status Quo que uma classe política subserviente lhes tem proporcionado. Em matéria de televisão Free-To-Air Portugal cimentou hoje a sua posição como um dos países mais atrasados do mundo. Mudamos para continuar a ter a mesma televisão de sempre. Com a mudança beneficiam sobretudo as televisões que passarão a suportar menores custos com a emissão do sinal, os operadores de televisão por subscrição que ganharam imensos clientes e as operadoras móveis que ficarão com parte das frequências até aqui utilizadas para emissões de televisão. Para o cidadão sobra a factura a pagar.

Alertei que não estávamos simplesmente perante uma questão de ter mais ou menos canais gratuitos. A questão é bastante mais sensível. Sem uma TDT minimamente atraente, quem pode (e quer) tem aderido às plataformas pagas, tornando o investimento futuro na rede TDT inviável. A TDT muito provavelmente ficará parada no tempo. E os canais ficarão totalmente dependentes das plataformas pagas que poderão condicionar a seu bel-prazer, por exemplo, a informação. Liquida-se também desta forma a viabilidade de existirem, entre outros, canais de televisão regional e local, que aliás sempre foram temidos pelos políticos mais próximos do poder central. Democracia, democracia, mas com moderação…

Na ausência de qualquer verdadeiro incentivo que motive os portugueses a migrar para a TDT, os responsáveis pela implementação da TDT em Portugal recorrem a truques para converter os resistentes. Convém recordar que os apoios à aquisição de equipamentos de recepção só entraram em vigor há 9 meses atrás. E o estudo independente mais recente (Set. 2011) indicava uma taxa de migração de apenas 3% das famílias sem televisão por subscrição. No entanto o regulador pretende convencer-nos de que em apenas 9 meses cerca de 1,17 milhões de familias se prepararam para o "apagão" analógico, das quais 1,1 milhões desde Setembro. Terminado este processo, quer se consiga, quer se falhe em impor o switch-off à população oferecendo quase nada em troca, Portugal já garantiu o seu lugar nos case studies da TDT. Pelos piores motivos!

A introdução da TDT em Portugal serviu pois apenas para mudar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma, tal como escrevi neste blogue em Junho de 2009. Foram mais alguns largos milhões de euros que foram enviados para a Alemanha. Desta vez não foram submarinos, mas metemos água na mesma!

Os nossos políticos permitiram que da Televisão Digital para Todos rapidamente passássemos para a Televisão Digital dos Tesos, agravando a desigualdade entre os portugueses em vez de a encurtar. Geograficamente, até o país conseguiram dividir ainda mais, com zonas cobertas e vastas zonas de “sombra digital”. Com uma enorme faixa do território onde as populações cada vez mais vêm os programas da televisão espanhola e a publicidade das empresas espanholas aos produtos espanhóis. Tudo isto implementado por uma empresa onde o Estado é accionista e está representado por dois administradores executivos. Calha bem, pois assim cada vez mais vamos a Espanha comprar produtos espanhóis e pagar impostos ao Rei. Nada que preocupe os nossos visionários e capazes “queridos líderes”. Bravo, o país agradece-vos! Eu tenciono recompensar a vossa inquestionável competência e patriotismo nos próximos actos eleitorais!

Durante a operação de desligamento de hoje será desligado o emissor de Palmela e os retransmissores de Alcácer do Sal, Melides e Sesimbra. Em Palmela será realizada uma cerimónia com a presença da ANACOM, PT e do ministro Miguel Relvas. O acto do desligamento está marcado para as 11 horas da manhã. Tendo em conta experiências anteriores, para os "responsáveis" o sucesso da operação já estará garantido. Os próximos desligamentos estão agendados para o dia 23/01 quando será desligado o emissor da Foia e os retransmissores de Santiago do Cacém, Cercal do Alentejo, Odemira, Odeceixe, Monchique, Aljezur e Silves.

A convite do site PPLWARE.com escrevi um artigo onde se faz o resumo da introdução da TDT em Portugal. Pode consultar aqui.

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sábado, 7 de janeiro de 2012

APAGÃO ADIADO EM VÁRIOS PONTOS DO PAÍS!

A ANACOM acabou mesmo por adiar o "apagão" analógico marcado para a próxima semana, como informei ontem. De um "apagão" que seria levado a cabo em vários emissores e retransmissores de Norte a Sul do litoral do país, passamos agora a um "apagão" faseado no tempo com término previsto para 23 de Fevereiro. Ainda no dia anterior (consultar post anterior) o responsável da ANACOM para a TDT havia afirmado que não havia qualquer razão que justifica-se fazer qualquer adiamento.

O calendário para a 1.ª fase do Plano para o Switch-Off fica agora assim:

12 de janeiro de 2012:
Emissor: Palmela;
Retransmissores: Alcácer do Sal, Melides e Sesimbra.

23 de janeiro de 2012:
Emissor: Foia - Monchique;
Retransmissores: Santiago do Cacém, Cercal do Alentejo, Odemira, Odeceixe, Monchique, Aljezur e Silves.

1 de fevereiro de 2012:
Emissor: Lisboa-Monsanto;
Retransmissores: Areeiro, Barcarena, Caparica, Carvalhal, Cheleiros, Estoril, Graça, Montemor-o-Novo, Odivelas, Sintra, Malveira, Sobral de Monte Agraço, Coruche e Cabeção.

