segunda-feira, 10 de junho de 2019

Alterações à rede TDT começam no Outono

Uma nova alteração à rede de TDT está planeada para começar no quarto trimestre de 2019. A alteração consiste na alteração do canal utilizado para difundir o MUX A da Televisão Digital Terrestre em rede SFN (rede de frequência única).

Porquê alterar o canal de emissão?

Por disposição da União Europeia será necessário libertar as frequências acima de 700Mhz até Junho de 2020 (o chamado dividendo digital II). Tal significa que os emissores de TV que utilizem frequências acima de 700Mhz terão que migrar para um canal de emissão inferior aos 700Mhz.

Dos vários Muxes inicialmente previstos em 2008, o MUX A, o que difunde a RTP1, RTP2, RTP3, SIC, TVI, RTP Memória e ARTV, foi o único que viria a ser utilizado. O MUX A utiliza duas redes, uma (principal) de frequência única (SFN) que utiliza o canal 56 (frequência 754Mhz) em todo o território do Continente e uma rede "complementar" de frequências múltiplas (MFN).  

Como a rede SFN utiliza uma frequência acima dos 700Mhz será necessário alterar o canal de emissão. Já a rede "complementar" que foi activada a partir de 2012 devido às graves deficiências da rede SFN, ao contrário da rede SFN, já utiliza canais com frequências abaixo dos 700Mhz.

Quando ocorrerá a migração?

O início da migração está previsto para o quarto trimestre de 2019 e deverá terminar em Maio de 2020. De notar que não está excluído um possível adiamento até 2022. Essa possibilidade é contemplada pela União Europeia e inclusivamente defendida pelo operador da rede de TDT. O mapa seguinte contém o cronograma da migração.


Espera-se que a ANACOM e/ou o operador da rede de TDT (MEO) divulgue atempadamente informação adequada. Nomeadamente o dia e a hora em que em cada região ou emissor se procederá à alteração do canal de emissão.

Quem será afectado pela migração?

Quem recebe a TDT através do canal 56 (frequência 754Mhz). Apesar de existir a emissão em rede complementar (MFN), esta rede ainda dispõe de poucos emissores e muitos espectadores ainda dependem da rede SFN (canal 56).

Como será feita a migração?

A migração ocorrerá de forma faseada por regiões e de Norte para Sul. Açores de Madeira serão as últimas regiões a migrar. No total a migração de frequência abrangerá cerca de 240 emissores.

A ANACOM optou pela opção com menos custos para o Estado, decidindo não impor um período de simulcast (ao contrário do que propus em consulta pública). Assim sendo, em cada região, a emissão no canal 56 será desligada até as alterações estarem concluídas. Isso implica que quem recebe a TDT através do canal 56 (C54 nos Açores e Madeira) ficará temporariamente sem sinal. Uma vez concluída a alteração do canal de emissão os emissores serão ligados no novo canal de emissão que será o canal da rede MFN atribuído à respectiva região e os telespectadores terão que efectuar uma pesquisa de canais para voltarem a receber os programas.

Na prática, trata-se da ampliação da rede MFN à custa da eliminação da rede SFN. No final passarão a existir várias SFN's de menor dimensão.

Quanto tempo durará a interrupção?

Nada a este respeito foi ainda esclarecido. No entanto é previsível que a interrupção da emissão (no pior cenário) possa durar até um par de horas enquanto os emissores são reconfigurados para a nova frequência. É igualmente previsível que posteriormente à alteração da nova frequência a emissão sofra pequenas interrupções para que se proceda a ajustes.

Será necessário comprar um receptor novo?

Não. Não haverá alteração das normas de emissão, continuando a utilizar-se o DVB-T MPEG-4 (H.264/AVC), pelo que os equipamentos actualmente utilizados estão aptos a receber a emissão na nova frequência devendo apenas ser necessário realizar uma pesquisa de canais.

Como receber a nova frequência?

Quem actualmente recebe a TDT através do canal 56 (frequência 754Mhz) deverá efectuar uma pesquisa de canais no canal atribuído à sua região de residência de acordo com o mapa e na data que vier a ser anunciada. 

Como infelizmente tem sido a norma, a ANACOM é parca em informações não fornecendo dados muito pertinentes quer para o público quer para os profissionais. Por exemplo, se as alterações aos emissores se ficam pela alteração da frequência ou poderão contemplar outras alterações, como a alteração da potência de emissão e/ou o diagrama de radiação de alguns emissores. É que se as alterações não se limitarem à alteração do canal de emissão nalgumas situações poderá ser necessário proceder à reorientação das antenas de recepção.

Espera-se que a ANACOM e/ou o operador da rede de TDT (MEO) divulgue atempadamente informação adequada. Nomeadamente o dia e a hora em que em cada região ou emissor se procederá à alteração do canal de emissão.

O sinal TDT vai melhorar?

