sábado, 24 de setembro de 2011

ANACOM foi ao Parlamento dar explicações sobre a TDT

Dadas as preocupantes notícias que vieram recentemente a público a propósito da implantação da Televisão Digital Terrestre (TDT), o presidente da ANACOM, José Amado da Silva deslocou-se esta semana ao Parlamento, convocado pelo PSD, a fim de prestar esclarecimentos.

Não esperava grandes resultados desta audição, mas mesmo assim conseguiu desapontar. A audição foi curta (68 minutos) e os disparates começaram logo no primeiro minuto quando o deputado Mendes Bota apontou (erradamente) 12 de Março como a data em que todo o país estará a ver Televisão Digital Terrestre, querendo naturalmente referir-se à data do “apagão” final agendado para 26 de Abril de 2012. Ninguém da ANACOM (estavam 3 responsáveis) o corrigiu.

Com duas ou três honrosas excepções os deputados deixaram transparecer que não se prepararam devidamente para os assuntos em discussão. Mas a verdadeira surpresa partiu da prestação do presidente da ANACOM. O Sr. presidente da ANACOM mais uma vez demonstrou desconhecer informações básicas sobre o processo de implementação da TDT em Portugal. Há alguns meses atrás, interpelado pelos jornalistas, não foi capaz de informar qual o valor do subsídio para a aquisição de receptores TDT para os mais carenciados. Agora não foi capaz de identificar correctamente o anterior canal de emissão da TDT (67) e ainda afirmou que após o switch-off ficariam disponíveis 60 canais, imagine-se!

Interrogado sobre a oferta de canais, diz que só depois do switch-off, porque agora não há espaço! Qual a pressa para desocupar os canais 61-69? Em Espanha continuam a ser utilizados! E os 7Mbs reservados para o Canal HD que continuam desperdiçados? Por favor...

Também afirmou que a ANACOM levou a cabo uma “campanha” de informação a aconselhar os consumidores a comprar televisores MPEG-4! Ora, se houve campanha eu não dei por ela, e recordo que foi o blogue TDT em Portugal (a 29/10/2008), após insistentes alertas e pedidos de esclarecimento, a informar em primeira mão que o Mux A da TDT iria utilizar a norma MPEG-4. Ora, a PTC ganhou o concurso TDT no início de Junho de 2008 e a ANACOM só no final de Novembro de 2008 informou (que eu saiba só no seu site) quais os requisitos mínimos necessários para os televisores e receptores receberem a TDT portuguesa. Isto conhecendo a proposta da PTC (a única) desde Abril!

Nesta audição, todas as questões foram respondidas com ligeireza pela ANACOM, o que demonstra bem a falta de preparação relativamente aos assuntos em apreciação. Veja-se a questão das antenas, que possivelmente será tão ou ainda mais sensível que a questão das caixas adaptadoras. Até hoje a ANACOM não apresentou nenhuns dados quantificando quantas teriam de ser substituídas ou reorientadas. Como se não fosse uma questão fundamental para o planeamento do desligamento.

Sobre a rede TDT passou em claro a questão de a PTC, obrigada a completar a cobertura até 31/12/2010 ainda andar a montar antenas em Julho de 2011! Se calhar as antenas instaladas depois de 31/12 são uma demonstração de generosidade por parte da PT, que está a fazer mais do que aquilo a que ficou obrigada! 

E claro, há aquele pequeno pormenor que diz que o sinal analógico não deve ser desligado sem que o sinal digital esteja disponível há pelo menos um ano(1). Ora se a PT ainda andava a montar antenas em Julho… é fazer as contas.

E decide-se a questão do adiamento ou não do “switch-off” sem divulgar dados estatísticos?! Faltam 3 meses para o (suposto) inicio do “switch-off”. Quantos portugueses já migraram para a TDT? De três em três meses a ANACOM publica estatísticas sobre o serviço de televisão por subscrição (que naturalmente continua a registar crescimento). E sobre a TDT não há dados?! E ninguém pergunta porquê?

O presidente da ANACOM disse também que a PT não está obrigada a prestar esclarecimentos sobre TDT nas suas lojas. Reproduzo aqui um extracto de uma deliberação da própria ANACOM para que cada um tire as suas conclusões:

«Tendo sido verificadas algumas deficiências na informação disponibilizada pela PT Comunicações, S. A. relativamente à atribuição de subsídio à aquisição de equipamentos de recepção de emissões TDT por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, bem como à comparticipação em equipamentos e respectiva instalação nas zonas abrangidas por meios de cobertura complementar (DTH), em 26 de Maio de 2011 o ICP-ANACOM determinou à referida empresa que:
“1. Disponibilize, de modo imediato, nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT – nomeadamente, no portal de informação web TDT, nas lojas PT e no Contact Center –, informação clara, rigorosa e completa consonante com as obrigações acima referidas, passando a referir expressamente:
(a) os casos de subsidiação à aquisição de equipamentos por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, indicando (i) os valores aplicáveis, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a subsidiação; e
(b) a existência de comparticipação na aquisição dos equipamentos e nas instalações necessárias à recepção por meios complementares de TDT (DTH), indicando (i) os respectivos valores, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a comparticipação.
... »

Mas a defesa da PT foi mais além! O presidente da ANACOM defendeu também a aceitação do pedido de revogação dos Muxs B-F da TDT pela PTC apresentando justificações sem qualquer nexo! Vejamos:

Disse o presidente da ANACOM que a PT lançou o MEO devido ao atraso do concurso da TDT (paga) devido às complicações legais (recurso da Airplus). Ora, a PT lançou o MEO (em Cabo, IPTV e satélite) em 2 de Abril de 2008, dois meses antes de serem conhecidos os resultados dos concursos da TDT! Mais, em Janeiro de 2008 (antes do inicio da data de apresentação de candidaturas aos concursos TDT) a PT já havia informado(2) que iria lançar o serviço MEO Satélite em Abril. Parece-me que só a ANACOM aceitou as justificações da PTC, o que é, digamos… “estranho”.

O presidente da ANACOM reconheceu que o assunto é sério, mas foi evasivo nas respostas. No final da audição, ainda contou uma história com barbas tentando conquistar os deputados. Pois é, a mente por vezes prega-nos partidas, é que se tivesse sido o motorista do Sr a responder às questões que lhe colocaram, provavelmente ninguém iria mesmo notar a diferença!

Julgo que cada vez fica mais claro o porquê de termos a TDT que temos e porque está na situação em que está. Felizmente alguns politicos finalmente já perceberam o que está realmente em jogo com a introdução da TDT em Portugal e começam a colocar o dedo na ferida. Sinceramente, espero que o Governo não caia no erro de se “fiar” cegamente nesta ANACOM, ou sujeita-se a ter uma surpresa muito desagradável.

1) Resolução do Conselho de Ministros n.º 26/2009
2) PT lança televisão por satélite em Abril e 'ataca' TV Cabo, JN 25/01/2008

Videos da audição ao presidente da ANACOM (5 videos)

Video 1/5

Video 2/5

Video 3/5

Video 4/5

Video 5/5


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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Madeira tem Televisão Digital grátis desde 2004!

A ANACOM é a Autoridade Nacional das Comunicações e, como tal, deveria pautar-se pelo rigor da informação que divulga, o que infelizmente com demasiada frequência não tem sido o caso, como tenho vindo a alertar. Há poucos dias actualizou o seu “Guia TDT” e ainda bem. É que o mesmo continha informação incorrecta.

No “Guia TDT” e no jornal “Notícias TDT”, o presidente da ANACOM afirmava que com a TDT as regiões dos Açores e da Madeira pela primeira vez iriam receber gratuitamente todos os canais generalistas nacionais (RTP1, RTP2, SIC e TVI). Ora não é inteiramente verdade. Relativamente à Madeira isso só é verdade relativamente à recepção terrestre. É que na Madeira, desde 2004 que praticamente todos recebem gratuitamente os canais nacionais de televisão em virtude de um protocolo entre o Governo Regional da Madeira, o Governo da República, a Cabo TV Madeirense (actual ZON Madeira) e a própria ANACOM! Isto para suprir a ausência de emissões analógicas terrestres da RTP2, SIC e TVI.

