sábado, 3 de maio de 2025
DAB+ - A rádio digital terá nova oportunidade em Portugal
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
Contrato de concessão do serviço público de rádio e televisão "empurra" a RTP para a saída da TDT
O contrato de concessão do serviço público de rádio e televisão esteve em consulta pública. O blogue TDT em Portugal voltou a participar enviando um documento onde abordou o estado da Televisão Digital Terrestre e da rádio e propôs soluções.
Resumidamente, criticámos a falta de transparência da proposta. O orçamento proposto para o serviço público carece de qualquer esclarecimento, desenvolvimento ou justificação dos valores. Criticámos também a ausência de discriminação entre os serviços de televisão, rádio e online e dos gastos por programa/canal.
Apesar da ausência de qualquer fundamentação, a apreciação dos valores fornecidos permite identificar uma realidade confrangedora do estado do nosso serviço público. Assim:
- Os gastos com pessoal representam cerca de metade da totalidade dos gastos;
- Os gastos com pessoal são consideravelmente superiores aos custos com a programação;
- Os custos com programação representam apenas 31% da totalidade dos custos;
A titulo indicativo, o serviço público da BBC gasta cerca de 70% em programação e os gastos com pessoal representam apenas cerca de 25% do total dos gastos.
Diretamente nada é dito a respeito da Televisão Digital Terrestre. No entanto, na proposta o Governo autoriza a RTP a “proceder ao lançamento e ao encerramento de serviços de programas televisivos e radiofónicos” e dita que deverá focar-se nos serviços audiovisuais a pedido. Ou seja, tendo em conta o que se propõe no contrato e declarações anteriores, o Governo poderá estar a utilizar a RTP para (de forma encapotada) levar à sua saída da TDT, o que inevitavelmente ditará ao fim da mesma, algo que já foi pedido pelos operadores privados.
Criticámos também a ausência de propostas relativamente à rádio, nomeadamente o silêncio a propósito do DAB. Recordámos a falta de frequências livres no FM e a evolução muito positiva das condições necessárias para o lançamento do sistema DAB+ com sucesso.
O contributo completo pode ser consultado aqui.
Leitura adicional:
Serviço Minímo: TDT está por um fio, rádio parou no tempoRTP aposta no streaming e desiste da TDT!
Para que tudo fique na mesma...
Portugal não é um país "normal"
TDT Portuguesa - Que futuro?
Trapalhada Digital Terrestre
sábado, 20 de abril de 2024
Serviço Minimo: TDT está por um fio, rádio parou no tempo.
Caro leitor, após prolongado silêncio ditado pela ausência de novidades,
não resisto a partilhar o meu desgosto sobre o estado da televisão e da
rádio no nosso pequeno Portugal. É mais um desabafo de quem vê o país a
andar para trás. Sei que não estou sozinho.
Comecemos pela televisão. Na vizinha Espanha em Fevereiro todos os
canais nacionais ficaram disponíveis em Alta Definição na TDT. Também na
TDT, a televisão pública TVE iniciou a emissão teste de dois canais em
UHD 4K HDR! Por cá, a nossa TDT continua em SD e sem os prometidos dois
novos canais. Nem privados, nem públicos. Nem mais canais nem HD. Canais
em Alta Definição, só nos operadores de TV por subscrição!
Mas as coisas ainda podem piorar! A licença TDT do operador da rede foi
renovada no final de 2022 por mais 7 anos, até 2030. No entanto e tal
como havia previsto em 2013, os privados há anos veem reclamando do
valor que pagam à Altice/MEO e já afirmam que não é viável continuarem
na TDT até 2030, pretendendo a possibilidade de sair antes de terminar a
licença!
«… Dada a pobreza da nossa TDT, não estranha por isso que o número de
lares que recebem apenas TDT esteja em queda acentuada. Poderá já não
estar longe o dia em que os operadores nacionais não estarão dispostos a
suportar os custos com a sua emissão na TDT. Quando esse dia chegar os
canais irão reivindicar uma de duas coisas: a redução brutal dos custos
de emissão na TDT ou o abandono puro e simples da mesma…» in Blogue TDT
em Portugal, 2/05/2013.