Para quem recebe a TDT através do canal 56 (rede SFN) é previsível que o sinal melhore. No entanto, para quem actualmente sintoniza os canais da rede complementar (MFN), tal como alertei em consulta pública em 2013, a qualidade de emissão poderá piorar comparativamente à rede MFN actual: 

«A solução adoptada para a rede TDT não é isenta de riscos
Alerta-se o regulador para o facto da decisão de transformação da rede SFN nacional em MFN’s de SFN’s não constituir solução para todos os problemas de recepção do sinal TDT. As dificuldades de recepção têm causas múltiplas já abordadas pelo blogue TDT em Portugal e não são apenas consequência de fenómenos de propagação. Devido ao tamanho das áreas
MFN definidas e porque no seu interior continuam em operação redes SFN, continuam a impor-se especiais precauções quanto à potência dos emissores, diagramas de radiação e sincronismo (offset temporal). É essencial que as simulações de cobertura utilizem modelos de propagação adequados aos sites e respectivas áreas de serviço, salvaguardando todas as condições de propagação. A não observância destas precauções teria consequências nefastas pois desaparecerá a rede (alternativa) MFN “pura” e continuariam os problemas de recepção associados à utilização de rede SFN. » - Em Resposta ao Projecto de Decisão da Evolução da rede de TDT – Abril/2013

Isto porque a rede MFN actual ainda utiliza poucos emissores na mesma frequência, limitando o potencial de auto-interferência e instabilidade da rede. Se a ampliação da rede MFN não for cuidadosamente planeada (não ditada por critérios economicistas) poderão voltar a ocorrer problemas de recepção, tal como acontece com a rede SFN.

E os novos canais?

Estão há muito prometidos dois novos canais privados na TDT, um canal de desporto e outro de informação. Estes canais estão sujeitos a concursos que têm sido sucessivamente prometidos e adiados, situação que se arrasta desde 2016.

Mais do mesmo?

A migração para a TDT foi um escandaloso desastre. Os alertas (o blogue TDT em Portugal fez vários) foram ignorados e as evidências negadas. Uma vergonha nacional! Mal planeada e mal executada, a migração falhou em quase tudo. Falhou o sinal, falhou a oferta de canais (ainda se recordam do Canal HD às escuras?), falhou a certificação de equipamentos, falhou a divulgação e informação à população e falhou a subsidiação dos custos de migração. Tudo isto contribuiu para que muitos desistissem da TDT e encheu os bolsos dos operadores de TV por subscrição. 

Estamos a poucos meses da data planeada para se iniciar a nova migração e o regulador ainda não informou como a migração irá ser comunicada à população. É um mau presságio! 

Que futuro para a TDT?

Tal como tendo afirmando desde 2009, em Portugal a TDT foi sabotada. A plataforma foi deliberadamente enfraquecida e marginalizada desde o inicio. O operador público cedo esqueceu as suas obrigações e deixou na gaveta os seus planos para a melhoria da oferta de canais temáticos.

Só a pressão pública (liderada pelo blogue TDT em Portugal) conseguiu que a RTP 3 e a RTP Memória chegassem (muito tarde) à TDT. Os operadores privados já instalados não estão interessados no aumento da oferta de canais e apenas em pagar o menos possível pelo sinal (como previ em 2013) e o interesse de novos operadores esmorece perante os obstáculos criados. 

Não menos desencorajador é o facto de a ANACOM ter encomendado um estudo sobre a viabilidade do aumento da oferta de canais na TDT à empresa que audita os grupos donos da SIC e da TVI

Como também alertei em 2014, o próprio operador da rede de TDT (MEO) comunicou que não pretende continuar a prestar este serviço para além de 2023, ano em que termina a obrigação contratual. 

O futuro da TDT em Portugal está pois longe de estar assegurado.


DIALOGO DE SURDOS (actualização 27/07/2019)
Quando escrevi este texto (inicio de Junho) era já evidente que Anacom e a Altice (MEO) não estavam "sincronizadas" (para não variar) a respeito deste assunto. Cerca de um mês após ter publicado este post ocorreu a primeira reunião do grupo de trabalho para a migração da TDT. Agora, mais um mês passou e o desentendimento não só persiste como parece ter-se agravado.

A Altice afirma que os trabalhos para a migração de frequência estão atrasados, não acredita que o processo esteja a ser bem conduzido, que o prazo previsto é insuficiente e que deveria ter-se optado por um período de simulcast (como defendi em consulta pública). 

As críticas têm razão de ser pois já só faltam cerca de três meses para a suposto inicio das alterações e a Anacom ainda não deu a conhecer o plano detalhado ao público nem (mais grave) à Altice. Lamentavelmente, o regulador parece alheio ao facto de que o operador da rede necessita planear os trabalhos com antecedência, pois normalmente este tipo de operação envolve a contratação de técnicos e pode eventualmente também requerer a aquisição de equipamentos. Entretanto, afirmou que não será necessário os telespectadores reorientarem as antenas de recepção.

A trapalhada da TDT portuguesa continua. Como sempre, quem paga é o telespectador/consumidor.  

INVERSÃO DE 180º (actualização 27/08/2019)
A alteração da frequência dos emissores, que estava inicialmente planeada para começar de Norte para Sul irá agora decorrer de Sul para Norte e arranca em Janeiro de 2020. Não será necessária a reorientação das respectivas antenas de recepção e será mantida a rede MFN! Mais informação aqui.

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quinta-feira, 26 de abril de 2018

TDT com futuro incerto - PSD impede novos canais

Completam-se hoje seis anos desde que encerraram as emissões de TV analógica em Portugal. Mas a TDT portuguesa continua na cauda da Europa em termos de oferta de canais. Como em inúmeras ocasiões venho referindo, nos outros países a mudança das emissões de sistemas analógicos para digitais foi aproveitada pelos operadores públicos e privados para lançar inúmeros novos canais (sobretudo temáticos) em sinal aberto, melhor servindo os seus públicos. Nesses países, plataformas de TV gratuita, com uma dezena ou mais de canais, coexistem com plataformas de TV por subscrição. Isto acontece um pouco por todo o Mundo, excepto em Portugal, onde disponibilizar mais de 4 canais de TV em sinal aberto parece ser um bichinho de sete cabeças!