Além de não pagarem mensalidade, todos os madeirenses tiveram direito a uma comparticipação de 50 Euros (por habitação) para custear o equipamento de recepção e a instalação. No Continente (com a TDT) a comparticipação tem um limite de apenas 22 Euros (para grupos desfavorecidos), mais 22 Euros no caso de recepção da TDT via satélite. Este protocolo já foi renovado e, pelo menos até ao final de 2011, os madeirenses têm garantido o acesso gratuito a todos os canais nacionais generalistas mais a RTP Madeira. Mas além dos 5 canais, os madeirenses recebem mais canais de forma gratuita (incluindo o Disney Channel!). Pergunto: se o protocolo se mantiver em vigôr e com uma oferta alargada de canais, quantos na Madeira irão mudar para a TDT com apenas 4 canais?

Sem querer colocar em causa o mérito da iniciativa, pergunto porque razão não têm todos os portugueses direito a condições idênticas? Nos Açores também só a RTP1 e a RTP Açores emitem em analógico. E há locais no Continente onde a recepção da televisão analógica sempre foi muito deficiente. Porque razão os portugueses que têm o “azar” de morar em zonas sem cobertura de sinal TDT, têm uma “ajuda” de apenas 22 Euros (ou 44 Euros nalguns casos) para a aquisição do kit TDT Complementar? E porque não é possível optar pela recepção via satélite como acontece em alguns países?

Mas os erros não se ficam por aqui. No próprio dia em que tornou pública a primeira versão do “Guia TDT” (em Maio), alertei para o facto da informação relativa à data do “apagão” analógico da zona litoral estar incorrecta. Isto porque o desligamento de importantes emissores como a Lousã, Monte da Virgem, Montejunto e Marão está programada para 26 de Abril de 2012 e não para 12 de Janeiro, como a informação da ANACOM fazia crer. O mesmo erro foi repetido no jornal “Notícias TDT” também da ANACOM. Dizia-se na primeira versão:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: Emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura da faixa litoral do território.

A informação foi agora finalmente corrigida (embora o mapa continue a induzir em erro) e pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental. (o negrito é meu).

Como diz o ditado: mais vale tarde que nunca.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Testemunho – compra do Kit TDT por satélite

Em Abril o Blogue TDT em Portugal anunciou a notícia da disponibilidade da opção TDT por satélite (DTH). Mas conseguir encontrar o kit TDT Complementar (designação oficial) tem sido tarefa quase impossível. Como alertei em Maio e Julho, em lojas PT Bluestore que deveriam fazer a venda deste equipamento e prestar informação sobre a TDT em geral, era impossível encontrar qualquer informação sobre a TDT. A propósito deste assunto, o Blogue TDT em Portugal recebeu do leitor Carlos Lourenço Ribeiro um testemunho interessante, que confirma as denúncias já publicadas e que, pelo manifesto interesse, decidi destacar. O texto em citação é do leitor e é publicado tal como foi recebido, sem qualquer edição.

«Após ter confirmado com a linha 800 que a zona/cód postal 4980-452 LINDOSO-Ponte da Barca estava considerada como uma zona de cobertura reduzida, e que portanto era elegível a atribuição do serviço DTH, desloquei-me pela primeira vez (desloquei-me cerca de 120KM) a PT bluestore de Braga/centro para fazer o levantamento do kit DTH. No local aquando do pedido da box para a DTH disseram-me que desconheciam em absoluto esta alternativa para a recepção da TDT, e sendo assim vim de lá sem o referido kit. Quase dois meses depois desloquei-me lá de novo (mais 120Km) e aí sim, primeiro tentaram-me vender o MEO SATÉLITE e depois quase ao fim de 2h a funcionária, com muitas dificuldades no preenchimento da aplicação informática PT interna, lá me conseguiu disponibilizar o famoso kit...

Na semana logo a seguir, fui á mesma loja PT fazer o levantamento de um novo kit para um familiar meu que tem mobilidade reduzida e que não tem meio de transporte próprio, e mais uma vez tentaram-me vender o serviço MEO SATÉLITE. Porém quando a mesma funcionária ia fazer a leitura do código de barras para libertar/vender o kit o sistema informático dava erro dizendo que não havia stock de boxes, mas na prática existiam na loja 7 boxes DTH. Sendo assim não foi possível me vender o kit e a funcionária disse-me que eu passa-se lá no dia seguinte e que o problema até lá seria resolvido. No dia seguinte desloquei-me novamente á loja (mais 120Km) e para espanto meu a funcionária disse-me que o problema afinal não estava relacionado com gestão de stocks mas sim que a zona/cód postal não era elegível para a entrega de uma box DTH porque no sistema o local tinha cobertura TDT e que para provar o contrario EU teria que pedir a deslocação de um técnico para ir ao local medir o sinal (deram-me o contaco de um técnico/parceiro da PT) sendo que esse serviço teria que ser pago por mim.

Resumindo, na semana anterior a morada/cód postal 4980-452 foi elegível para a venda da box, mas na semana seguinte na mesma loja e exactamente a mesma morada/cód postal 4980-452 já não era elegível a venda da box. E mais, por acaso estas duas habitações só estão distanciadas entre sí cerca de 150m.

Entretanto no local eu próprio liguei para a linha de apoio TDT para reclamar esta situação, e do outro lado e mais uma vez, disseram-me que nas duas bases de dados esse código postal era totalmente elegível para a venda da box e que portanto possivelmente a funcionária não estava a preencher correctamente os campos da aplicação informática PT interna. Sendo assim, a linha de apoio aconselhou-me a que eu me desloca-se a outra loja PT bluestore, a mais próxima Guimarães. Sendo assim lá me desloquei mais cerca de 60km e na PT de Guimarães o kit foi-me vendido sem qualquer problema informático ou de elegibilidade de cobertura.

Conclusão:

Tentativa para a aquisição do 1º kit DTH- deslocação de 120km mais meio dia de trabalho perdido.
Aquisição do 1º kit DTH 120km mais meio dia de trabalho perdido.
2 kit DTH 120km+ 60Km mais 1 dia de trabalho perdido, com a vantagem que os combustíveis estão baratos...

Finalmente lembro que nenhum destes dois kits MEO TDT relíquia vem activo, é necessário á posterior ainda ligar para a linha 808 e pedir a activação do mesmos, e ou um reforço do sinal porque o sinal recebido é débil.

Pelos vistos a ANACOM anuncia que a TDT portuguesa CONTINUA A SER UM CASO DE SUCESSO, e eu digo que a TDT portuguesa entregue á PT foi o maior erro que poderia existir, e prova disso é esta AUTENTICA PALHAÇADA que milhares e milhares de utilizadores denunciam á ANACOM e que a mesma nada faz para obrigar a PT a cumprir o contrato.»

Claro que este testemunho levanta várias questões. Por exemplo, como alertei em Abril, haverá inúmeros casos em que, apesar de se residir em zonas onde oficialmente existe cobertura terrestre, por algum motivo (um prédio ou um pinhal próximo no caminho do sinal) não há sinal suficiente para garantir uma recepção sem problemas. A acreditar no que a Sra funcionária da PT terá dito, terá que ser o interessado a pagar do seu bolso a avaliação do sinal por parte de um técnico colaborador da PT. Será mais uma despesa. E será possível comprar o kit satélite nestes casos? Recordo que ficou estabelecido na concessão da TDT que a recepção por meios complementares (satélite) não poderia ficar mais dispendiosa para o telespectador. Mas, como todos sabemos, em Portugal, mesmo o que fica escrito de pouco ou nada vale.

E assim vai a TDT portuguesa. Será que alguém no seu perfeito juízo acha que Portugal está preparado para desligar o sinal analógico? E não há responsáveis por este estado de coisas?

Pelo menos há finalmente confirmação de que o kit para receber a TDT por satélite está à venda.

