sábado, 6 de agosto de 2011

Caos na TDT – Governo pondera adiar “apagão” analógico! (act.)

Segundo noticia o jornal Expresso, o Governo está a ponderar adiar o fim das emissões de televisão analógica vulgarmente designado "apagão" ou switch-off, atrasando a mudança definitiva para a televisão digital terrestre. Alegadamente, o adiamento pretende evitar que a compra de descodificadores coincida com o corte no subsídio de Natal. O inicio do fim das emissões analógicas de TV, está agendado para 12 de Janeiro de 2012.

Mas, e esta suposição não é do Expresso, é minha, esta não deverá a única razão para o adiamento. Como tenho vido a informar (e recentemente confirmado pela DECO), a PT não está a promover e informar os consumidores sobre a TDT nas suas lojas PT Bluestore. Nem as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, que supostamente o deveriam fazer. Isto terá levado o PSD a convocar o presidente da ANACOM para prestar esclarecimentos no parlamento. Também, tanto a SIC como a TVI recusam passar a próxima publicidade à TDT, com inicio previsto para Setembro/Outubro, o que poderá indiciar uma intenção de boicote, como avancei em Maio. E o baixíssimo número de consumidores que já mudaram para a TDT, também deverá ter pesado na (alegada) decisão, sobretudo se considerarmos que faltam menos de 6 meses para a data planeada para o inicio do “apagão” analógico.

A confirmar-se a notícia, esta decisão não surpreende. Há muito que era evidente o enorme atraso português na mudança para a TDT, um atraso impossível de recuperar até Janeiro de 2012, a tempo de ser possível realizar uma transição tranquila para a televisão digital terrestre. Isso mesmo tenho vindo a dizer no blogue TDT em Portugal desde Dezembro de 2010, quando afirmei que um adiamento de pelo menos 6 meses seria inevitável. Seja qual for a justificação invocada para o (alegado) adiamento, o falhanço do plano para a introdução da Televisão Digital Terrestre em Portugal é total! Falhou a informação, falhou a promoção, falhou a implantação da rede, falhou a (mísera) oferta de canais! Infelizmente, este triste resultado era expectável antes mesmo do arranque da TDT, porque a estratégia adoptada foi a errada e o plano foi pessimamente executado.

Veremos se o Governo irá aproveitar o (alegado) adiamento da TDT para introduzir as mudanças necessárias e tornar a TDT pelo menos atraente q.b. para acelerar a mudança ou, se cede aos interesses dos canais de televisão generalista e operadores de televisão por assinatura para que os seus interesses não sejam beliscados e tudo fique como antes, forçando porventura a novo adiamento dentro de alguns meses.

8/08/2011 (actualização):
O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou hoje que o Governo irá reunir-se a 8 de Setembro com a ANACOM, PT, RTP, Impresa (SIC) e Media Capital (TVI), afím de «fazer uma avaliação rigorosa e sensata» do projecto da TDT, após a qual tomará uma decisão. 

9/09/2011 (actualização):
A reunião decorreu ontem e teve a duração aproximada de 3 horas. Não há ainda qualquer novidade a reportar. No entanto, relativamente à questão do adiamento do "apagão" analógico, Francisco Pinto Balsemão (SIC) afirmou ao Jornal de Negócios que os operadores de televisão não pediram o adiamento do "switch off". Ora, o ministro Miguel Relvas havia dito que quando tomou posse foi contactado por operadores de TV que pediam o adiamento do "switch off". Um aparte: a ideia do Canal HD partilhado entre os operadores partiu de Francisco Pinto Balsemão. O Canal nunca emitiu nos moldes previstos, alegadamente devido à falta de acordo entre os operadores.

Quanto à falta de decisão a respeito do possível adiamento, não constitui surpresa, pois anunciá-lo agora atrasaria ainda mais o processo de migração para a TDT. Dado o enorme atraso de Portugal, o adiamento é muito provável mas só deverá será anunciado pouco antes do inicio da data prevista para o início do switch off. O que realmente interessa saber é se o Governo irá tomar medidas para acelerar o processo de migração, e se sim quais e quando, ou se vai esperar para a véspera do "switch off" para fazer alguma coisa. Informo ainda que o blogue TDT em Portugal enviou ao Sr. ministro Miguel Relvas uma exposição documentada da situação da TDT em Portugal, recordando também a petição pela emissão da RTP Memória e RTP-N na TDT em canal aberto.