13 de fevereiro de 2012:
Emissor: Reguengo do Fetal;
Retransmissores: Vale de Santarém, Sobral da Lagoa, Mira de Aire, Candeeiros, Alcaria, Tomar, Ourém, Caranguejeira, Leiria, Alvaiázere, Avelar, Pombal, Castanheira de Pera, Espinhal, Senhora do Circo, Padrão, Ceira dos Vales, Vale de Açôr, Vila Nova de Ceira, Ceira, Coimbra, Caneiro, Cidreira, Lorvão, Penacova, Mortágua, Avô e Benfeita.

23 de fevereiro de 2012:
Emissor: São Macário;
Retransmissores: Préstimo, Viseu, Cedrim, Vouzela, Vale de Cambra, Covas do Monte, Santa Maria da Feira, Arouca, Rio Arda, Lalim, Vila Nova de Gaia, Foz, Valongo, Santo Tirso, Caldas de Vizela, Caldas de Vizela II, Amarante, Gondar, São Domingos, Ancede, Caldas de Aregos, Resende, Lamego e Santa Marta de Penaguião.

A decisão da Anacom pode ser consultada aqui.

Destaco a seguinte passagem:

«Esta conclusão está em linha com os resultados dos inquéritos levados a cabo em dezembro último, que revelam existir ainda uma percentagem não negligenciável de lares que, estando abrangidos pela 1.º fase do PSO e necessitando de se preparar para a receção da televisão digital terrestre, declaram que ainda não efetuaram essa preparação, nem o tencionam fazer

Na prática A ANACOM ADIOU O SWITCH -OFF em várias zonas do país, nalguns casos em mais de um mês. Informo que estes desligamentos são levados a cabo por pessoal técnico da PT afecto a várias áreas de intervenção (zonas do país).

Na minha opinião, pretende-se desta forma (fragmentando o "apagão" por vários "apagões" de menor dimensão) diminuir o impacto de uma eventual reacção negativa das populações e as repercursões nos meios de comunicação social. Dividir para conquistar...

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Retransmissor da TVI de Vale de Cambra alimentado com sinal TDT

O retransmissor da TVI de Vale de Cambra que emite no canal 58 banda UHF e que serve boa parte do distrito de Aveiro deixou de ser alimentado a partir da rede de distribuição da RETI e é agora alimentado pelo sinal da rede de TDT. Infelizmente, esta alteração foi mal implementada e a qualidade de imagem baixou bastante pois os níveis de video não estão correctos. Também o som sofre interferências frequentes das redes de telemóvel. É certo que já falta pouco para o encerramento das emissões analógicas, mas isso não é desculpa para brindar os telespectadores com má qualidade de imagem.


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A Má Imagem da TVI

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Anacom aprova plano de cessação das emissões analógicas terrestres

Actualizado em 6/08/2010

A ANACOM aprovou, por deliberação de 24 de Junho de 2010, a decisão final sobre o plano detalhado de cessação das emissões analógicas terrestres (plano para o switch-off) associado à introdução da televisão digital terrestre (TDT) em Portugal. O plano, que esteve em consulta pública, foi aprovado com alterações mínimas em relação à proposta inicial. Deixo aqui os pontos que considero essenciais e as minhas considerações sobre o plano e os contributos da consulta pública.

Assim, as fases estão agora agendadas da seguinte forma:
  • 1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012, para os emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura da faixa litoral do território continental;
  • 2.ª Fase - 22 de Março de 2012, para os emissores e retransmissores que asseguram a cobertura das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira;
  • 3.ª Fase - 26 de Abril de 2012, para os emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura do restante território continental.
 A Anacom alerta (e bem) que os utilizadores abrangidos pelas 1.ª e 3.ª fases devem, em caso de dúvida, confirmar, se necessário com a ajuda de um técnico especializado, qual a estação analógica de onde recebem o sinal, em função do direccionamento da sua antena, com vista a certificarem-se da data em que o deixarão de o receber, de acordo com o plano de cessação das emissões analógicas. Eu diria melhor: em função do direccionamento da antena e dos canais (frequências) sintonizados.

Relativamente aos desligamentos em zonas piloto, estes continuam planeados para o 1º e 2º trimestre de 2011 e serão levados a cabo em retransmissores. A Anacom considera que os pilotos são acções exemplificativas e como tal o seu número não deverá exceder cinco. Este processo será objecto de deliberação específica e terá o envolvimento da PT Comunicações, dos operadores televisivos e da própria Anacom.

Quanto aos contributos no âmbito da consulta pública, a sua leitura revela-se particularmente interessante!

A primeira surpresa advém da ausência de qualquer contributo, quer por parte do operador público (RTP), quer por parte da Media Capital (TVI). Este aparente desinteresse talvez ajude a explicar em parte a actual situação da TDT portuguesa e, em particular, do problema chamado Canal HD. A PTC, operador das redes analógica e digital foi (naturalmente) a entidade que deu um maior contributo na consulta pública. SIC, ZON e Vodafone também participaram na consulta pública.