20/09/2011:
Foto do receptor satélite do kit TDT Complementar. Trata-se de um normal receptor Meo Satélite Full HD sem DVR. Até o cartão de acesso é idêntico ao do serviço Meo satélite.

10/12/2011:
Um responsável da ANACOM informou que em breve o preço dos receptores satélite irá baixar para 40 Euros. Mais informação em: TDT PT VIA SATÉLITE.

07/01/2012:Já é oficial, o preço do kit TDT Complementar (1º receptor) baixou para 40 Euros (antes 55 após desconto).

27/01/2012:
A PT substituiu o receptor do kit TDT Complementar. Desde alguns dias é entregue um receptor da marca Samsung e sem o logotipo MEO. Ainda não disponho de mais informação mas a funcionalidade deverá ser idêntica à do receptor antigo.

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE O KIT TDT COMPLEMENTAR E RECEPÇÃO TDT VIA SATÉLITE

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sábado, 6 de agosto de 2011

Caos na TDT – Governo pondera adiar “apagão” analógico! (act.)

Segundo noticia o jornal Expresso, o Governo está a ponderar adiar o fim das emissões de televisão analógica vulgarmente designado "apagão" ou switch-off, atrasando a mudança definitiva para a televisão digital terrestre. Alegadamente, o adiamento pretende evitar que a compra de descodificadores coincida com o corte no subsídio de Natal. O inicio do fim das emissões analógicas de TV, está agendado para 12 de Janeiro de 2012.

Mas, e esta suposição não é do Expresso, é minha, esta não deverá a única razão para o adiamento. Como tenho vido a informar (e recentemente confirmado pela DECO), a PT não está a promover e informar os consumidores sobre a TDT nas suas lojas PT Bluestore. Nem as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, que supostamente o deveriam fazer. Isto terá levado o PSD a convocar o presidente da ANACOM para prestar esclarecimentos no parlamento. Também, tanto a SIC como a TVI recusam passar a próxima publicidade à TDT, com inicio previsto para Setembro/Outubro, o que poderá indiciar uma intenção de boicote, como avancei em Maio. E o baixíssimo número de consumidores que já mudaram para a TDT, também deverá ter pesado na (alegada) decisão, sobretudo se considerarmos que faltam menos de 6 meses para a data planeada para o inicio do “apagão” analógico.

A confirmar-se a notícia, esta decisão não surpreende. Há muito que era evidente o enorme atraso português na mudança para a TDT, um atraso impossível de recuperar até Janeiro de 2012, a tempo de ser possível realizar uma transição tranquila para a televisão digital terrestre. Isso mesmo tenho vindo a dizer no blogue TDT em Portugal desde Dezembro de 2010, quando afirmei que um adiamento de pelo menos 6 meses seria inevitável. Seja qual for a justificação invocada para o (alegado) adiamento, o falhanço do plano para a introdução da Televisão Digital Terrestre em Portugal é total! Falhou a informação, falhou a promoção, falhou a implantação da rede, falhou a (mísera) oferta de canais! Infelizmente, este triste resultado era expectável antes mesmo do arranque da TDT, porque a estratégia adoptada foi a errada e o plano foi pessimamente executado.

Veremos se o Governo irá aproveitar o (alegado) adiamento da TDT para introduzir as mudanças necessárias e tornar a TDT pelo menos atraente q.b. para acelerar a mudança ou, se cede aos interesses dos canais de televisão generalista e operadores de televisão por assinatura para que os seus interesses não sejam beliscados e tudo fique como antes, forçando porventura a novo adiamento dentro de alguns meses.

8/08/2011 (actualização):
O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou hoje que o Governo irá reunir-se a 8 de Setembro com a ANACOM, PT, RTP, Impresa (SIC) e Media Capital (TVI), afím de «fazer uma avaliação rigorosa e sensata» do projecto da TDT, após a qual tomará uma decisão. 

9/09/2011 (actualização):
A reunião decorreu ontem e teve a duração aproximada de 3 horas. Não há ainda qualquer novidade a reportar. No entanto, relativamente à questão do adiamento do "apagão" analógico, Francisco Pinto Balsemão (SIC) afirmou ao Jornal de Negócios que os operadores de televisão não pediram o adiamento do "switch off". Ora, o ministro Miguel Relvas havia dito que quando tomou posse foi contactado por operadores de TV que pediam o adiamento do "switch off". Um aparte: a ideia do Canal HD partilhado entre os operadores partiu de Francisco Pinto Balsemão. O Canal nunca emitiu nos moldes previstos, alegadamente devido à falta de acordo entre os operadores.

Quanto à falta de decisão a respeito do possível adiamento, não constitui surpresa, pois anunciá-lo agora atrasaria ainda mais o processo de migração para a TDT. Dado o enorme atraso de Portugal, o adiamento é muito provável mas só deverá será anunciado pouco antes do inicio da data prevista para o início do switch off. O que realmente interessa saber é se o Governo irá tomar medidas para acelerar o processo de migração, e se sim quais e quando, ou se vai esperar para a véspera do "switch off" para fazer alguma coisa. Informo ainda que o blogue TDT em Portugal enviou ao Sr. ministro Miguel Relvas uma exposição documentada da situação da TDT em Portugal, recordando também a petição pela emissão da RTP Memória e RTP-N na TDT em canal aberto.

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Comparativo TDT portuguesa / TDT espanhola

A comparação entre a Televisão Digital Terrestre portuguesa e a Televisão Digital Terrestre de outros países tem sido um tema recorrente no blogue TDT em Portugal. Seria impossível não assinalar a diferença colossal, particularmente entre aquilo que se oferece ao telespectador em Portugal e em outros países. Apesar de ter arrancado tarde e de terem falhado, tanto o 5º Canal como o Canal HD, os Governos (actual e anterior) nada fazem para alterar o impasse na TDT. Faltam poucos meses para o "suposto" inicio do encerramento das emissões de televisão analógica nos principais emissores e retransmissores e nada é feito para acelerar o processo de transição, apenas propaganda. As últimas estatísticas são de Novembro de 2010 e indicam uma taxa de adesão à TDT de apenas 1,1% dos portugueses sem serviço de televisão por assinatura.

Em muitas zonas de Portugal é possível receber a TDT espanhola e verificar as diferenças entre a TDT portuguesa e a TDT espanhola. Para além dos canais públicos e privados de cobertura nacional existem canais regionaiscanais locais e até piratas. Em muitas zonas do norte de Portugal é possível receber a TDT proveniente da Galiza, uma região com forte ligação ao nosso país. Eis um resumo que ilustra as diferenças entre a TDT portuguesa recebida no Continente e a TDT espanhola recebida na Galiza (zona de Vigo/Pontevedra) e em alguns locais do norte de Portugal.

(Clicar imagem para ampliar)
2/08/2011 (actualização):
A TVE realizou no dia 1/08/2011 a primeira emissão nacional em sinal aberto de televisão em 3D através da TDT. A emissão consistiu num espectáculo musical préviamente gravado. A seguir à televisão interactiva e à Alta definição a televisão pública espanhola continua a sua aposta na inovação tecnológica e dá agora os primeiros passos na televisão em três dimensões. E para breve a TVE promete também a estreia de um serviço de televisão multi-canal. Ao contrário de Portugal, a televisão pública do país vizinho trabalha para todos os cidadãos, prestando um verdadeiro serviço público, sem discriminações. Os interessados podem ler mais sobre a experiência 3D no site da própria RTVE, aqui.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Impacto da TDT no negócio dos operadores de televisão

Assista a estes interessantes videos que levantam o véu sobre o negócio da televisão em Portugal e o que pensam as televisões (neste caso a SIC) a respeito da TDT. Os videos são de apresentações realizadas durante as Jornadas de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (JEEC) do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que tiveram lugar em Março. A apresentação está a cargo de Francisco Balsemão da Impresa (SIC).