É oportuno recordar que estes privados foram contra a disponibilização
de mais canais na TDT, o que foi determinante para o fracasso da
Televisão Digital Terrestre. Os dois operadores privados e a RTP
apostaram no modelo de TV por subscrição em detrimento da TDT. O
interesse estrangeiro foi afastado. Os dois privados foram contra o
aumento da oferta de canais mas continuam a pretender beneficiar da
entrada da RTP3 e RTP Memória na TDT pagando menos na fatura que pagam à
Altice/MEO argumentando que a mesma tem mais receitas devido à
disponibilização dos mesmos na TDT. É preciso ter muita lata!
Os problemas na receção do sinal regressaram em força na minha zona,
com micro-falhas quase constantes por vezes ao longo de várias horas,
tanto no canal 44 como no 46. O canal 46 é emitido do
Trevim (Serra da Lousã) e também da Serra da Boa Viagem, o que pode causar interferência em determinados locais e circunstâncias. A cereja no topo do bolo vai para a ANACOM
que em Maio de 2023 deixou de divulgar a monitorização do sinal TDT sem
qualquer explicação!
Na rádio as coisas não estão melhores. A rádio pública deixou
"apodrecer" as antenas dos emissores e só com muita ginástica foi
possível manter as emissões, tendo nalguns sido necessário reduzir a
potência de emissão. Na Lousã as falhas de emissão em todas as rádios da
RDP com duração de várias horas repetem-se. Nos privados, os problemas
financeiros na TSF são públicos e a cobertura da Radio Observador
continua fraquíssima.
Numa democracia Ocidental com 50 anos, como é possível existirem apenas
três operadores de rádio FM de âmbito nacional?! Eles são a RDP(3), a
Rádio Comercial(1) e o grupo Renascença(2). O grupo Renancença pertence à
Igreja Católica e opera a Rádio Renascença e a RFM. O Estado tem o
dever de ser neutro e no entanto atribuiu duas redes com cobertura
nacional à Igreja Católica. No entanto a TSF nunca obteve uma rede
nacional e a rádio Observador apenas chega a quatro cidades! Entretanto,
por exemplo, em várias cidades a RFM pode ser recebida em três a cinco
frequências diferentes!
Estamos a celebrar os 50 anos do 25 de Abril e continuamos com um sério
défice democrático no que diz respeito à rádio. Em Portugal é o Estado e
a Igreja Católica que dominam o Éter! Quem controla a informação tem
poder e um Estado verdadeiramente democrático deve combater a
concentração do poder!
Na TDT portuguesa não houve vontade de disponibilizar emissoras de
rádio, nem públicas nem privadas. Na espanhola estão lá 26. Após o
falhanço do DAB (rádio digital) em Portugal em 2011, aparentemente
também não há qualquer sinal de interesse no nosso país. No entanto
outros países já avançaram com emissões em DAB+ com sucesso. É o caso do
Reino Unido, Alemanha, Suíça, França e Espanha para citar apenas
alguns.
O desinteresse nacional pelo DAB é lamentável e incompreensível porque
ele permite emitir várias rádios a partir do mesmo emissor, o que
constitui uma poupança enorme para as rádios e seria também uma
excelente oportunidade de melhorar a oferta de rádio no nosso país e
corrigir a desigualdade que apontei. É de lamentar que a ANACOM não tome
a iniciativa de divulgar e promover a oportunidade que o DAB+
representa.
Infelizmente somos um país que não perde uma oportunidade de ficar parado! O problema é que os outros avançam...
Leitura adicional:
RTP aposta no streaming e desiste da TDT!
Para que tudo fique na mesma...
Portugal não é um país "normal"
TDT Portuguesa - Que futuro?
Trapalhada Digital Terrestre
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
TDT PODERÁ ACABAR EM 2023
Aquilo para que venho alertando desde 2013, poderá estar prestes a acontecer. A TDT poderá acabar já no próximo ano.
A televisão em sinal aberto existe em Portugal desde 1957 e poderá acabar em Dezembro de 2023, apenas 11 anos após o fim das emissões da televisão analógica em 2012 que forçaram muitas famílias a migrar para a Televisão Digital Terrestre suportando custos elevados.