A SIC, destaca que o switch-off implica antes de mais custos, em particular os relacionados com as campanhas de sensibilização do público e os associados à aquisição das set-top-boxes, considerando que o plano submetido a consulta não aborda tais matérias. Acrescenta que quaisquer campanhas de publicidade e sensibilização, nomeadamente a comunicação do fim das emissões analógicas e da data do switch-off, assim como qualquer outra publicidade à TDT, devem ser suportadas pelo ICP-ANACOM. Defende só ser possível uma migração rápida por parte dos consumidores se as emissões forem em HDTV, sendo fundamental a introdução de uma compensação imediata dos operadores free-to-air, em particular a SIC, de modo a ressarcir o esforço de investimento necessário para uma transição atempada para o HDTV. Defende também a repartição das licenças de utilização de frequências entre os diversos operadores, a diminuição de tarifas de uso do espectro e condições preferenciais na atribuição de frequências para o DVB-H.

Do contributo da PTC destaco:
  • Diz estar preparada para o switch-off e considera as datas propostas viáveis;
  • Advoga ser mais adequado proceder ao switch-off num único momento ou no máximo em dois;
  • Advoga também que os pilotos devem ser realizados em momento mais próximo das restantes datas de switch-off, sob pena de caírem no esquecimento. Sugere que estes sejam faseados no 2º trimestre de 2011;
  • Manifesta a sua preocupação com a alteração de frequências, no âmbito da harmonização europeia sobre utilização do espectro radioeléctrico na faixa dos 800MHz. Defende que as alterações a realizar nesta faixa devem ser promovidas o mais cedo possível. Argumenta que os custos decorrentes da alteração de frequências serão elevados, quer em termos de valores, quer em termos de tempos e chama a atenção para o efeito de retracção que a informação de uma nova alteração das instalações de recepção provocará nos utilizadores em matéria de adesão à TDT. Refere que do ponto de vista da rede TDT, o impacto desta mudança é significativo, e deverão implicar que zonas geográficas percam serviço durante um período significativo, que poderá atingir muitas horas ou até dias;
  • Refere as expectativas criadas em torno da TDT, designadamente no âmbito da introdução do 5º canal e das emissões em HD, relevando a importância que a concretização destas possibilidades teria no incentivo à migração voluntária para a plataforma digital; 
  • Refere ainda o impacto do preço, que considera elevado, das set-top-boxes que permitirão a migração e conclui que, no seu entender, não pode ser planeado e executado um plano de switch-off com as incertezas existentes relativamente ao planeamento da alteração da frequência associada ao Mux A, o preço das set-top-boxes, a indefinição associada ao 5º canal e a disponibilização de emissões com conteúdo em HD;
Entendimento da Anacom:
A respeito do preço das set-top-boxes, a Anacom diz «estar disponível nas lojas da especialidade e grandes superfícies, bem como para aquisição on-line, uma oferta já variada tanto de televisores como de set-top-boxes habilitados para a recepção de TDT em Portugal, a preços competitivos e tendencialmente decrescentes.»

A Anacom concorda ainda que a disponibilidade do 5º canal e de emissões em HD (em virtude da falta de entendimento, até à data, entre os operadores de televisão) seriam importantes para um maior incentivo à adesão, mas afirma que não é concebível protelar mais o planeamento do switch-off, e todas as demais acções necessárias à transição, em face dos prazos preconizados na UE para o efeito.

Conclusão:
Como o caro leitor pode comprovar não há o nível de envolvimento necessário e desejável por parte de todos os envolvidos no processo. As televisões, a quem a TDT trará novas oportunidades de negócio e benefícios, deveriam ser os principais interessados em que o processo de transição analógico-digital decorra com a maior normalidade possível, infelizmente, pouco ou nada contribuem para o sucesso deste processo.

Também julgo ser incompreensível que se aprove um plano para a cessação das emissões analógicas sem um conhecimento detalhado da situação actual. Falo naturalmente da ausência de dados publicados sobre o número de adesões à TDT, número de televisores compatíveis, preço médio das set-top-box, estimativa do número de instalações de antena incompatíveis, etc. Mas, não obstante a ausência de dados estatísticos, a TDT em Portugal foi já considerada um caso de sucesso por um membro do Governo!

Como venho repetidamente alertando desde a primeira hora neste Blog, o preço dos receptores é de facto um problema. Os preços teriam de ser acessíveis e não só daqui a um ano! Agora, é o próprio operador da rede, que desvalorizou esse factor na apresentação da TDT, que o reconhece! O preço elevado vai inevitavelmente fazer com que muitos portugueses adiem para a última hora a adaptação das suas instalações de recepção, precisamente o contrário do que deveria suceder, ainda mais com um período de simulcast tão reduzido. Acresce ainda a notória ausência de equipamentos certificados para a TDT portuguesa, principalmente em matéria de receptores (set-top-box). A certificação dos equipamentos, recordo, constitui uma garantia do seu correcto funcionamento sob um conjunto alargado de situações e parâmetros de emissão, tanto hoje como no futuro. A utilização de equipamentos não certificados pode implicar custos futuros para o utilizador.

Tal como a Anacom reconhece, Portugal vai ter um dos menores períodos de simulcast. Este período, em que as emissões digitais e analógicas coexistem, é fundamental para dar tempo, não só para os telespectadores prepararem as suas instalações para o sinal TDT, mas também para o operador de rede proceder a correcções na cobertura! Por muitas medições no terreno que sejam realizadas, só após uma adesão significativa da população serão detectados muitos problemas na recepção da televisão digital terrestre! E acreditem, em muitos locais do país vão existir problemas de cobertura que será necessário solucionar. Se não há ninguém a captar o sinal, os problemas, naturalmente, passam despercebidos.

Também, dado que a adesão à TDT ainda é marginal, é desejável (como a PTC defende), que a alteração das frequências seja feita o mais cedo possível, pois evitaria desta forma mais custos e constrangimentos para os telespectadores.