Chamo particular atenção para o segundo video que se foca na TDT. Neste video comprova-se a validade de muitos dos alertas, comentários e criticas que desde 2008 tenho feito no blogue TDT em Portugal:
  • os canais de televisão não têm interesse na TDT, por eles podia ficar tudo como está;
  • a TDT arrancou demasiado tarde;
  • o fim da televisão analógica interessa sobretudo aos operadores móveis;
  • esta TDT não traz grandes melhorias;
  • a oferta actual da TDT não cativa os consumidores, deveria emitir mais canais;
  • o pouco interesse da alta definição;
  • a alta definição, se for adoptada, não terá a qualidade máxima;
  • o impacto da necessidade de alteração das antenas não foi bem avaliado.

Video 1 (Publicidade)

Video 2 (TDT)

Video 3 (5º Canal)

Video 4 (Preço dos receptores)

As dificuldades para a implantação da TDT em Portugal são conhecidas. Infelizmente os políticos adiam a tomada de medidas que permitam colocar a TDT "nos eixos". Em vez de fazer algo pela TDT, a solução adoptada tem sido nada fazer e sugerir a adesão à televisão paga. É isso que subliminarmente se faz na actual publicidade e na "informação" que é distribuida pela ANACOM. Só quando não for possível adiar mais o problema e, se ainda restarem muitos telespectadores sem televisão por assinatura, os políticos irão tentar solucionar o problema. Até lá, M*O, Z*N, Cabo**são, e outros podem sorrir.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

ANACOM distribui jornal sobre a TDT

A ANACOM informa que durante a corrente semana irá proceder à distribuição nacional do jornal “TDT Notícias”, publicação gratuita editada por si e com o objectivo declarado de informar os portugueses sobre o processo de mudança para a televisão digital terrestre. O “TDT Notícias” será ainda distribuído juntamente com as revistas “TV 7 Dias” e “TV Guia”.

A edição electrónica do referido “jornal” já está disponível para consulta. Sem surpresa, mais do que informar, a referida publicação parece-me ser essencialmente um instrumento de propaganda da estratégia adoptada para a implantação da TDT em Portugal. Recordo que a estratégia que está  a ser seguida em Portugal fracassou em vários países por não ter em consideração as aspirações e interesses dos consumidores e obrigou ao relançamento da televisão digital terrestre.

A referida publicação repete a avaliação irrealista, já conhecida, dos processos de encerramento “piloto” de Alenquer e Cacém, apresentando mesmo números errados, como já referi em post anterior. Tal como chamei à atenção em Agosto de 2010, os retransmissores seleccionados para os desligamentos piloto abrangem zonas muito limitadas onde a taxa de adesão aos serviços de televisão paga é altíssima (93% no caso do Cacém). Apesar dos vários tipos de problemas retratados por algumas reportagens, esta autoridade insiste em classificar os desligamentos como um sucesso. Mas seria de esperar outra conclusão quando a ANACOM é juiz em causa própria?

A ilusão continua quando se aborda os adaptadores (receptores TDT) necessários para tornar a esmagadora maioria dos televisores compatível com a TDT portuguesa. A maioria dos equipamentos à venda não oferece uma qualidade global boa, o que nalguns casos pode mesmo comprometer a qualidade da recepção e/ou a comodidade na visualização dos programas.

A qualidade da informação ao consumidor sofre novo “rombo” quando mais uma vez se transmite a ideia (já corrigida pelo blogue TDT em Portugal) que o litoral do país ficará sem televisão analógica a 12 de Janeiro de 2012, omitindo que a maioria dos principais emissores que cobrem o litoral, só serão desligados a 26 de Abril de 2012, como é o caso do Monte da Virgem, Marão, Lousã e Montejunto, que abrangem uma área enorme.

De referir que a Anacom abriu também concurso para a impressão, embalamento e distribuição nacional do “Guia TDT” que deverá ocorrer entre 17 e 21 de Outubro.

Não irá portanto faltar papel na caixa do correio dos portugueses! Poderá é faltar “papel” na carteira de muitos, quando chegar a hora de comprar dois, três ou mais adaptadores e pagar a “actualização” da instalação de antena que muitos terão que fazer. Tudo para poder continuar a ver apenas e só aquilo que sempre se pode ver. O povo cala-se, terá o que merece...

Enviar toda esta papelada para quase todos os endereços de Portugal deverá custar muito dinheiro. Pena que a ANACOM não tenha destinado uma pequena verba para informar nas TV’s sobre a entrada em funcionamento dos emissores TDT ou da alteração da frequência da TDT. O blogue TDT em Portugal tem recebido vários pedidos de ajuda devido ao desconhecimento da alteração da frequência da TDT. Deixo aqui, a titulo de exemplo, o agradecimento de uma leitora que perante a perda do sinal recorreu ao blogue TDT em Portugal.

Boa noite,
Quem não percebe muito tem que pedir ajuda. Mas, felizmente alguém se lembrou de criar um blogue tão útil.
Se voltar a acontecer, vou ler o blogue da TDT.
Obrigada.
Edite

O "jornal" "TDT Notícias" pode ser consultado aqui.

16/09/2011:

A ANACOM parece ter finalmente aceitado que a informação relativamente ao switch-off na zona litoral do país não estava correcta (como venho alertando) e procedeu a uma actualização do Guia TDT. Pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012 (emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental).

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Televisão Pública: públicas virtudes, vícios privados

Como é do conhecimento público o novo Governo pretende privatizar a RTP, mais concretamente a RTP1. Para além da privatização da RTP1, foi noticiado que também as rádios públicas Antena 1, Antena 2 e Antena 3 seriam privatizadas. A privatização só deverá ocorrer pelo menos daqui a um ano, mas o tema é polémico e será certamente discutido até à exaustão. Possivelmente a privatização nem se concretizará, pelo menos neste moldes, mas a polémica está lançada.

Tenho sido crítico da RTP pela posição que tem assumido relativamente à TDT. Como já referi, as suas congéneres públicas europeias (RTVE, RAI, BBC, …) e de outros países receberam de braços abertos as potencialidades da televisão digital terrestre, melhorando o seu serviço público com mais canais temáticos de acesso livre a toda a população. Ao contrário, em Portugal, a televisão pública tem marginalizado completamente a TDT. Os operadores de televisão por assinatura continuam com o exclusivo de canais da RTP como é o caso da RTP Memória, RTP-N, RTP HD e do futuro RTP Música. Até as rádios públicas são emitidas codificadas no cabo e no satélite. Só a RDPi e a Antena 1 estão acessíveis livremente via satélite.

Não vou discutir se a privatização da RTP1 irá poupar dinheiro ao Estado. Desconfio que a poupança será muito pequena para o Estado mas a perda será significativa para os cidadãos. O canal que vier substituir a RTP1 será provavelmente algo semelhante ao que se propunha o projecto TeleCinco, que basicamente era uma cópia do Channel FIVE inglês. O que eu gostaria de assistir era a uma mudança na forma como a televisão pública é gerida! Como tenho referido em várias ocasiões, a televisão pública tem sido gerida em função de interesses privados, relegando para segundo plano o interesse do cidadão. Isso é inaceitável! Esta televisão pública tornou-se essencialmente num fornecedor de conteúdos para os operadores de televisão por assinatura e operadores móveis, oferecendo novos canais e serviços só disponíveis pagando.

Não sou contra a exploração de novas plataformas ou funcionalidades pela televisão pública, pelo contrário. Mas a prioridade da RTP deveria ser o serviço público universal, acessível a todos os portugueses, e não só a quem tem possibilidade financeira. Isso teria que passar pela aposta na TDT. Como já disse, a RTP tem possibilidade de disponibilizar a um custo reduzido para o Estado, em sinal aberto, os seus canais RTP Memória e RTP-N (classificados de interesse público!) na televisão digital terrestre. Em vez disso, opõe-se à sua emissão na TDT, contrariando aquilo que defendeu há bem pouco tempo e que já transcrevi em post anterior:

«A exemplo de outros países e das experiências mais recentes de TDT na Europa, o papel do serviço público de televisão (e concretamente as exigências em matéria de inovação e de cobertura universal de Portugal) pode ser decisivo para um switch-off mais rápido, quer através da qualidade e diversidade dos serviços de programas oferecidos, quer ainda pelo desenvolvimento de novos serviços ligados ao desenvolvimento da sociedade da informação (informação, educação, etc.).»