Os grupos privados que já estão presentes na TDT (Impresa e Media Capital) não querem concorrentes e portanto opõem-se à entrada de novos canais. Entretanto foram realizados estudos sobre a viabilidade do aumento de canais na TDT. Seria expectável que quem realiza-se esses estudos não tivesse qualquer ligação às partes interessadas, nomeadamente à Impresa ou Media Capital. Ou seja, não deveria existir qualquer conflito de interesses. E, caso existisse, essa ligação deveria ser divulgada (full disclosure) nos estudos. Mas ao ler o estudo da ERC constato que a empresa autora do documento é a mesma empresa responsável pela auditoria aos grupos Impresa e Media Capital! Em parte alguma do "estudo" é feita qualquer referência à relação com a Impresa e a Media Capital. Que credibilidade pode ter um estudo destes?!

Como já escrevi, o facto de Portugal ser a excepção em matéria de TDT diz muito sobre a nossa democracia, que se tem submetido aos interesses de alguns grupos em detrimento do interesse público. Em vez de Governos, reguladores e supervisores que defendam o interesse público, em momentos cruciais temos precisamente o contrário!

Veja-se o caso da RTP 3 e a RTP Memória que só chegaram à TDT em Dezembro de 2016, após uma longa luta por parte dos cidadãos, iniciada pelo blogue TDT em Portugal em 2009. Recordo que a disponibilização destes canais de interesse público foi fortemente contestada pela SIC, que sempre se opôs ao aumento da oferta de canais na TDT.

Para além da disponibilização da RTP 3 e da RTP Memória, o actual Governo anunciou ainda em 2016 a intenção de abrir concursos para dois novos canais (desta vez privados) para a TDT. No entanto, como é necessário parecer da ERC e não existe acordo entre PS e PSD (que quer escolher dois dos quatro vogais e o presidente) para a composição do novo Conselho Regulador da mesma, o processo está parado há mais de um ano!

Recordo que PSD e CDS/PP alinharam com os interesses (nomeadamente os da SIC) que se opunham à disponibilização da RTP Informação e da RTP Memória na TDT, votando contra propostas nesse sentido. Tudo aponta para o facto do “problema ERC” de se tratar de uma crise artificial, deliberada e destinada a impedir o aumento da oferta de canais na TDT.

No entanto, o atraso na abertura dos concursos para os dois novos canais na TDT não é o único problema que a plataforma de televisão livre terrestre enfrenta. O Governo terá ainda de decidir como implementar a alteração na rede TDT imposta pelo segundo dividendo digital, que obriga a libertar as frequências acima de 700Mhz. Em particular, se continuarão a ser utilizadas as mesmas normas na emissão do sinal TDT, o que permitiria a recepção dos actuais e dois novos canais sem necessidade de compra de novos receptores ou, pelo contrário, alterar as normas de emissão o que obrigaria à compra de novos equipamentos. 

Mas, em vez de se proceder à necessária alteração de frequências, o Governo poderá simplesmente decidir pelo abandono da rede de emissão terrestre (no meu entender um erro), passando a difusão a ser feita por satélite e cabo. Recordo que desde 2013 venho alertando para a crescente probabilidade do fim das emissões da TDT por via terrestre. Esse primeiro alerta cedo mostrou razão de ser, pois logo em 2014 a MEO deu a entender que no longo prazo não pretendia continuar a assegurar a difusão do sinal TDT (terrestre). Esse receio fundado saiu reforçado ainda recentemente com a notícia da intenção de venda de 2900 torres de telecomunicações em Portugal por parte da Altice/MEO. As infra-estruturas afectas à TDT não estão incluídas na venda. No entanto, nada garante que uma vez cessadas as obrigações contratuais com o Estado, as mesmas não sejam total ou parcialmente alienadas.

Há portanto muito por decidir e por fazer. Espero que a velha tradição de, à boa maneira portuguesa, adiar e depois ter de se fazer tudo à pressa não se repita. O desastre que foi o processo de transição para a Televisão Digital Terrestre não pode ser repetido!

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terça-feira, 27 de junho de 2017

TDT "À prova de fogo"

Apesar de todos os problemas que lhe são conhecidos, a TDT veio mais uma vez demonstrar a sua importância estratégica para o país. Os trágicos incêndios de Pedrógão Grande, Góis e Pampilhosa da Serra vieram realçar essa importância de uma forma cruel. Em muitas localidades, devido à destruição dos cabos de telecomunicações pelos incêndios, o único acesso à televisão e por conseguinte à cobertura noticiosa, só foi possível através da TDT.

Não é a primeira vez que tal acontece e infelizmente não será a última. A vulnerabilidade das redes de fibra óptica e cabos de cobre a incêndios e tempestades, bem como a actos de vandalismo, está demonstrada.

Em diversas ocasiões tenho alertado para as vulnerabilidades dessas redes e para a importância estratégica da rede de TDT. Recordo que em Agosto de 2011, em alerta que dirigi ao Governo, escrevi:

"… é de interesse estratégico para o país a existência de uma rede de difusão televisiva terrestre abrangente e fiável." - Carta ao MAP, Agosto 2011.

Importa igualmente recordar que o projecto da Televisão Digital Terrestre foi definido e apresentado como dotado de importância estratégica e decisiva para o interesse nacional!