A decisão oficialmente ainda não está tomada e o operador do sinal de TDT (a MEO), se não quiser continuar a prestar o serviço tem até ao próximo dia 9 de Dezembro para informar a ANACOM. No entanto a MEO tem por diversas ocasiões avisado que não estaria interessada em manter o serviço para além de 2023, data em que termina o contrato que tem com o Estado português. Entretanto a ANACOM diz que tem vindo a estudar alternativas à TDT que passariam pelo cabo e pelo satélite nos locais sem cobertura de cabo ou fibra.
Recordo que todos os avisos e sinais sobre o provável fim da TDT foram oportunamente destacados pelo blogue TDT em Portugal (consultar posts relacionados) mas, tal como aconteceu com os alertas sobre a implantação da rede de emissores e que se revelaram premonitórios do desastre que viria a ser a introdução da TDT (obrigaram a implementar à pressa uma rede alternativa de emissores), este assunto foi "esquecido" pelos principais media portugueses.
À boa maneira portuguesa, ou seja, "tarde e a más horas" o assunto é finalmente abordado na televisão pública. A um ano de distância do provável fim da televisão em sinal aberto a RTP (finalmente) acordou! Na luta pela televisão livre e em matéria de TDT a RTP, ao contrário das suas congéneres europeias, pode classificar-se como "desertora", tal a sua indiferença e a pobreza dos seus poucos contributos.
Agora, nada como o fim eminente da televisão dos "pobrezinhos" para criar o sensacionalismo necessário para gerar audiências. Investigar e reportar os factos em tempo útil (o primeiro aviso da MEO é de 2014!), aparentemente será pedir demais. Recordo que a televisão pública nunca fez um debate sobre a TDT!
Como inúmeras vezes tenho escrito, a TDT portuguesa foi um falhanço quase total. Foi transformada numa farsa que, em vez de proporcionar a melhoria do serviço "gratuito" (como aconteceu no resto do mundo), foi utilizada para impedir a entrada de novos operadores no mercado português. Repare-se que em 2014, ou seja, apenas dois anos após o switch-off do sinal analógico, a MEO já falava no fim da TDT! Falhou o sinal, falhou a oferta de canais (que só não é ainda menor graças ao clamor e luta de alguns cidadãos), falhou a certificação de equipamentos, falhou a divulgação e informação à população e falhou a subsidiação dos custos de migração. Tudo documentado no e pelo blogue TDT em Portugal!
A um ano do fim do contrato não há tempo para consultas e concursos. A MEO "tem a faca e o queijo nas mãos" e o Governo poderá ficar com uma batata quente nas mãos. Mas não sem aviso!
Atualmente, acreditando nos dados da ANACOM e dos operadores, a televisão por subscrição chega a 95% das famílias. Ou seja, apenas cerca de 5% depende da TDT. No entanto importa referir que em muitas residências há televisão por subscrição mas apenas para um televisor/divisão, estando os outros dependentes do sinal da TDT. Mais importante, são as famílias com menores recursos económicos que mais dependem da TDT.
Obviamente, não sei se em Portugal a Televisão Digital Terrestre continuará para além de 2023. Em diversas ocasiões lembrei os governantes que a TDT tem importância estratégica para o país. Apesar de não ser perfeita, é a rede de comunicações mais resiliente perante os desastres naturais, como já ficou demonstrado. Acredito que abdicar dela seria um erro!
ACTUALIZAÇÃO:
A Altice informou que requereu a renovação do direito de utilização de frequências. Está portanto (por agora) afastada a possibilidade do fim das emissões terrestres da TDT. Dada a posição anterior da Altice, resta saber se a mesma voltou atrás na sua intenção sem alguma compensação ou acordo com o Estado.
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TDT "À prova de fogo"
sábado, 9 de julho de 2022
RTP aposta no streaming e desiste da TDT!
A entrada de mais dois canais para a TDT era aguardada desde 2016. Os canais seriam privados e teriam que se abrir concursos. Perante a falta de interesse, já em 2020, o Governo anunciou que os dois canais seriam da RTP, a RTP África e o novo Canal do Conhecimento. No entanto, tal estava dependente do financiamento da RTP através do aumento progressivo da Contribuição do Audiovisual (CAV) a partir de 2023 (15 cêntimos em 2023, 10 em 2024 e 10 em 2025). A proposta do Governo não passou na Assembleia da República e portanto caiu por terra.