Até à data isto não passou de letra morta. Infelizmente, podemos concluir que a RTP tem sido usada por alguns gestores para enriquecerem o seu curriculum à custa do interesse público. Esta gestão lesiva do interesse público em benefício claro de algumas empresas privadas não seria possível sem a cumplicidade dos políticos e a ausência de escrutínio da sociedade em geral.

Como já afirmei em ocasiões anteriores, não acredito que dinheiro público não tenha sido utilizado para financiar RTP Memória, RTP-N e outros projectos só acessíveis a alguns. O que deveria estar sobre a mesa agora, em nome do interesse público, era pois, não a privatização da RTP, mas uma rigorosa inspecção pelo Tribunal de Contas e a avaliação imediata da gestão!

Com a anunciada privatização da RTP, creio que o médico se enganou no mal e passou a receita errada.

Actualização:
O Governo anunciou a criação de um grupo de trabalho para definir o conceito de serviço público na comunicação social. O grupo é coordenado pelo economista João Duque e conta ainda com: António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, Felisbela Lopes, Francisco Sarsfield Cabral, João do Amaral, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco. O ministro dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas garantiu que o grupo de trabalho não terá custos para o Estado. Os resultados deverão ser apresentados até Outubro.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

TDT: Apagão no Cacém deixou 1000 famílias sem televisão (act.)

Foi hoje concretizado o segundo “apagão” da televisão analógica portuguesa. Pelas 11h30m da manhã técnicos da PTC desligaram o retransmissor de televisão analógica do Cacém, que transmitia a RTP1, RTP2, SIC e TVI para as localidades de Cacém, Agualva, Belas, Massamá, Mira-Sintra, Rio de Mouros e S. Pedro de Penaferim. No ecrã dos televisores pode agora ver-se unicamente um aviso do encerramento das emissões. Nestas localidades, para continuar a ver os 4 canais com qualidade e sem pagar assinatura, só através da TDT.

Segundo informação da ANACOM (a entidade responsável), devido ao desligamento do retransmissor, cerca de mil famílias perderam acesso aos 4 canais de televisão. De acordo com dados avançados em Maio também pela ANACOM, estas mil famílias representam metade do total de famílias afectadas pelo desligamento do retransmissor do Cacém. Ou seja, metade dos residentes sem contrato de televisão por assinatura ficou sem televisão! O meu aviso relativamente à necessidade de retirar ensinamentos da experiência de Alenquer e tomar medidas de correcção, comprova-se que fez todo o sentido.

Metade dos cidadãos afectados pelo desligamento terem ficado sem acesso à televisão é inaceitável e prova evidente do falhanço da estratégia adoptada para a televisão digital terrestre portuguesa e que denunciei logo em 2008.

A “experiência” do Cacém, apesar de afectar um número relativamente baixo de habitantes, comprova, mais uma vez, que há muito a fazer para que os desligamentos previstos para 2012 decorram sem sobressaltos. E os políticos têm motivos para ficar preocupados! A desculpa que ouvi hoje do responsável máximo pela TDT é típica: nós fizemos tudo para informar as pessoas… Uma ova!

O processo de introdução da televisão digital terrestre em Portugal tem desde o inicio sido uma verdadeira anedota de mau gosto. Estava já mais que provado que é necessário motivar as pessoas para aderir à TDT. E isso só poderá acontecer introduzindo algo de valor para todos os cidadãos ou seja, aumentando a oferta de programas. Até o próprio director da RTP Memória já defende a disponibilização do canal em sinal aberto! Em 2009 fui o autor de uma petição que propunha isso mesmo: trazer a RTP Memória e a RTP-N para a TDT, à semelhança do que já aconteceu em inúmeros países.

É por esta TDT não trazer nada de substancialmente novo e ter custos elevados que a resistência em aderir é tão grande. Os portugueses têm toda a razão em estar de pé atrás, esta TDT é um mau "negócio" para a maioria dos cidadãos. È aliás, pelo facto da TDT portuguesa não trazer praticamente nada de novo, que a publicidade que passa na TV aposta no sentimento de perda para levar as pessoas a aderir. Ou seja, você com a TDT não ganha nada, mas se não aderir vai perder o que já tem! Com esta TDT ganham todos, menos o “vulgar” cidadão, como já expliquei em post anterior.

Terá então o Estado alguma moral para cortar desta forma o acesso à televisão, que para muitos é a única fonte de distracção? Não! Os residentes de Agualva-Cacém e localidades vizinhas são as cobaias inocentes, vitimas dum processo desgovernado, inquinado desde o inicio e sem final feliz à vista. Governo, regulador, operador da rede e canais de televisão são os principais responsáveis. Quando esta trapalhada terminar alguns dos intervenientes no projecto TDT deveriam pensar duas vezes se deverão ou não colocar no seu Curriculum a participação em tão mal concebido e executado plano. Eu teria vergonha.

Agora terão sido 1000 as famílias que ficaram sem televisão mas, a continuarmos com esta vergonha nacional e internacional chamada TDT portuguesa, daqui a alguns meses não serão mais mil famílias, serão largas dezenas ou centenas de milhar que ficarão sem televisão. Tenho esperança que impere o bom senso.

23/06/2011:
Sem surpresa e à semelhança do que aconteceu em Alenquer, a ANACOM afirma que a migração para a TDT no Cacém foi um sucesso. A ANACOM baseia a sua conclusão com dados obtidos no seu posto de atendimento, na linha telefónica da TDT e nas oito juntas de freguesia. Apesar de ter afirmado que 1000 famílias poderiam ficar sem televisão, segundo a ANACOM, no dia do "apagão" (16-06) foram "detectadas" apenas 120 famílias sem televisão. Portanto, quem ficou sem televisão e não se "queixou" a estas entidades não conta. Moral da história: quem cala consente!

Apesar de considerar que o processo foi bem sucedido, a ANACOM alerta para o facto de as pessoas deixarem para a última hora a resolução do problema. Mas será que é de estranhar que as pessoas adiem para a última hora a transição para a TDT quando, por exemplo, a rede de emissores, que deveria estar pronta desde o início do ano, continua em dito "reforço de cobertura"? E quando dos 25 adaptadores TDT "testados" (com o patrocínio da ANACOM) apenas 3 são considerados (à justa) com boa qualidade?

Como venho dizendo, a ANACOM, em vez de transmitir aos políticos (e ao público) uma avaliação realista do processo, insiste em prosseguir a sua política de fuga para a frente tentando fazer crer que tudo está bem, não havendo portanto motivos para questionar o processo. Em Janeiro de 2012 veremos se a táctica resulta.


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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Testemunho - alteração da frequência TDT

Como o Blogue TDT em Portugal tem destacado, decorre actualmente a alteração do canal de emissão da TDT, do canal 67 para o canal 56 da banda de UHF. Esta alteração advém da necessidade de desocupar a faixa 790-862Mhz que será mais tarde utilizada para serviços de banda larga móvel.

Como informado anteriormente, a Anacom fixou a data limite de 31/07 para a conclusão das alterações mas, segundo o calendário das alterações disponibilizado, os trabalhos deverão ficar concluídos até 21/06.

Estranhamente (ou talvez não), nem Anacom, nem PTC, nem as televisões avisam sobre o que se está a passar e assim sendo, muitas pessoas deixando de receber televisão, julgam tratar-se de algum problema técnico com os emissores ou com o seu sistema de recepção. Tenho recebido várias queixas e pedidos de informação.

A alteração da frequência começou de sul para norte e boa parte do país já está a receber a TDT no canal 56 (754000Khz). Enquanto se procede às alterações de frequência é normal em muitos locais receber-se a emissão nos dois canais (C67 e C56), porque se capta mais do que um emissor e ainda não foram todos alterados para a nova frequência.