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Comparativo TDT portuguesa / TDT espanhola

A comparação entre a Televisão Digital Terrestre portuguesa e a Televisão Digital Terrestre de outros países tem sido um tema recorrente no blogue TDT em Portugal. Seria impossível não assinalar a diferença colossal, particularmente entre aquilo que se oferece ao telespectador em Portugal e em outros países. Apesar de ter arrancado tarde e de terem falhado, tanto o 5º Canal como o Canal HD, os Governos (actual e anterior) nada fazem para alterar o impasse na TDT. Faltam poucos meses para o "suposto" inicio do encerramento das emissões de televisão analógica nos principais emissores e retransmissores e nada é feito para acelerar o processo de transição, apenas propaganda. As últimas estatísticas são de Novembro de 2010 e indicam uma taxa de adesão à TDT de apenas 1,1% dos portugueses sem serviço de televisão por assinatura.

Em muitas zonas de Portugal é possível receber a TDT espanhola e verificar as diferenças entre a TDT portuguesa e a TDT espanhola. Para além dos canais públicos e privados de cobertura nacional existem canais regionaiscanais locais e até piratas. Em muitas zonas do norte de Portugal é possível receber a TDT proveniente da Galiza, uma região com forte ligação ao nosso país. Eis um resumo que ilustra as diferenças entre a TDT portuguesa recebida no Continente e a TDT espanhola recebida na Galiza (zona de Vigo/Pontevedra) e em alguns locais do norte de Portugal.

(Clicar imagem para ampliar)
2/08/2011 (actualização):
A TVE realizou no dia 1/08/2011 a primeira emissão nacional em sinal aberto de televisão em 3D através da TDT. A emissão consistiu num espectáculo musical préviamente gravado. A seguir à televisão interactiva e à Alta definição a televisão pública espanhola continua a sua aposta na inovação tecnológica e dá agora os primeiros passos na televisão em três dimensões. E para breve a TVE promete também a estreia de um serviço de televisão multi-canal. Ao contrário de Portugal, a televisão pública do país vizinho trabalha para todos os cidadãos, prestando um verdadeiro serviço público, sem discriminações. Os interessados podem ler mais sobre a experiência 3D no site da própria RTVE, aqui.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Impacto da TDT no negócio dos operadores de televisão

Assista a estes interessantes videos que levantam o véu sobre o negócio da televisão em Portugal e o que pensam as televisões (neste caso a SIC) a respeito da TDT. Os videos são de apresentações realizadas durante as Jornadas de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (JEEC) do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que tiveram lugar em Março. A apresentação está a cargo de Francisco Balsemão da Impresa (SIC).

Chamo particular atenção para o segundo video que se foca na TDT. Neste video comprova-se a validade de muitos dos alertas, comentários e criticas que desde 2008 tenho feito no blogue TDT em Portugal:
  • os canais de televisão não têm interesse na TDT, por eles podia ficar tudo como está;
  • a TDT arrancou demasiado tarde;
  • o fim da televisão analógica interessa sobretudo aos operadores móveis;
  • esta TDT não traz grandes melhorias;
  • a oferta actual da TDT não cativa os consumidores, deveria emitir mais canais;
  • o pouco interesse da alta definição;
  • a alta definição, se for adoptada, não terá a qualidade máxima;
  • o impacto da necessidade de alteração das antenas não foi bem avaliado.

Video 1 (Publicidade)

Video 2 (TDT)

Video 3 (5º Canal)

Video 4 (Preço dos receptores)

As dificuldades para a implantação da TDT em Portugal são conhecidas. Infelizmente os políticos adiam a tomada de medidas que permitam colocar a TDT "nos eixos". Em vez de fazer algo pela TDT, a solução adoptada tem sido nada fazer e sugerir a adesão à televisão paga. É isso que subliminarmente se faz na actual publicidade e na "informação" que é distribuida pela ANACOM. Só quando não for possível adiar mais o problema e, se ainda restarem muitos telespectadores sem televisão por assinatura, os políticos irão tentar solucionar o problema. Até lá, M*O, Z*N, Cabo**são, e outros podem sorrir.

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