"O que estamos a fazer agora, Conselho de Administração, é olhar precisamente para o que estava dependente desse financiamento, estamos a partir do princípio que não há esse aumento do financiamento e algumas coisas que estavam ali não vão ser feitas, nomeadamente novos canais, dois novos canais na televisão digital terrestre, isso obviamente que não vai acontecer", referiu Nicolau Santos, o novo presidente da RTP.
Relativamente ao streaming o presidente da RTP afirmou que “os canais lineares estão a perder claramente audiência”, sendo que há alguns que “se calhar não faz sentido que eles continuem, enquanto o ‘streaming’ tem vindo a ganhar preponderância”. Analisando as “grandes tendências” que se verificam quer na BBC como nas televisões nórdicas, o ‘streaming’ “é o caminho que está a ser feito”.
Tudo muito bonito. Mas os serviços de streaming necessitam de boas ligações à Internet e em Portugal boa parte do país nem sequer tem 4G decente! Relativamente à BBC, recordo que passaram um canal (BBC 3) exclusivamente para streaming e já este ano voltaram a disponibiliza-lo nas plataformas Freeview (TDT) e Freesat.
Como venho recordando desde 2008, a TDT portuguesa tem uma das menores ofertas de canais a nível mundial e utiliza um único multiplex de programas que nem sequer está totalmente ocupado.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
RTP África e novo Canal do Conhecimento substituem privados na TDT
A TDT deverá ter mais dois canais e não serão privados! Como noticiado pelo blogue TDT em Portugal, a abertura do concurso para dois novos canais privados, anunciado em 2016 e sucessivamente adiado havia sido suspenso. Agora o Governo anunciou que os dois novos canais serão da RTP, a RTP África e o novo Canal do Conhecimento. Atualmente a oferta da TDT é composta pela RTP1, RTP2, SIC, TVI, RTP3, RTP Memória e AR TV (canal Parlamento).
Recordo que o aumento da oferta de canais da RTP fazia parte dos planos da RTP desde 2008 com a chegada da TDT, mas nunca saíram do papel. Aliás, os leitores de longa data do blogue TDT em Portugal recordarão a longa luta para conseguir a disponibilização da RTP Memória e da RTP 3 para todos os portugueses através da TDT.
Os sucessivos adiamentos (a abertura de concursos foi anunciada em 2016) terão muito provavelmente levado à falta de interesse por parte dos privados. Recordo que o canal Pan-Europeu EuroNews (que transmite em língua portuguesa) chegou a manifestar interesse em ser difundido na TDT portuguesa. No entanto a sua inclusão na TDT nunca foi viabilizada. Pelo contrário, a RTP reduziu a sua participação no canal de notícias.
Os novos canais deverão fazer aumentar para nove o total de canais disponíveis na Televisão
Digital Terrestre, esgotando finalmente a capacidade do único multiplex
utilizado. Isso significa que para a entrada de novos canais seria
necessário disponibilizar novas frequências ou alteração das normas de
codificação e difusão.
Recordo que desde o seu arranque a TDT portuguesa tem vindo a desperdiçar capacidade no multiplex ao não utilizar toda a capacidade disponível. Convém também ter presente que mesmo com nove canais a TDT portuguesa continuará a ter uma das menores ofertas de canais a nível europeu e mundial.
De referir que ainda não há data para a disponibilização dos dois novos canais e, apesar da RTP ter considerado "extremamente positiva" a introdução de novos conteúdos na TDT, também defendeu que a disponibilização de mais dois canais da RTP na TDT "só deve ocorrer com garantia do não desequilíbrio financeiro da empresa pública", questionando "de onde irão surgir os proveitos para desenvolver estes projectos".
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RTP3 e RTP Memória na TDT
sábado, 1 de agosto de 2020
Governo suspende aumento de canais na TDT
O que não é compreensível é o atraso na abertura do concurso para os dois novos canais privados na TDT. É promessa por cumprir. O concurso para os dois novos canais, um canal de desporto e outro de informação, tem sido sucessivamente prometido e adiado, situação que se arrasta há quatro anos. Na realidade, nem sequer o modelo para o concurso está definido. Actualmente o processo está suspenso sem justificação plausível.