Por exemplo, em vários locais dos distritos de Aveiro e Coimbra, consoante a orientação da antena, é possível receber o canal 56 mas também ainda o 67, porque o emissor de Águeda (zona industrial) ainda está a emitir no canal 67. Mais a norte no distrito de Aveiro deverá ser possível receber outros emissores ainda a emitir no canal 67.

A alteração da frequência de emissão implica o desligamento temporário do emissor enquanto se procedem aos ajustes necessários. Nos distritos de Coimbra e Aveiro o processo tem sido rápido, menos de 1h30m.

Temporariamente, a TDT portuguesa emite pois em duas frequências (mas mesmo conteúdo). Sabe a pouco comparado com as 13 frequências (com dezenas de canais de TV e rádio) que chego a receber da Galiza em dias de boa propagação! Outro país, outro Governo, outra mentalidade…



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terça-feira, 31 de maio de 2011

TDT: Anacom diz que PT não está a cumprir

Mais uma prova de que a introdução da TDT em Portugal não está a correr da melhor forma. Finalmente a Anacom reconhece que a qualidade da informação prestada pela PT a propósito da TDT apresenta várias deficiências. Assim:

«A ANACOM determinou à PT Comunicações (PTC), por deliberação de 26 de Maio de 2011, que corrija de imediato os incumprimentos de obrigações detectadas no âmbito da prestação do serviço de radiodifusão televisiva digital terrestre (TDT).
Em concreto, a PTC deve disponibilizar, de imediato, nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT – nomeadamente, no portal de informação web TDT, nas lojas PT e no Contact Center –, informação clara, rigorosa e completa em conformidade com as suas obrigações, passando a referir expressamente:
(a) os casos de subsidiação à aquisição de equipamentos por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, indicando (i) os valores aplicáveis, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a subsidiação; e
(b) a existência de comparticipação na aquisição dos equipamentos e nas instalações necessárias à recepção por meios complementares de TDT (DTH), indicando (i) os respectivos valores, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a comparticipação.
A PTC deve ainda alterar, de imediato, reflectindo essa alteração nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT, os requisitos documentais actualmente exigidos para a atribuição de subsídio à aquisição de equipamentos descodificadores de TDT, de modo a que:
(a) deixe de ser exigida a apresentação de cópia da declaração de rendimentos do requerente;
(b) deixe de ser imprescindível a indicação do NIB do requerente, podendo ser aceite, embora em casos excepcionais, indicação que possibilite que a subsidiação seja efectuada mediante procedimento distinto da transferência bancária, designadamente através de cheque ou vale postal, cessando nesses casos, naturalmente, a exigência de cópia do comprovativo de NIB; e
(c) seja aceite, para provar a morada do requerente, em alternativa a um dos documentos actualmente indicados no portal web, factura do gás ou de outros serviços de comunicações electrónicas.»

O Blogue TDT em Portugal tem vindo a alertar para a deficiente informação prestada ao público pelo serviço de apoio à TDT. E ainda no inicio do mês manifestei estranheza pelo facto de não ter encontrado qualquer informação sobre TDT em duas lojas PT BlueStore de Aveiro. As minhas criticas, confirma-se agora, faziam todo o sentido. Mas, segundo a minha experiência pessoal, devo dizer que a informação prestada pelo serviço de apoio (linha telefónica) melhorou bastante desde 2010. Ainda há alguns meses os operadores, afirmavam desconhecer que a TDT também ficaria disponível por satélite!  

Mas a própria Anacom não está isenta de críticas, muito pelo contrário. Alguma da informação prestada pela Anacom é incorrecta (ou mesmo errada) e, naturalmente, pode induzir em erro. Exemplos:
  • O administrador da Anacom para a TDT afirmou em Fevereiro que a cobertura do país ficou pronta no final de 2010. O Blogue TDT em Portugal tem avançado noticias da instalação e entrada em funcionamento de emissores muito para além da data limite concedida à PTC. Noticias confirmadas ainda recentemente pela própria PTC;
  • O Guia TDT a ser distribuido, informa mal quando serão desligados os emissores, como alertei oportunamente;
  • E eu, tal como muitos outros cidadãos, continua-mos a aguardar resposta a questões colocadas à Anacom há vários meses! As respostas, quando chegam, vêm tarde e normalmente não respondem ao que se pergunta.
Por muito poucos telespectadores que a TDT tenha, porque não há informação nas TV's sobre a mudança a nível nacional da frequência da TDT? Quem já depende da TDT não merece um aviso ou explicação?

Com tantas falhas na informação ao consumidor será que é de estranhar que, a menos de 7 meses da data marcada para o inicio do desligamento dos principais emissores de televisão, tão poucos tenham ainda feito a transição para a TDT?

Já entrámos no jogo do empurra, face aos resultados (e consequências) previsíveis que se avizinham. Infelizmente, alguns ainda teimam em enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que tudo corre bem. Em Janeiro, se não antes, veremos quem tem razão.

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sábado, 28 de maio de 2011

Emissor da Lousã já emite TDT!

Tal como o Blogue TDT em Portugal adiantou a 5 de Maio, entrou em funcionamento no dia 25 de Maio um emissor de TDT na Serra da Lousã (Trevim). O emissor TDT está localizado no mesmo local onde há dezenas de anos funcionam os potentes emissores de rádio e televisão que dão cobertura a uma vasta zona do Centro e Norte de Portugal.

O emissor emite já no canal 56 de UHF (754000 Khz) e de acordo com a PT, dará cobertura outdoor (recepção com antena exterior) da zona centro, distrito de Coimbra. Não há ainda pormenores deste emissor mas, tal como o Blogue TDT em Portugal informou no dia 5 de Maio, é previsível que a potência de emissão seja relativamente baixa (< ou = a 100 Watts) e com restrições à emissão ou seja, não deverá emitir em todas as direcções.

A entrada em funcionamento do emissor da Lousã (Trevim) é mais um dos muitos exemplos da desinformação levada a cabo pelas entidades envolvidas na implantação da TDT portuguesa. Ainda em Junho de 2010 a PT havia informado que não estava planeado qualquer emissor TDT para a Lousã.

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Tal como o Blogue TDT em Portugal tem informado, a rede de emissores TDT ainda não está terminada, ao contrário do que estava estabelecido na licença de utilização do Mux A concedida à PTC e ao contrário do que o administrador para a TDT da Anacom havia informado.

Agora é a própria Portugal Telecom que afirma que continua a reforçar a rede de emissores TDT no território nacional:

Apesar de já ter sido ultrapassada a meta de cobertura TDT no território nacional no final de 2010 (mais de 87% da população coberta com TDT e a restante população com TDT Complementar via satélite), a Portugal Telecom continua a reforçar a rede, tendo entrado em funcionamento mais um emissor TDT:

Padrela (41°33'44.93"N; 7°31'0.81"W) - cobertura outdoor da região de Valpaços e de Vila Pouca de Aguiar.

O emissor de Padrela emite o sinal digital no canal 67 da banda UHF (838-846 MHz). Está prevista a alteração de canal deste emissor no dia 13 de Junho. A partir dessa altura deverá sintonizar o seu equipamento no canal 56 da banda UHF (750-758 MHz).

Já em 2 de Maio a PT havia informado da entrada em funcionamento de 4 novos emissores. A noticia da entrada eminente em funcionamento do emissor da Padrela foi dada pelo Blogue TDT em Portugal em 5 de Maio.

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Em Dezembro de 2010 comentei que, devido à baixíssima adesão à TDT, a tão pouco tempo das datas definidas para o switch-off analógico, o adiamento do encerramento das emissões analógicas seria inevitável. Pois bem, agora praticamente em Junho de 2011, há novos factos, que a meu ver tornarão o adiamento quase certo.