Depressa e bem, não há ninguém! A ver vamos, se também desta vez o ditado popular se irá cumprir!

Documentos:

Actualização 6/08/2010:
A Anacom divulgou hoje a lista dos retransmissores a desligar já em 2011, respeitantes às designadas zonas piloto. Os retransmissores são:
  • Alenquer, a 3 de Fevereiro de 2011;
  • Cacém, a 7 de Abril de 2011;
  • Nazaré, a 5 de Maio de 2011.
Recordo que um dos requisitos para a escolha dos retransmissores era a ausência de emissor ou retransmissor analógico alternativo de forma a evitar que os telespectadores continuassem a receber o sinal analógico. Parece-me que este requisito não foi observado, pois muitos dos telespectadores abrangidos por estes retransmissores poderão continuar a receber o sinal analógico a partir de outros emissores/retransmissores vizinhos. Enfim, os "afectados" dirão se assim é ou não. Creio pois que o desligamento nestes locais não vai permitir um verdadeiro teste ou ensaio para os desligamentos de 2012. Mais parece que a verdadeira intenção desta escolha foi causar o menor impacto possível junto da população e, mais uma vez, não encarar de frente os problemas que a TDT portuguesa enfrenta: preço dos adaptadores e oferta de canais. Assím, espera-se que estes "pilotos" sejam mais um "sucesso" para os responsáveis políticos.  

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

TDT cobre 60% da população

De acordo com a PT, a TDT chega já a 60% da população portuguesa. São agora 39 os emissores em funcionamento, que cobrem maioritáriamente a zona do litoral, como planeado. Ao longo dos últimos meses, tem sido noticiado, aqui no blog, a entrada em funcionamento de novos emissores em: Leiria, Caldas da Rainha, Aveiro, Águeda, etc.

Lembro que a maioria destes novos emissores estão instalados junto a torres das antenas da TMN ou estações de feixes da PT, o que em muitos casos poderá obrigar ao redirecionamento da antena de recepção ou à colocação de uma 2ª antena de UHF. Importa também referir que em algumas zonas com indicação de cobertura, esta não é ainda totalmente satisfatória.

Quanto às datas de cobertura, constata-se que algumas foram antecipadas, mas muitas outras foram atrasadas, nalguns casos 1 ano! Isto não impede a PT de garantir a cobertura total do país até ao final de 2010 e afirmar que estará em condições de antecipar o desligamento do sinal analógico em 16 meses (Dez. 2010). Apesar das evidentes pressões (ou "recados"), o Governo mantém, por enquanto, Abril de 2012 como a data prevista para o desligamento do sinal analógico.

A implantação da rede corre pois, aparentemente a bom ritmo. Pena é que a oferta de programas se mantenha inalterada e os prometidos adaptadores a preço acessível continuem uma miragem!

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terça-feira, 17 de março de 2009

Governo regula transição para a TDT

O Governo, através da resolução do Conselho de Ministros Nº 26/2009, acaba de divulgar um conjunto de medidas e regras relativas ao encerramento do serviço de televisão analógico. Destacam-se:
  • A cessação das emissões analógicas em todo o território nacional até 26 de Abril de 2012.
  • A publicação pelo ICP-Anacom de um plano detalhado da cessação das emissões analógicas de cada estação emissora ou retransmissora. Este plano pode ser publicado de forma faseada, mas sempre com antecedência mínima de 3 meses relativamente à data de cessação das emissões de cada estação.
  • A criação de um grupo de acompanhamento da migração para a televisão digital (GAM-TD).
O texto completo da resolução pode ser lido aqui.

Relativamente à publicação da data de encerramento de cada emissor ou retransmissor, considero o prazo de "aviso" de 3 meses muito curto. O prazo mínimo de 3 meses diz respeito à Anacom. Essa informação vai demorar algum tempo a chegar aos consumidores se não for divulgada de forma eficaz (televisão...). A ter em conta que em muitas localidades será necessário proceder a alterações no sistema de recepção.

Na minha opinião, melhor opção teria sido "obrigar" a PTelecom a divulgar a cronologia da implementação da TDT por localidade ou emissor/retransmissor, com a data prevista do arranque das emissões da TDT, a data prevista do encerramento das emissões analógicas, potência do emissor/retransmissor, mapa de cobertura (ou diagrama de radiação das antenas) e localização GPS do local de emissão.

Links:
Televisão analógica acaba em Abril de 2012
TDT portuguesa arranca a 29 de Abril

quarta-feira, 4 de março de 2009

TDT Espanhola ganha terreno em Portugal

Enquanto a TDT portuguesa não inicia as suas emissões (anunciadas para 29 de Abril), a TDT dos nossos vizinhos espanhóis tem cada vez mais adeptos entre os portugueses que residem perto da fronteira.

A recepção da TDT espanhola em Portugal não é novidade, no entanto, à medida que se aproxima o “apagão” ou “desligamento” analógico total em Espanha (em 2010), a cobertura tem vindo a melhorar progressivamente, aumentando o seu alcance, permitindo chegar a várias localidades e cidades portuguesas (Évora, Guarda, Chaves, Bragança, etc…) próximas de Espanha. A distância máxima varia de local para local.

O interesse pela TDT espanhola é compreensível, dada a quantidade e qualidade da oferta de canais gratuitos. São mais de 20 canais de televisão de âmbito nacional e regional e também algumas rádios. Na oferta estão canais como: Teledeporte, Disney Channel e SET (Sony TV).