Ainda não há muito tempo ouvi um responsável ponderar sobre a necessidade de um novo estudo, dado o tempo que já tinha passado! Seria mais um estudo desnecessário a somar aos vários "estudos" já feitos e que para nada serviram. Ou melhor, serviram para fazer perder tempo. Todos sabemos que quando os Governos não querem tomar decisões (por exemplo quando há lobbies de interesses privados), uma das estratégias passa por encomendar estudos. E estudos sobre o aumento da oferta de canais na TDT já há vários. Há, por exemplo, aquele encomendado pela ANACOM à empresa que audita as contas dos grupos donos da SIC e da TVI (ignorando um evidente conflito de interesses) e que sempre se opuseram ao aumento da oferta de canais na TDT!
A Altice, que é o operador da rede de TDT, também já em várias ocasiões tem dito que deseja mais canais na TDT. Mais, diz que não há limitação técnica, ou seja, há é falta de decisão política. O que já sabemos!
Como é sabido, a Altice tem vindo a vender a sua infraestrutura de telecomunicações. Já vendeu parte da rede de torres de telecomunicações e de fibra óptica. E como tenho lembrado, a Altice tem contrato para operar a TDT até 2023, mas já "avisou" que não está interessada em renovar esse contrato. Pretenda ou não vender as torres que fazem parte da rede de TDT em 2023, não surpreende que a Altice pretenda mais canais na TDT, pois uma TDT com mais canais gera mais receitas e aumenta o valor desse activo!
De referir que a redução do preço cobrado pela Altice aos operadores de TV imposta pela ANACOM implicou a redução dessas receitas. Esta decisão foi contestada pela operadora que afirmou que a mesma iria comprometer seriamente a sustentabilidade da TDT.
Uma coisa é certa, como sempre afirmei, esta TDT a meio gás foi propositadamente arquitectada para fomentar a migração para pacotes de TV por subscrição, objectivo há muito conseguido. Já muito antes da disponibilização da RTP Memória e da RTP3 na TDT eu argumentava que a disponibilização desses canais não iria fazer a mínima mossa nas finanças dos operadores de TV por subscrição e dos operadores privados. O tempo deu-me razão. E o mesmo acontecerá com a disponibilização de mais dois canais. A Altice sabe isso e também por esse motivo diz publicamente ser a favor do aumento do número de canais.
O que acontecerá em 2023 ainda é uma incógnita. O aumento da oferta de canais na TDT poderá não impedir a desistência da Altice em operar a TDT. Mas, sem o aumento da oferta de canais, a probabilidade da Altice abandonar a exploração da TDT parece-me bem real.
A batata quente está nas mãos do Governo!
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Alteracoes à rede de TDT começam em Janeiro de 2020
Mas a alteração mais significativa consiste na manutenção da rede MFN, a designada rede overlay! Recordo que o plano original previa o desaparecimento desta segunda rede. Isto é muito importante, pois como venho alertando desde 2013, a transformação da rede SFN nacional em redes SFN mais pequenas (desaparecendo a rede MFN) não iria resolver todos os problemas de recepção.
Alerta-se o regulador para o facto da decisão de transformação da rede SFN nacional em MFN’s de SFN’s não constituir solução para todos os problemas de recepção do sinal TDT. As dificuldades de recepção têm causas múltiplas já abordadas pelo blogue TDT em Portugal e não são apenas consequência de fenómenos de propagação. Devido ao tamanho das áreas MFN definidas e porque no seu interior continuam em operação redes SFN, continuam a impor-se especiais precauções quanto à potência dos emissores, diagramas de radiação e sincronismo (offset temporal). É essencial que as simulações de cobertura utilizem modelos de propagação adequados aos sites e respectivas áreas de serviço, salvaguardando todas as condições de propagação. A não observância destas precauções teria consequências nefastas pois desaparecerá a rede (alternativa) MFN “pura” e continuariam os problemas de recepção associados à utilização de rede SFN. » - Em Resposta ao Projecto de Decisão da Evolução da rede de TDT – Abril/2013
O cronograma actual para a migração dos emissores é o seguinte:
As perguntas mais frequentes relacionadas com o processo de migração foram publicadas no post anterior, pelo recomendo a sua consulta levando em conta as alterações divulgadas neste post.