A situação pouco evoluiu desde o inicio do ano quando se soube que apenas 1,1% dos portugueses sem serviços de televisão paga tinha aderido à TDT. Esta situação era perfeitamente previsível, dadas as opções que vêem sendo tomadas e que tenho insistentemente criticado desde a primeira hora. Como afirmei em Dezembro de 2010, será impensável que tanto aos canais de TV (RTP, SIC e TVI) fiquem sem boa parte dos seus telespectadores, como que os telespectadores fiquem sem acesso aos seus canais de TV. O custo político seria enorme e nenhum Governo com o mínimo de bom senso permitiria que tal acontece-se!

Vaticinei o adiamento do fim das emissões analógicas ainda antes de ser conhecido o adiamento dos encerramentos piloto. Desde então novos desenvolvimentos tornam o adiamento do desligamento dos principais emissores cada vez mais provável.

De acordo com o plano para a cessação das emissões analógicas, um emissor não poderá ser desligado sem que a população abrangida seja servida há mais de um ano por emissões de televisão digital terrestre. Como o Blogue TDT em Portugal tem informado, a rede de emissores, que deveria ter ficado completa até 31/12/2010, ainda não está terminada. Só este facto justifica um adiamento de pelo menos 6 meses na data do desligamento dos emissores analógicos. Talvez por esse motivo o administrador da Anacom responsável pela TDT tenha afirmado que a rede TDT ficou pronta em 2010, quando o Blogue TDT em Portugal tem demonstrado que não ficou.

Recordo que a CPMCS (que agrega os operadores de TV) também já teceu criticas quanto ao andamento da TDT. Mas talvez o mais preocupante é o facto da TVI (Media Capital) estar aparentemente a assumir uma posição de ruptura com o regulador (e o Governo). Tanto assim que a publicidade à TDT não passa na TVI!

Mais, a Media Capital ainda detém uso de uma rede própria de emissores de televisão analógica (RETI), apesar de ter negociado a sua alienação à PT pouco antes de abrirem os concursos para a TDT. A rede de emissores é gerida pela PT, mas continua propriedade da Media Capital (dona da TVI) e só após o desligamento analógico passará a ser propriedade da PT. Não conhecendo os termos exactos do negócio, não é de excluir a possibilidade da TVI ter acautelado a sua posição e decidir boicotar o desligamento analógico, continuando a emissão em analógico, caso entenda que não estejam reunidas todas as condições para o encerramento das emissões em analógico. Embora remota, a possibilidade do negócio não se concretizar está prevista no contrato. Se a TVI decidir boicotar os desligamentos, SIC e RTP iriam atrás. Seria o mais claro sinal do fracasso da “estratégia” de implementação da televisão digital terrestre em Portugal.

Tal como já comentei, recordo que ao contrário do que alguns responsáveis pretendem fazer crer, não existe obrigação de Portugal encerrar as emissões de televisão analógica em 2012. Existe apenas uma recomendação da Comunidade Europeia. E, apesar da maioria dos países europeus ter decidido encerrar as emissões de televisão analógica até 2012, nem todos o irão fazer. Como já comentei, a Polónia decidiu só encerrar as emissões analógicas até 31/07/2013. Só em Junho de 2015 desaparece a protecção às emissões analógicas, ou seja, as emissões analógicas, se necessário, poderiam prolongar-se até 2015. Claro que isso não irá acontecer pois o Estado tem pressa em libertar espectro para leiloar e os operadores de telecomunicações têm pressa em utilizá-lo para ganhar dinheiro. Só não houve pressa em arrancar a sério com a TDT oferecendo de facto alguma coisa em troca ao consumidor!

Dado o baixíssimo nível de adesão à TDT, ou o futuro Governo trata de aumentar a oferta de canais (como tenho reclamado e já deveria ter acontecido há anos), ou ver-se-á obrigado a custear a 100% o custo dos adaptadores TDT. De qualquer forma, o adiamento do desligamento das emissões analógicas em pelo menos 6 meses parece ser um dado adquirido.

27/07/2011:
Confirma-se a recusa da TVI em participar na campanha de "publicidade" da TDT, tal como referi em 28 de Maio.
Agora é o jornal Correio da Manhã que noticia o facto da TVI não ter participado na primeira campanha publicitária que se iniciou em Março. O jornal afirma ainda que, segundo a ANACOM, apenas a RTP aceitou participar em futuras campanhas. A campanha de publicidade à TDT nas TV's foi planeada para duas fases, estando previsto que a segunda fase arranque em Setembro ou Outubro. A mensagem desta segunda fase será a obrigatoriedade da mudança.

3/10/2011:
A ANACOM ou o Governo terão conseguido convencer a TVI e a SIC a passar a segunda campanha de publicidade à TDT nos seus canais. Os spots publicitários estão a passar (pelo menos) na RTP1, SIC e TVI.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

TDT: falta de cobertura mobiliza freguesias do norte (act.)

O sinal da Televisão Digital Terrestre portuguesa não chega a muitas zonas do país. Além da falta de cobertura, a maioria dos leitores do Blogue TDT em Portugal considera o sinal TDT fraco. Nas zonas sem cobertura terrestre, a única opção para continuar a receber a RTP1, RTP2, SIC e TVI após o fim das emissões analógicas (marcado para 2012), será o recurso ao satélite, mas com custos muito superiores à da recepção terrestre. Como o Blogue TDT em Portugal já informou, uma instalação típica para receber a TDT por satélite poderá facilmente ultrapassar os 200 Euros.

Esta discriminação vai contra o que foi estabelecido na licença de exploração da TDT, que prometia que quem tivesse que recorrer à recepção via satélite não teria custos acrescidos. Além disso, o kit para a recepção via satélite (TDT Complementar) ainda não está disponível, o que também contraria o que está estabelecido na licença de exploração da TDT, que obrigava o operador (PTC) a chegar a 100% da população até 31/12/2010.

Recorde-se porém que, apesar do responsável da Anacom pela TDT ter dito* que a cobertura terrestre ficou pronta em 2010, a linha de apoio da TDT tem informado que a cobertura terrestre ainda será reforçada durante o corrente ano, informação aliás confirmada pela recente entrada em funcionamento de quatro novos emissores. 

Mas, perante a confirmação da Portugal Telecom de que não seriam instalados emissores TDT para cobrir a zona compreendida entre o concelho de Viana do Castelo e o Concelho de Caminha, as autarquias afectadas pela decisão protestam contra aquilo que consideram ser uma discriminação. Para o efeito foi criada uma petição e decorre a recolha de assinaturas nas freguesias alegadamente afectadas: Areosa (norte), Carreço, Afife, Vila Praia de Âncora, Âncora, Vile, Freixieiro de Soutelo, Riba de Âncora, Amonde, Gondar, Orbacem, Dem e São Lourenço da Montaria, com uma população estimada em mais de 15700 habitantes.

É sem dúvida "bom sinal" que os cidadãos e autarcas da região não tenham esperado pela Hora H, como infelizmente é tipico no nosso país, para lutar contra o que consideram tratar-se de uma discriminação.


* «instalação da rede, coberturas, está tudo montado», «as obrigações de cobertura da totalidade do território…foi concluído até ao final do ano passado» Eduardo Cardadeiro Administrador da Anacom em entrevista ao programa Falar Global da SIC Notícias a 21/02/2011.

22/06/2011:
De acordo com notícia do JN, a pedido da Anacom, haverá uma reunião com os 13 autarcas no dia 27 de Junho.

29/06/2011:
Segundo informação recebida de um participante na reunião, a Anacom irá propor à PT que o dinheiro a ser gasto em sistemas de satélite para esta região possa ser investido em micro coberturas.

20/09/2011:
Segundo notícia do JN, Arlindo Sobral, autarca de Afife, às 13 freguesias de Viana de Castelo e de Caminha que terão que pagar mais para ter acesso à TDT, juntam-se 21 freguesias de Paredes de Coura, que representarão mais de 10 mil habitantes. O autarca de Afife afirma ainda que a sua freguesia tem nos últimos meses sido alvo de uma campanha de venda que classificou de agressiva por parte dos operadores de televisão por subscrição. Dada a ausência de respostas, os autarcas escreveram ao ministro dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas. Também o deputado socialista eleito por Viana do Castelo Jorge Fão, questionou o Governo sobre o futuro da TDT no Alto Minho.