Quando a ANACOM submete proposta ao Governo onde se equaciona a passagem da actual rede de TDT para outra plataforma, ou seja, o fim da recepção por antena terrestre, é fundamental recordar que, embora não haja redes 100% fiáveis, são as redes de emissão hertziana (terrestre e satélite) que têm a maior cobertura do país e são as mais robustas perante desastres naturais e actos de vandalismo.

No entanto, a mudança da recepção terrestre para a recepção via satélite implica custos importantes para os telespectadores. Também por isso, mais uma vez reafirmo que é do interesse estratégico de Portugal manter a rede de difusão televisiva terrestre.

O interesse económico das televisões e dos operadores de TV por subscrição não pode novamente sobrepor-se ao interesse maior das populações e por conseguinte do País.

A todos os afectados pelos incêndios de Pedrógão Grande, Góis e Pampilhosa da Serra envio um abraço solidário.

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sábado, 15 de abril de 2017

Sinal TDT - ANACOM soluciona problemas de forma original

Quem tem acompanhado a trapalhada que tem sido a TDT portuguesa sabe que, para além da luta pela disponibilização da RTP3 e da RTP Memória na TDT, tenho também lutado pela melhoria da cobertura do sinal. Ainda em Agosto de 2016 alertei a ANACOM para a existência de várias (sete) sondas de monitorização do sinal que sistematicamente indicavam sinal abaixo do limiar mínimo de qualidade, uma situação que se prolongava há meses. O blogue TDT em Portugal comentou:

“O autor do blogue TDT em Portugal tem constatado que (e como comprovamos nas páginas seguintes), durante várias semanas ou até meses seguidos, várias sondas de monitorização do sinal TDT reportam a situação de sinal TDT abaixo do limiar mínimo de qualidade, sem que a ANACOM corrija a situação”.

“Quer se trate de reais situações de deficiência do sinal TDT, de avaria das sondas em questão  ou problemas com o envio dos dados, consideramos esta situação grave, pois em todos os casos se traduzem na prestação de um mau serviço aos cidadãos, na descredibilização do regulador e da plataforma TDT.

Solicitamos pois que o ICP-ANACOM investigue estas situações e adopte as medidas necessárias à sua resolução.”
A resposta da ANACOM (como habitual) não foi esclarecedora. No entanto, implicitamente acabou por reconhecer problemas com o sinal TDT relativamente às sondas em questão, não tendo no entanto apresentado qualquer solução. Tenho pois aguardado com interesse o desenvolvimento desta situação, tanto mais porque não se trata de uma sonda isolada, mas de sete. Ou seja, sete zonas de recepção afectadas! 

Ora, vários meses depois do alerta, tenho o prazer de informar que a situação foi finalmente solucionada! Adivinham como?  


De uma forma engenhosa e original que certamente se tornará caso de estudo em todo o mundo: mudando as sondas de local. Simples! 


Como se pode comprovar na imagem seguinte que mostra a rede de sondas em 2016 e agora em 2017, das sete sondas "problemáticas" referidas no alerta do blogue TDT em Portugal, seis mudaram de sítio!


Poderão pensar, Yagi a explicação é simples, essas zonas passaram a ser de cobertura DTH, por isso já não faz sentido ter lá as sondas. Não, eu comprovei. São zonas assinaladas como sendo de cobertura terrestre

Refira-se a propósito que em Janeiro o regulador noticiou que, após estudo, o sinal de TDT apresentou «disponibilidade próxima de 100% e estabilidade elevada em 2016». Contudo, até à data não publicou o referido "estudo". Reflectirá esse estudo a realidade ou estaremos perante mais um "dourar da pílula" a que o regulador já nos habituou?

Ainda a propósito de estudos, a ANACOM "encomendou" mais alguns, desta vez sobre o alargamento da oferta na TDT e que deverão estar concluídos até 1 de Junho. Vai também submeter ao Governo uma proposta relativamente à plataforma que deverá assegurar o serviço de televisão gratuita após 2020, onde será equacionada a migração da actual rede de TDT para outra plataforma.

Estuda-se tanto e aprende-se tão pouco...

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Como receber RTP 3 e RTP Memória na TDT

A RTP 3 e a RTP Memória ficaram hoje disponíveis na TDT. A disponibilização na Televisão Digital Terrestre acontece após uma longa luta iniciada em 2009 pelo blogue TDT em Portugal que, através de uma petição pública, participação em consultas públicas, contacto com governantes e políticos da oposição, movimento para abordagem do assunto no programa "A Voz do Cidadão" e insistentes criticas e denúncias neste blogue, procurou sensibilizar a classe política, a administração da RTP e a sociedade civil para o erro e a injustiça de não se alargar o acesso da RTP 3 e da RTP Memória a todos os cidadãos. A partir de hoje, colhemos todos o resultado dessa luta!

Há + RTP na TDT


Como receber a RTP 3 e a RTP Memória na TDT
Como já havia informado (e ao contrário do que a RTP informa nos spots de promoção transmitidos nos novos canais), para receber a RTP 3 e a RTP Memória poderá ser necessário efectuar uma pesquisa de canais nos televisores ou receptores de TDT. Essa pesquisa deverá ser preferencialmente manual no canal (frequência) que se recebe melhor no local de residência. A opção está acessível no menu de instalação, contudo o procedimento exacto varia de equipamento para equipamento. A título de exemplo, exibe-se uma pesquisa no canal 46 realizada num receptor. Em caso de dificuldade deverá consultar o manual de instruções do equipamento ou um técnico.