Para receber a TDT espanhola, a parte mais complicada (e dispendiosa) é conseguir um sinal suficientemente forte (para quem está mais afastado dos emissores), que permita a sua correcta recepção. As emissões da TDT gratuita espanhola utilizam a norma de compressão MPEG-2, para a qual existe uma grande oferta de equipamentos (televisores e receptores), a preços muito acessíveis. Estes equipamentos, no entanto, não permitirão receber a TDT Portuguesa, que utilizará a norma MPEG-4/H.264. O contrário já será possível, ou seja, os equipamentos MPEG-4 são compatíveis com a norma MPEG-2. Um equipamento apto a receber a TDT portuguesa poderá também receber a TDT espanhola.

Talvez consciente do “avanço” da TDT espanhola em território português, a PTelecom já instalou há algumas semanas, um pequeno emissor de TDT na cidade da Guarda, que emite em regime experimental (como todos os outros). O alcance, segundo alguns relatos, é de 30-40Km.

Entretanto, em cidades com maior densidade populacional como Porto, Coimbra e Aveiro, ainda não há qualquer sinal de emissão. Estranho, pois estas cidades estão incluídas na fase 1 do plano de implantação da TDT, enquanto a Guarda seria contemplada apenas na fase 5.

A menos de 60 dias da data do arranque da TDT, aguardamos a divulgação das 8, 10 ou 12 regiões ou localidades onde será possível receber as primeiras emissões “piloto” de TDT em Portugal.

Obs.: A imagem utilizada neste post é um exagero e não retrata nem pretende retratar a realidade!

Links:

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Televisao analógica acaba em Abril de 2012

O Governo determinou hoje que o encerramento das emissões analógicas de televisão irá ocorrer até 26 de Abril de 2012. A partir dessa data as transmissões serão apenas em formato digital. Ou seja, o mais tardar (se não ocorrerem adiamentos), a partir de 26 de Abril de 2012, o único sinal de televisão recebido através de antena terrestre será o da televisão digital terrestre (TDT).

Cai por terra a expectativa e proposta da PTelecom de terminar as emissões analógicas já em 2011, ou seja, um ano antes da data limite imposta pela Comunidade Europeia.

Durante um período não inferior a 12 meses, as difusões serão efectuadas de modo simultâneo em sinal analógico e digital.

O Governo adianta ainda que irá desenvolver um conjunto de acções e medidas para “estimular uma migração voluntária e maciça” que tenha o menor impacto possível nos consumidores.

Para receber as emissões digitais (TDT), os consumidores terão de possuir um televisor compatível com a TDT portuguesa, ou seja, apto a receber emissões DVB-T em MPEG-4/H.264, ou, adquirir um receptor ou adaptador de TDT também apto para DVB-T MPEG-4/H.264. O receptor ou adaptador mais acessível, é à data, o anunciado pela PT em 12 de Janeiro último (que ainda não está à venda), e tem um custo máximo de 50 Euros.

Links:
TDT Portuguesa arranca a 29 de Abril

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fórum TDT ignora utilizadores (act.)

Apresentado ao público em 12 de Janeiro último, pelo presidente executivo da PTelecom, o Fórum TDT, «vem garantir que os portugueses tenham acesso a toda a informação relativa à transição da televisão analógica para a televisão digital terrestre (TDT)». (citação)

Passado cerca de um mês da data da sua criação, infelizmente não é o que está a acontecer. A informação disponibilizada ao público é escassa e nalguns casos inexacta ou mesmo errada. Um exemplo, segundo o fórum:

«Se já utiliza a recepção analógica terrestre e dispõe de uma antena de recepção UHF e respectiva cablagem até as suas TV’s, apenas necessitará de adquirir o descodificador compatível com a tecnologia DVB-T e com a norma MPEG4/H.264». (citação)

Esta afirmação é inexacta, porque em muitos casos deverá ser necessário substituir a antena de UHF, por não estar adaptada à recepção dos canais utilizados na emissão da TDT. Muitas instalações de antena comunitária terão que instalar um módulo de amplificação adicional para cada Mux da TDT. E, se se confirmar que em algumas zonas os emissores de TDT não serão co-localizados com os emissores de Tv analógica, a maioria das pessoas poderá ter que instalar uma segunda antena de UHF (ou re-orientar a antena actual e perder a emissão analógica).

Também os exemplos de antenas compatíveis pode induzir em erro, porque um tipo de antena ilustrado (antena VHF), não é adequado à recepção de UHF e portanto não permite a correcta recepção da TDT.

Estes "lapsos" são tanto mais incompreensíveis pois nos quadros de pessoal da PTelecom certamente não devem faltar engenheiros de telecomunicações.

É também lamentável que os pedidos de informação do público não tenham resposta.

Estas, e outras situações, fazem-me acreditar que o espaço criado, é mais uma ferramenta de marketing do que outra coisa qualquer.

Nota: logo após o lançamento do fórum tdt, fiz chegar aos seus responsáveis as minhas críticas e sugestões mas, até à data, sem resultados práticos.

Actualização 12/02/2009:
A imagem com exemplos de antenas foi finalmente corrigida. A ilustração da antena VHF (assinalada com X na imagem acima), não apropriada para a nossa TDT, foi removida.