19/11/2011:
O protesto contra a falta de cobertura do sinal TDT cresce. Agora é Vale do Mouro, concelho de Monção que se juntou ao protesto. Entre as zonas sombra de Monção estão as freguesias de Abedim, Merufe, Podame, Riba de Mouro, Segude e Tangil que se juntam aos protestos de freguesias dos concelhos de Viana do Castelo, Caminha e Paredes de Coura.

Dada a ausência de progressos na resolução desta situação, a Câmara Municipal de Monção ameaça com boicote à Portugal Telecom por parte da autarquia local e das freguesias mais afectadas. Segundo Augusto Domingues, vice-presidente da Câmara Municipal de Monção, isso passará pela rescisão de todos os contratos com os operadores da empresa. A autarquia convocou um representante da PT para uma reunião e, caso não haja desenvolvimentos, a instauração de uma providência cautelar é outra das possibilidades em aberto. A Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima mostrou-se disponível para ajudar na luta.

28/12/2011:
A novela TDT continua. Agora é um grupo de autarcas da região da Serra da Estrela que se reuniu hoje com os partidos da oposição para alertar os deputados para o facto de (segundo os mesmos) existir um milhão e 300 mil pessoas no interior do país que, a partir de 12 de janeiro, quando for desligado o sinal analógico de televisão, vão ficar sem acesso aos quatro canais generalistas por problemas financeiros. O vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Francisco Rolo, considera que este é, antes de mais, um problema social e apela à suspensão do processo de transição para a Televisão Digital Terrestre até que seja encontrada uma solução técnica para substituir os actuais retransmissores analógicos e manter a mesma taxa de cobertura da rede analógica (98%).

20/01/2012:
Alegadamente a PT terá apresentado uma proposta à Câmara de Vouzela no valor de 90000 Euros, para a instalação de três pontos emissores de micro cobertura a povoações do concelho.

20/01/2012:
Monchique - Depois de a Camara municipal de Monchique ter reagido à falta de cobertura TDT na sede do concelho, a PT terminou hoje a montagem de um pequeno emissor no sítio dos Montinhos (encosta da Picota), onde já existiam os emissores analógicos para servir a vila. Informação recebida de um leitor.

24/01/2012:
A Junta de Freguesia de Orbacém (Caminha), instalou na localidade um retransmissor que permite que os canais da TDT portuguesa cheguem a toda a freguesia. O investimento de cerca de 7000 Euros adaptou o repetidor analógico já existente e garante que o sinal chega aos cerca de 300 habitantes de Orbacém, a parte das freguesias de Gondar e a Amonde e Freixieiro de Soutelo, já pertencentes a Viana do Castelo. Informação recebida de um leitor e publicada pela Radio Geice FM.

16/02/2012:
Foi hoje instalado um emissor TDT em Montedor (Carreço) e um retransmissor em Vila Praia de Âncora. A faixa costeira entre Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora fica agora com cobertura terrestre TDT graças ao protesto das populações que durante um ano contestaram a ausência de cobertura (lêr inicio deste post). Com a instalação deste emissor e retransmissor pelo menos sete freguesias deixam de estar em zona de sombra do sinal TDT. A informação foi recebida de um leitor do blogue e divulgada pela Radio Geice FM que adianta que também o Concelho de Monção irá ser contemplado.

22/02/2012:
Monção - Entrou em funcionamento um emissor TDT em Podame. Este emissor vem no seguimento dos protestos da população local (ver actualização de 19/11/2011), porque com o desligamento em breve do emissor analógico de Podame ficaria sem acesso à televisão portuguesa por via terrestre, pois o sinal terrestre da TDT não chegava à zona.

14/05/2012:
Mirandela - A RTP passou uma reportagem ontem, dia 13 de Maio, onde é denunciada a falta de cobertura TDT no Concelho de Mirandela. Segundo um responsável da C.M. de Mirandela, 80% do território de Montalegre está em zona TDT Complementar, obrigando à instalação de antena parabólica. Lamentavelmente, antes da reportagem ser emitida, o apresentador do Jornal da Tarde da RTP informou erradamente que essa situação obrigaria a aderir à televisão paga. É falso! A TDT Complementar (por antena parabólica) não obriga a contrato de adesão com um operador de televisão paga. No blogue TDT em Portugal encontra toda a informação sobre a TDT Complementar e a possibilidade de obter comparticipação à aquisição e instalação dos equipamentos.Clique aqui para assistir à reportagem.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

TDT: apagão em Alenquer exige reflexão

O apagão analógico em Alenquer foi há poucos dias, mas já é possível retirar algumas conclusões e lições para o futuro. O Blogue TDT em Portugal recebeu vários testemunhos de profissionais e habitantes de Alenquer que ajudam a compreender como decorreu realmente a primeira experiência de passagem da televisão analógica para a televisão digital.

Tal como tinha previsto, o “apagão” analógico em Alenquer afectou um número reduzidíssimo de telespectadores (300 familias segundo um responsável do Governo). Segundo um instalador local, a zona afectada foi unicamente a parte mais baixa da Vila de Alenquer e só de um lado da encosta e mesmo assim, nem todos deixaram de receber a televisão analógica. Apesar de ter um emissor analógico dedicado, a maioria da população da vila não tem as suas antenas para lá orientadas porque o mesmo não emite a TVI. A maioria dos residentes tem as antenas orientadas para o emissor de Montejunto e não foram portanto afectados pelo desligamento do emissor de Alenquer.

A falta de informação e confusão foram evidentes. Na véspera do desligamento do sinal analógico muitos residentes, quando entrevistados, ainda desconheciam o que é a TDT! Outro instalador da zona informou o Blogue TDT em Portugal que recebeu incessantemente telefonemas, até altas horas, de pessoas residentes em aldeias do concelho não afectadas pela mudança, convencidas que iriam ficar sem televisão no dia 12. Claramente, a informação correcta não chegou aos destinatários. Parece não ter havido o cuidado de informar as pessoas de que quem recebia o sinal proveniente do emissor de Montejunto não seria afectado. O “ataque” cerrado de agentes de operadoras de televisão paga, que começaram o seu “trabalho” bastante tempo antes de arrancar a campanha da Anacom, também não deverá ter ajudado.

Outro aspecto que ficou evidente é a falta de qualidade das instalações de antena existentes em casa de muitos telespectadores. Tanto a Anacom como a PTC têm desvalorizado este problema, fazendo passar a ideia que para receber a TDT basta trocar de televisor ou comprar um receptor TDT e ligá-lo. Quem anda no terreno sabe que em grande medida, em boa parte do país, isso não passa de pura ficção! Há imensos casos em que a televisão analógica não se recebe bem, porque simplesmente as instalações estão mal feitas ou estão deterioradas. E há de tudo: utilização de antenas desadequadas, antenas mal orientadas, má utilização de amplificadores, etc. Muitos telespectadores nem sequer sabem de que emissor recebem o sinal, como aliás ficou evidente em Alenquer!

Na grande maioria destes casos, a passagem para o digital vai tornar ainda mais evidentes essas deficiências, mais ainda devido ao tipo de rede DVB-T utilizada no Continente e as consequentes limitações da potência de emissão a que obriga.

Apesar de afectar uma quantidade mínima de telespectadores, a experiência piloto de Alenquer serviu para desmentir a ilusão criada por alguns de que tudo corre bem com a implantação da televisão digital terrestre em Portugal. Se não forem tomadas medidas rapidamente, quando se iniciar o encerramento dos grandes emissores, que naturalmente afectam muitos milhares de telespectadores, será a confusão generalizada. Quem disser o contrário estará a dourar a pílula.

O próximo desligamento da televisão analógica terá lugar a 16 de Junho em Agualva-Cacém, uma zona onde também é possível captar emissores analógicos alternativos.

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