Pesquisa novos canais TDT RTP 3 e RTP Memória

Como receber a RTP 3 e a RTP Memória via satélite (TDT Complementar)
A RTP 3 e a RTP Memória está também disponível via satélite na designada "TDT Complementar". Os canais são disponibilizados de forma automática pelo que não será necessário efectuar qualquer pesquisa.

Como receber a RTP 3 na Europa, África, Américas e Ásia
A RTP informou que a RTP 3 ficaria disponível em sinal aberto, primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa e, após analise do eventual interesse, noutros mercados. Na Europa a RTP 3 está já disponível através satélite Hispasat (satélite utilizado pela ZON e MEO), com os parâmetros de sintonia: 10730H, 27500, 3/4, dvb-s2 8psk. A cobertura do satélite permite a recepção em toda a Europa, norte de África, Madeira, Canárias e Açores. No entanto, à hora em que escrevo este post a emissão ainda está codificada. Nota: este poderá não ser o satélite definitivo para distribuir a RTP 3 na Europa. Faria todo o sentido utilizar o mesmo satélite (posição orbital) actualmente utilizado para difundir a RTP Internacional ou seja, o Hotbird.

Ao contrário do anunciado, tudo indica que a RTP 3 ainda não está disponível para as Américas, pelo menos através do satélite Intelsat 34 (55,5 W). Relativamente aos Estados Unidos, a RTP informou que também iria distribuir a RTP Açores e a RTP Madeira. 

Para África, também ainda não há sinal da RTP 3 através do satélite Intelsat 907 (27,5 W).

Uma luta longa
Enquanto cidadão e autor do blogue TDT em Portugal, remei contra a maré e "desmontei" os argumentos apresentados por aqueles que se opuseram ao acesso de todos os cidadãos a todos os canais do serviço público em sinal aberto. Através do blogue TDT em Portugal procurei fazer o que os meios de comunicação social tradicionais infelizmente não souberam ou não quiseram fazer: disponibilizar informação correcta e completa sobre a TDT, expor os jogos e interesses ocultos e as insuficiências e falhas da regulação. Essa comunicação social falhou também nos seus deveres ao não noticiar o movimento público de apelo à disponibilização da RTP Memória e da RTP Notícias (actual RTP 3 e ex. RTP Informação).  

A RTP reconheceu finalmente que é sua obrigação levar todos os conteúdos da RTP a todas as pessoas (como o blogue TDT em Portugal sempre argumentou). Recordo que ainda não há muito tempo atrás, a RTP era de opinião desfavorável à disponibilização da RTP Informação e da RTP Memória na TDT. Justiça seja feita, finalmente temos um Governo que cumpriu com o prometido.

Tal como o blogue TDT em Portugal há muito havia contestado, provou-se que eram falsos os argumentos segundo os quais a disponibilização dos novos canais na TDT implicariam a duplicação dos custos e a perda das receitas geradas pela presença nos operadores de TV por subscrição. O blogue TDT em Portugal havia afirmado e, ao contrário do que alguns políticos (e pelo menos um responsável da RTP) pretenderam fazer crer, o presidente do C.A. da RTP confirma que não haverá duplicação dos custos de emissão do sinal, não haverá a perda da receita dos operadores de TV por subscrição e todos os canais da RTP continuarão disponíveis em todos os operadores. Era o que se esperava de uma equipa de gestão minimamente competente.

Talvez num último gesto de hipocrisia, aqueles que se opuseram, conspiraram e ameaçaram utilizar os tribunais para manter os seus privilégios e condenar Portugal a ter a TDT mais pobre da Europa, reivindicam agora também para si a redução do preço que a distribuição de um maior número de canais públicos no multiplex agora permite. Veremos como se "comportam" daqui em diante, nomeadamente no concurso para os dois novos canais privados a lançar no próximo ano.

Já temos mais RTP na TDT! Venham outros...

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sábado, 16 de julho de 2016

RTP3 e RTP Memória na TDT em Setembro (actualizado)

A RTP3 e a RTP Memória ficarão disponíveis na TDT antes do final de Setembro, garante o Governo. Os canais de interesse público, até aqui exclusivos dos operadores de televisão por subscrição, ficarão finalmente disponíveis para todos os residentes em Portugal.

RTP3 + RTP Memória na TDT

A chegada à TDT acontece após uma longa luta iniciada em 2009 pelo blogue TDT em Portugal. 

Apesar da petição pública, cartas aos responsáveis governamentais, movimento para abordagem do assunto no programa "A Voz do Cidadão" e insistentes criticas e denúncias neste blogue, os fortes interesses económicos impediram que os canais da RTP ficassem disponíveis para todos os cidadãos mais cedo. A luta foi longa, dura e com sacrifício pessoal, mas valeu a pena! O feedback que fui recebendo dos leitores e de alguns políticos que se interessaram pela causa da TDT, foram um incentivo para não desistir de lutar. Os resultados foram surgindo, primeiro com a disponibilização da audiodescrição pela RTP e agora finalmente com a chegada da RTP3 e da RTP Memória.

Para além da RTP3 e da RTP Memória, a TDT poderá vir a contar com mais dois canais de operadores privados no Mux A, após concurso público. Mais uma vez as rádios parecem ter sido esquecidas.