Actualização 19/02/2009:
Boas e más notícias. Boas, porque recebi finalmente resposta às questões colocadas aos responsáveis do fórum TDT (PT). Más, porque confirmam-se as minhas suspeitas e, muitos de nós teremos de reorientar a antena ou instalar uma segunda antena para receber a TDT portuguesa. Esta importante informação já foi disponibilizada na secção das perguntas frequentes do referido fórum.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

TDT: cobertura do litoral (act.)

(última actualização: 30/04/2009)

Em emissão experimental/piloto desde Outubro de 2008, para a zona de Lisboa, a emissão da TDT deverá em breve expandir-se ao resto do litoral. De acordo com a PTelecom, um número de 8 a 10 localidades deverão participar no arranque da TDT (a gratuita) a 29 de Abril próximo.

A oferta de TDT paga designada MEO DT, tem arranque previsto para Outubro, apesar da batalha legal em que está envolvida.

O número exacto, potência e localização dos emissores/retransmissores que vão participar nas emissões “piloto” ainda não é oficialmente conhecido. No entanto, conforme foi já aqui divulgado, numa primeira fase, far-se-á a cobertura de Lisboa e no final de Janeiro, inicio de Fevereiro a cobertura será gradualmente estendida ao resto do litoral.

Relativamente à cobertura de Lisboa, actualmente estão activos os emissores de Palmela e Monsanto e os retransmissores de Costa de Caparica e Sintra. O emissor de Monsanto, segundo informação, é ainda temporário e emite com uma potência muito reduzida (recebe-se até à zona de Picoas), talvez por esse motivo, muitos não conseguem recebe-lo.

Após a cobertura de Lisboa, na melhor das hipóteses, o sinal deverá chegar ao Porto no final de Janeiro. O emissor da Lousã, que em analógico serve grande parte da região centro e que muitos recebem até para lá de Estarreja (o emissor do Monte da Virgem está a uma cota muito baixa), ao que tudo indica (consulta dos mapas) não deverá emitir a TDT antes da implementação da fase 3 de cobertura.

A consulta das várias fases de cobertura, estão disponíveis no recentemente criado Fórum da TDT. No entanto várias perguntas ficam por responder:

A fase 1 de cobertura corresponde à data de arranque de 29 de Abril?

O arranque terá lugar em 8 a 10 localidades, regiões ou emissores?

Algumas fontes referem regiões, no entanto a Portugal Telecom fala em localidades. Um só emissor pode abranger várias localidades ou regiões, depende da sua localização, potência e diagrama de irradiação das antenas.

Será necessário reorientar as antenas para receber a TDT?

Os emissores e retransmissores de TDT activados até agora estão situados em locais onde também se emite a televisão analógica, pelo que as populações servidas por esses emissores e retransmissores não terão que alterar a orientação das antenas. Mas analisando o mapa de cobertura da fase 1 podemos verificar (salvo erro do mapa) que não haverá emissão a partir da Lousã. No entanto a zona do litoral aparece como coberta pelo sinal da TDT. Actualmente grande parte do litoral é coberto pelo emissor da Lousã (Fig. Foz, Coimbra, Aveiro, etc). Se a Lousã não emitir TDT, como será possível recebe-la sem alterar a orientação da antena? Não faria sentido, porque a adaptação dos televisores será gradual, ninguém vai comprar 3 ou 4 receptores (ou adaptadores) de uma assentada, a recepção analógica e digital irá coexistir até ao chamado “desligamento” analógico em 2011 ou 2012. Será que em algumas zonas será necessário alterar a orientação da antena de UHF ou adicionar uma segunda antena? A seguir com atenção...

Dito isto, a PTelecom já comentou que estaria a seleccionar as antenas da TMN que iria utilizar na TDT. Será que planeiam utiliza-las para além das micro-coberturas? A rede de difusão da nossa TDT é uma rede SFN (um mux utiliza a mesma frequência em todo o território). Este tipo de rede requer um planeamento muito cuidado e é de implantação mais complexa, pelo que a “geografia” da rede de emissores e retransmissores de TDT em algumas zonas do país poderá ser diferente da rede de sinal analógico.

Ainda, segundo informação não confirmada, algumas infra-estruturas da RETI serão utilizadas na emissão da TDT. Também não confirmada é a chegada do sinal de TDT à zona de Torres Novas e Tomar.

Recorde-se que até ao final de 2009 a PTelecom está obrigada a cobrir 78% da população, o que corresponde aproximadamente à área coberta pela fase 4 da implantação da TDT. A PTelecom afirmou ter como objectivo a cobertura de 80% da população até ao final de 2009.

A emissão dos canais de acesso livre (RTP1, RTP2, SIC e TVI), é feita no canal 67 de UHF em DVB-T, MPEG-4/H.264.

Para receber as emissões da TDT, para além do televisor ou adaptador compatível (MPEG-4/H.264), deverá bastar o uso de antenas UHF de banda larga (C21-69) devidamente orientadas. Em zonas de sinal forte poderá bastar uma antena interior (mas a antena exterior é sempre preferível). Deverá também ter presente que as emissões ainda estão em período de teste, pelo que podem sofrer interrupções, alteração de parâmetros e o nível do sinal pode variar.