É pouco, muito pouco e chega muito tarde. A TDT portuguesa continua a ter uma das menores ofertas de canais. Como inúmeras vezes referi (aqui e em consultas públicas), em Portugal não houve dividendo digital para a população. E deixo já aqui uma sugestão ao Governo: caso não haja interessados para os dois canais privados, utilizar o espectro para a RTP1 HD. Será possível emitir a RTP1 HD reduzindo o bitrate da RTP1 SD (uma vez que há a versão HD do mesmo canal) e do Canal Parlamento, como aliás já sugeri.

Para receber os novos canais RTP3 e a RTP Memória deverá fazer-se uma pesquisa de canais nos equipamentos de recepção, televisores ou receptores TDT.

28/09/2016:
A ANACOM aprovou, a 22/09, o sentido provável de decisão sobre a alteração das condições associadas ao direito de utilização de frequências (DUF) atribuído à MEO para o serviço de TDT. A determinações do Governo relativas às reservas de capacidade no MUX A e aos preços aplicáveis ao serviço de transporte e difusão do sinal de TDT, implicam a alteração das condições associadas ao DUF, que está em consulta até ao dia 21/10.

29/09/2016:
Segundo o presidente do CA da RTP, as emissões da RTP3 e da RTP Memória arrancam a 1 de Dezembro. Francisco Pedro Balsemão (SIC) afirmou que as duas operadoras privadas estão a estudar as várias hipóteses de contestar a decisão. Não há vergonha...

15/11/2016: RTP3 e RTP Memória já disponíveis no MUX A!
Os canais RTP3 e RTP Memória já foram adicionados ao MUX da TDT (posição 6 e 7). De momento apenas é exibido o logotipo do canal e a informação "Brevemente nesta posição". Espera-se que as emissões fiquem disponíveis no dia 1 de Dezembro, como anunciado. Para encontrar os novos canais é necessário efectuar uma pesquisa de canais.

25/11/2016:
O anúncio estático foi substituído por clips promocionais à RTP 3 e RTP Memória nos respectivos canais. Para receber os novos canais poderá bastar seleccionar a posição 6 (RTP 3) ou 7 (RTP Memória). Em determinados equipamentos e situações será necessário efectuar uma pesquisa de canais. A pesquisa deverá ser preferencialmente manual, na mesma frequência utilizada para receber os restantes canais.

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sábado, 4 de junho de 2016

Sondas comprovam falhas do sinal TDT

Ainda o Verão não chegou e já se sentem um pouco por todo o país dificuldades na recepção da TDT!

As perturbações do sinal, que em casos extremos podem ocasionar a perda total de imagem e som, são ocorrência frequente ao longo do ano, mas habitualmente intensificam-se no Verão devido à maior ocorrência de fenómenos de inversão térmica que aumentam o alcance do sinal dos emissores. O aumento do alcance dos emissores poderá parecer algo de positivo para o leigo, mas no caso de redes SFN (frequência única), como a utilizada em Portugal, tal traduz-se em interferências que vão da pixelização momentânea da imagem (quadradinhos) à perda total da mesma.

Está a acontecer o que todos os que dependem da TDT têm comprovado desde há anos e para o qual o blogue TDT em Portugal oportunamente alertou: a qualidade da rede SFN (canal 56) deixa muito a desejar!

No entanto, desde Fevereiro a ANACOM disponibiliza uma ferramenta onde é possível comprovar as falhas do sinal TDT. Esta avaliação do sinal faz-se com base em medições realizadas pelas sondas de monitorização instaladas pelo regulador. A ferramenta tem muitas limitações e disponibiliza informação muito básica, mas permite através de um código de cores averiguar se na nossa zona de residência a qualidade do sinal de TDT foi afectada, isto caso exista uma sonda por perto.

Veja-se o mapa da qualidade do sinal TDT referente ao dia de ontem, 02/06/2016. Como se pode comprovar, inúmeras sondas reportaram fraca ou má qualidade de recepção do sinal TDT no canal 56, sobretudo na faixa litoral:

Mapa falhas sondas TDT
O mapa completo pode ser consultado aqui. Os pontos vermelhos indicam valores abaixo do limiar mínimo de qualidade (MER < 19,5 dB) e sem recepção da rede complementar MFN. 

De referir que este valor (19,5 dB) foi definido pela ANACOM e foi melhorado dos 17,1 dB propostos originalmente pela mesma ANACOM no seu projecto de decisão relativo às obrigações de cobertura a cumprir pelo operador da rede TDT. O blogue TDT em Portugal foi a única entidade que reclamou do valor proposto (17,1 dB), valor muito inferior ao recomendável, tendo proposto um valor maior (>20,3 dB min.). Esta diferença de +2,4 dB (19,5 - 17,1), representa quase o dobro da exigência na avaliação da qualidade do sinal relativamente à proposta inicial da ANACOM, o que se traduz numa melhor defesa dos interesses dos telespectadores. 
 
A situação ocorrida nos últimos dias, a repetir-se com frequência (como é previsível que venha a ocorrer), deita por terra a afirmação do operador da rede segundo a qual a mesma atingiu a estabilidade.

09/06/2016:
No dia de ontem a situação foi ainda pior, com ainda mais localidades afectadas:

Se dúvidas restassem, estes dados desvanecem-nas por completo e reforçam a urgência de avançar para a instalação da rede de MFN's de SFN's.

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Conferencia "Televisão Digital Terrestre: uma solução urgente"

A Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto vai realizar, no dia 24 de Maio de 2016, a partir das 15h00, no Auditório do Novo Edifício da Assembleia da República, uma Conferência subordinada ao tema “Televisão Digital Terrestre: uma solução urgente”.

De referir que o Bloco de Esquerda o PEV e o PS apresentaram no dia 6 de Maio projectos de lei e de resolução afim de, nomeadamente, aumentar a oferta de canais da TDT. Propostas semelhantes haviam sido chumbadas pelo anterior Governo (PSD/CDS). A proposta do PS recomenda ao Governo que "desencadeie as diligências técnicas necessárias e prepare as alterações indispensáveis ao quadro normativo em vigor para que os serviços de programas do serviço público RTP3 e RTP - Memória sejam disponibilizados na Televisão Digital Terrestre (TDT) no mais curto prazo possível".

Desde 2008 o blogue TDT em Portugal tem liderado a divulgação e defesa da TDT no nosso país, através do blogue, apelos directos aos governantes, criação de uma petição e da participação em inúmeras consultas públicas. A luta pela disponibilização da RTP 3 e da RTP Memória vem já desde 2009, ano que que o blogue TDT em Portugal criou e enviou às autoridades a petição pela disponibilização da RTP-N (actual RTP3) e RTP Memória na TDT. O blogue tem igualmente criticado o papel da RTP na introdução da televisão digital terrestre em Portugal. De facto, a televisão pública não só não cumpriu o seu papel (fazendo letra morta de todas as recomendações) como tem participado activamente na promoção das plataformas pagas, o que é incompatível com a sua missão de operador público!   

Não é possível invocar mais desculpas e continuar a utilizar o serviço público para promover negócios privados em claro detrimento da plataforma de TDT, ou seja da televisão de todos, em sinal aberto! 

Os estudos estão feitos. São conhecidos os problemas e as soluções. O autor do blogue TDT em Portugal saúda estas iniciativas que fazem eco do desejo manifestado pela maioria da população e faz votos para que o Governo rapidamente passe das palavras aos actos.

A consulta do programa e inscrições na conferência podem ser efectuadas até ao dia 22 de Maio, num formulário electrónico que pode ser acedido através da seguinte ligação: http://app.parlamento.pt/s?i=tvdig

13/05/2016:
Os projectos do PS, BE, PCP e PEV foram hoje aprovados por unanimidade no plenário da Assembleia da República.

25/05/2016:
O video da conferência pode ser consultado aqui.

11/07/2016:
O Governo através de Resolução do Conselho de Ministros de 8/07 determinou:
  • A reserva de capacidade no Multiplexer A para difundir dois canais em definição SD, de modo a permitir que a RTP desencadeie de imediato as diligências necessárias para que os serviços de programas RTP3 e RTP Memória sejam disponibilizados no serviço de radiodifusão televisiva digital terrestre
  • A reserva de capacidade no Multiplexer A necessária a dois serviços de programas televisivos em definição SD, de modo a possibilitar a abertura de concurso público para a atribuição de licença de mais dois serviços de programas televisivos de acesso não condicionado livre. 
  • Substituir os tempos reservados à publicidade na emissão da RTP 3 e RTP Memória na rede de televisão digital terrestre por espaços de promoção e divulgação cultural.
16/07/2016:
O Governo garante que RTP3 e a RTP Memória ficarão disponíveis na TDT antes do final de Setembro.

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TDT, Política e Democracia
Futuro da TDT - contribributo Blogue TDT em Portugal (doc PDF)
Documentação TDT
Petição TDT
Videos TDT
Projecto de Lei 98/XIII
Projecto de Lei 185/XIII 
Projecto de Resolução 282/XIII
Projecto de Resolução 298/XIII   

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

TDT, Politica e Democracia

Como sabem, tenho manifestado a minha crescente decepção com o Governo e a forma como a questão da Televisão Digital Terrestre tem sido conduzida. Vários meses passaram desde o último post e, sem surpresa, o Governo PSD/CDS irá terminar quatro anos de governação sem melhorar a oferta de canais da TDT. Isto, apesar dos problemas já terem sido identificados e soluções apresentadas. A sociedade civil e as entidades com responsabilidade na matéria já declararam posição idêntica aquela pela qual venho lutando desde 2009: a TDT está subaproveitada, a oferta de canais deve aumentar, o serviço público pode e deve disponibilizar na TDT pelo menos a RTP Memória e a RTP Informação, em sinal aberto. Falta decisão política para avançar! 

Como afirmei na consulta pública sobre o futuro da TDT, a subserviência do Governo aos interesses dos operadores privados (que se têm oposto à disponibilização de mais canais na TDT), é indigna! É um insulto a todos os portugueses! 

Chegamos ao fim de mais um ciclo de “governação” onde nos é pedido para reflectir e participar no acto eleitoral que se avizinha. Será pois impossível esquecer a actuação desastrosa da coligação PSD/CDS em matéria de televisão! 

Quem poderá esquecer a tentativa atabalhoada de venda da RTP2, só travada in extremis pela indignação generalizada? O encerramento das emissões em Onda Curta com base em estudo “inquinado”? A mixórdia de temáticas em que foi transformada a RTP Internacional? A continuação, sem corrigir caminho, da pouca-vergonha iniciada no Governo de José Sócrates que foi a forma como foi conduzida a migração para a TDT, que ainda hoje causa transtornos e despesas aos cidadãos e ao Estado? O chumbo pela coligação PSD/CDS das propostas de outros partidos que faziam eco das aspirações dos cidadãos e que pretendiam disponibilizar a RTP Memória e a RTP Informação em sinal aberto na TDT? As demissões de dois administradores da RTP e do provedor do ouvinte? A promessa não cumprida de Poiares Maduro ? É inesquecível… 

Relativamente à RTP, o Governo diz haver autonomia de gestão e refuta ingerências, mas demitiu o novo administrador por si nomeado e que mal tempo teve de aquecer o lugar, tendo o mesmo desabafado que o Governo estava a fazer o jogo dos privados. O anterior demitiu-se afirmando que «um gestor não tem de aceitar todas as trapalhadas».