Actualização 28/01/2009:
No seguimento do post inicial, parece cada vez mais provável que:
  • Muitos de nós iremos mesmo receber o sinal da TDT a partir das torres da TMN.
  • A Lousã (Trevim), ao que tudo indica não vai emitir TDT.
  • A emissão da TDT a partir do Porto (V.N. Gaia) vai ter um alcance de apenas 25Km (aprox.) e a potência não deverá ultrapassar os 1000W (é possível que seja inferior).
A PTelecom parece assim ter "optado" por utilizar um número maior de emissores do tipo celular (baixa potência) e um número muito reduzido de emissores de tipo broadcast (média e alta potência). Lembro que estas considerações, são baseadas em dados escassos e carecem de confirmação. Só quando arrancarem as emissões ou a PTelecom divulgar quais os locais de emissão haverá algumas certezas.

Actualização 19/03/2009:
Segundo Luís Avelar, um responsável da PT, a mesma prevê iniciar as emissões a 29 de Abril em 8 a 10 cidades. Em declarações anteriores, recorde-se, outros responsáveis da PT, falaram em localidades e regiões.

Actualização 31/03/2009:
Uma vez que a PT tarda em divulgar a lista de localidades, regiões ou cidades (o termo varia consoante o local, a data e o responsável...), decidi arriscar "extrair" mais alguma informação com os escassos dados conhecidos. O objectivo é tentar encontrar locais alternativos para os emissores de TDT, que permitam a cobertura do litoral entre Montejunto e o Porto. Isto porque, como já disse em 28/01, é possível que o Trevim (Serra da Lousã) não vá emitir TDT antes da fase 3.

O ponto de partida foram os mapas de cobertura disponibilizados pela PT no fórum TDT. Estes mapas são de dimensões muito reduzidas e podem conter várias imprecisões. Uma ajuda preciosa seria um mapa com a localização exacta das antenas da TMN, mas infelizmente não disponho dessa informação.

Dados a ter em consideração no "estudo":
  • A análise dos mapas (zonas cobertas).
  • As características da rede SFN (nomedamente a distância max. entre emissores).
  • O relevo do terreno (que influencia o alcance dos emissores).
  • A localização da actual rede de emissores/retransmissores analógicos.
Conclusão/Previsão:
A melhor alternativa de localização para a cobertura da região entre Leiria Norte e Aveiro Sul situa-se junto à Serra da Boa Viajem (Figueira da Foz) a uma cota aproximada de 170-200m. Esta localização permite adequada "visibilidade" para Norte, Sul e Este, com desperdício minímo de sinal.

A melhor alterativa de localização para a cobertura da região entre Leiria Sul e Peniche situa-se junto ao lugar da Senhora do Monte (Leiria) a uma cota de 380m (local onde já existem infraestruturas de telecomunicações).

Para a cobertura da região entre Aveiro Norte e o Porto:
  • Em Vila Nova de Gaia (Monte da Virgem) na torre da PTComunicações ou na torre da TVI e próximo da localidade do Préstimo a uma cota de 350m (local onde já funcionam retransmissores de Tv) e em Vale de Cambra a uma cota de 450m (local onde já funcionam retransmissores de Tv), ou:

  • Em Vila Nova de Gaia (Monte da Virgem), em Vale de Cambra e a norte de Oiã (a uma cota de 60m).
Como disse, trata-se apenas de um exercício, baseado em informação muito escassa. Os "reais" locais de emissão poderão ser outros. Só após a PT ou Anacom divulgar essa informação haverá certezas.

Solicito e agradeço que os interessados testem a recepção nas suas localidades próximo da data do arranque e partilhem as suas experiências (informar localidade, tipo e direcção de orientação de antena e força do sinal).

Actualização 7/04/2009:
Segundo o coordenador do projecto TDT da PTelecom, as emissões piloto que se iniciam a 29/04 irão cobrir aproximadamente 20% da população (o que provavelmente deverá corresponder apenas a Lisboa e cidades vizinhas, Ponta Delgada, Funchal e Guarda). Relativamente ao receptor, o mesmo responsável afirmou não acreditar que esse preço seja praticável na data de lançamento da TDT!

Actualização 9/04/2009:
Criado novo mapa com a cobertura prevista para a TDT em 31/12/2009, baseado em informação disponibilizada pela PTelecom.

Nota: Devido à copia não autorizada de imagens do blog tdt-portugal por outros sites/blogs oportunistas, que apagam a informação da origem e as fazem passar como de sua autoria, sou forçado a reforçar a identificação das mesmas.

TDT-Portugal - Mapa Previsão de Cobertura - Dezembro 2009

Actualização 30/04/2009:
Como é agora possivel constatar (já são conhecidos alguns dos emissores), os mapas de cobertura da TDT (fases de cobertura) não estão a ser respeitados. Há uma área significativa do mapa da fase 1 que não tem cobertura, enquanto zonas do interior que não figuram na fase 1 já têm cobertura. A informação divulgada pela PTelecom não estava correcta.
Actualização 3/06/2009:
Mapa da cobertura prevista a 31/12/2009 já contempla a cobertura dos pilotos (29/04/2009).

Links:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

TDT portuguesa arranca a 29 de Abril

Em conferência de impressa conjunta com representantes da RTP, SIC e TVI, destinada a dar a conhecer a apresentação do fórum TDT, a PT confirmou hoje que vai avançar com a oferta comercial de Televisão Digital Terrestre (TDT) em Abril de 2009. O serviço piloto será lançado a 29 de Abril e o objectivo é cobrir 80% do território no final do ano.

TDT arranca em 8 a 10 localidades

«O novo serviço será lançado em oito a dez localidades do país, incluindo as ilhas da Madeira e dos Açores»

Zeinal Bava, presidente executivo da Portugal Telecom (PT), disse esperar estar em condições de garantir para Portugal o desligamento do analógico um ano antes do prazo imposto por Bruxelas, que é de 1 de Janeiro de 2012.

Francisco Pinto Balsemão afirmou que a SIC esteve sempre contra o lançamento do quinto canal no âmbito da TDT. Disse ainda entender que deve ser o Estado a pagar as acções de promoção da Televisão Digital.

Adaptadores custarão 50€

Relativamente às «set-top box» (adaptadores), a PT informou que vai ter várias opções de boxes disponíveis; a mais básica custará 50 euros enquanto as mais sofisticadas, que permitem gravar e parar programas, serão mais caras, mas "a um preço bastante acessível para todos", de acordo com Zeinal Bava, presidente executivo da PT. Parece também existir a possibilidade de algumas das boxes virem a ser fabricadas em Portugal.

Para ajudar a divulgar a tecnologia foi criado um Fórum TDT, que junta a PT, a SIC a RTP e a TVI, através do qual se pretende divulgar a mensagem da TDT e que tem desde hoje um site em tdt.telecom.pt

Comentário:
Parece que a PTelecom esteve atenta às opiniões dos leitores do blog e estipulou um preço relativamente acessível de 50€ para os adaptadores ;-)

Actualização 13/01/2009:
Os adaptadores serão fornecidos por vários fabricantes. Estarão disponíveis no comércio e através da PT. O preço de 50€ para o modelo básico, é um valor estimado (embora a PT espere ficar abaixo dos 50€) e ainda decorrem negociações com os fabricantes.

Fontes: Económico , DD e Sapo

Links:
Fórum TDT
PTelecom autorizada a emitir a TDT a nível nacional
Esclarecimento da Anacom sobre TDT
TDT: Primeiras emissões já estão no ar!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Má Imagem da TVI

Apesar de ser líder de audiências a TVI parece estar-se nas tintas para grande parte dos seus telespectadores. Que outra explicação pode haver para a continuada deficiente qualidade de imagem do emissor da Lousã? Onde estão os serviços técnicos da RETI? Onde está a fiscalização da Anacom?

Mas esta situação não é de agora. De facto remonta ao inicio das emissões da TVI! A TVI aproveitou a infra-estrutura existente da rede de emissores FM e criou a sua própria rede de emissores de TV (a RETI). A RTP e a SIC são distribuídas pela PTelecom que anteriormente tinha adquirido a rede de emissores da RTP. Resultado: em muitos locais o sinal da RTP1, RTP2 e SIC é bom, mas o sinal da TVI é deficiente (fraco e/ou com interferências).

Teoricamente o emissor da Lousã da TVI, canal 32 deveria ter 540Kw P.A.R. (o mesmo que RTP2 e SIC), mas o seu sinal sempre foi significativamente mais fraco que os restantes canais em UHF (RTP2 C26 e SIC C29). Mas a Lousã não é caso isolado, algo de semelhante acontece, pelo menos, com o emissor do Monte da Virgem (C44) e do Muro (C30). Em todos estes locais o nível de sinal do emissor da TVI é significativamente mais baixo.

Talvez o melhor exemplo da disparidade de nível de sinal entre os canais UHF seja o caso do Monte da Virgem (Porto). Enquanto a 70Km de distância, é possível receber um sinal razoável da RTP2 (C41) e SIC (C52), o sinal da TVI (C44) é notoriamente fraco. Para esta situação não será alheio o facto de RTP e SIC serem emitidas a partir da torre de emissão da PTelecom com 177 metros de altura! O sinal da TVI é tão mais fraco que, nalguns dias de verão chega a ser “abafado” pelo emissor da TV Galicia de Tui, mesmo a poucos Km do Monte da Virgem!

Talvez consciente de todas estas situações (e outras) a TVI desistiu de ter uma rede própria de distribuição e emissão de sinal, tendo-a recentemente vendido à PTelecom. É que criar e manter uma rede de distribuição e emissão de Televisão (analógica ou digital) custa muito dinheiro!

Agora que a PTelecom é responsável pela rede de emissores da TVI, serão estes problemas finalmente solucionados? Vou aguardar sentado…


Aqui fica um pequeno video feito durante uma das frequentes interferências ao sinal da TVI C44, Monte da Virgem.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

TDT Espanhola recebida a +200Km!

Ontem, em virtude de condições metereológicas favoráveis, foi possível a recepção da TDT Espanhola proveniente da Galiza (Domayo), a sul do distrito de Aveiro, a mais de 200 Km do emissor!

Foram captados os canais Cuatro, La Sexta, CNN+, 40 Latino e Promo que fazem parte do MUX 45.

Em analógico foram recebidos (com qualidade de imagem variável) os canais TVE2, La Cinco, Cuatro, Antena 3, La Sexta, TV Galicia e Cubo TV. O sinal da TV Galicia no canal 44 ocasionalmente "abafou" o sinal da TVI emitido do Monte da Virgem. Já no dia 18 de Junho, foi possível receber canais emitidos a partir de Santiago de Compostela, a mais de 270 Km de distancia!

Esta experiência parece demonstrar que a chegada da TDT a Portugal poderá será a solução para muitas situações de má recepção, pois foi possível receber a TDT mesmo quando em analógico o sinal era relativamente fraco.





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