Infelizmente a estação pública imitou os canais privados e aderiu à “moda” das chamadas de valor acrescentado que de manhã à noite, sem piedade, são impingidas aos telespectadores! 

Nota positiva para os espaços de antena dedicados a programação normalmente exclusiva da RTP Memória, através dos programas “Inesquecível”, “Agora Escolha” e “Memórias da Revolução”. Para tal poderá ter contribuído o facto de, pela primeira vez, ter ficado escrito num relatório (da ANACOM) que a maioria dos particulares pretende ver disponibilizada a RTP Memória na TDT. As dezenas de cidadãos que manifestaram esse desejo na consulta sobre o futuro da TDT, acrescem aos 1505 cidadãos que em 2009/2010 assinaram a petição pública criada pelo blogue TDT em Portugal e recebida pelas entidades competentes. É uma pequena vitória! 

Tal como informei em Outubro de 2013, presume-se que o Governo pretenda transformar a RTP Informação num canal de cariz essencialmente regional. Presumivelmente, deverá assim acabar a concorrência à SIC Notícias e TVI 24 que havia motivado queixas desses operadores. A partir de 5 de Outubro de 2015 o canal irá mudar de nome (novamente), passando a designar-se RTP3. Muda o nome mas mantém-se a exclusividade para as plataformas de TV por subscrição! Veremos quanto tempo dura este novo modelo… 

Como afirmei em consulta pública, as televisões portuguesas em vez de, à semelhança do que aconteceu nos outros países, terem aproveitado as potencialidades da TDT para disponibilizarem uma oferta alargada de canais em sinal aberto, adoptaram uma política de terra queimada e apostaram tudo no cabo. Resultado, as famílias migraram em massa para os operadores de TV por subscrição. Agora começam a sofrer as previsíveis consequências com a crescente diminuição do share dos seus canais no cabo e das receitas pagas pelos operadores. 

Ao fim de quatro anos de estudos, grupos de trabalho, consultas públicas, audições na A.R., comissões parlamentares de inquérito e dois ministros, a TDT portuguesa continua na mesma, a mais pobre da Europa. Sobrou demagogia e faltou acção! 

Pior ainda, ao fim de quatro anos a coligação PSD/CDS ainda não sabe sequer o que fazer para inverter este estado de coisas! Se dúvidas houve-se bastaria consultar o programa eleitoral da coligação. Tal como escrevi em Agosto de 2013, naturalmente será necessário negociar com a PT Portugal a disponibilização do espectro necessário para a difusão de novos canais no Mux A. Nada de inultrapassável pois o Estado é um importante cliente da empresa e como tal tem poder negocial. Igualmente, para os disponibilizar na TDT, será obviamente necessário renegociar junto dos operadores de TV por subscrição os contratos de distribuição da RTP Memória e RTP Informação, como o blogue TDT em Portugal referiu há bastante tempo. O facto de ainda não o ter feito diz bem da verdadeira falta de empenho do Governo. 

A subserviência dos últimos Governos aos interesses das televisões privadas e dos operadores de TV por subscrição é evidente. Se o aumento da capacidade da rede de TDT se vier realmente a concretizar e a vontade das televisões privadas prevalecer (como tem sucedido), os portugueses podem preparar-se para voltar a ter de abrir os cordões à bolsa! É que, com o pretexto da mudança para emissões em HD, se a solução tecnológica mais favorável aos operadores de televisão for adoptada pela ANACOM, isso irá obrigar a novo adiamento no aumento da oferta de canais e à compra de novos equipamentos de recepção. Se tal vier a acontecer sem uma subsidiação eficiente das despesas a incorrer pelo telespectador (como aconteceu com a migração para a TDT), isso irá motivar um novo boom na adesão a serviços de TV por subscrição! 

A promiscuidade entre o Estado e alguns órgãos de comunicação social é evidente. Nos anos 90 causou grande celeuma a afirmação do director de uma das estações privadas quando o mesmo disse que o seu canal vendia sabonetes e Presidentes da República. Hoje, o dono dessa estação (que tem fortes ligações ao principal partido da coligação) “apadrinha” um candidato à Presidência da República. Até um administrador da RTP, afirmou que o Governo estava a fazer o jogo dos privados! 

Isto acontece num país onde o jornalismo se tornou vítima dos interesses económicos. País esse em que a crítica política e social mais contundente passou a ser feita por humoristas, também eles penalizados pelo poder político e económico quando se tornam demasiado incómodos. Acontece num país em que debates entre líderes partidários para eleições legislativas são difundidos em exclusivo nos canais de notícias da TV por subscrição, excluindo desta forma mais de 20% da população! Portugal tornou-se um país cabo-dependente onde o próprio processo democrático se tornou refém dos interesses económicos! 

A televisão que temos é simultaneamente resultado e sintoma de um sistema político doente. Como tenho afirmado, o “problema” da TDT é muito mais importante do que a mera questão de se disponibilizar mais ou menos canais em sinal aberto, ele mexe com os princípios básicos associados a um Estado de direito e democrático. Enquanto a questão da TDT não for resolvida e a RTP não cumprir plenamente o seu desígnio sem discriminar os cidadãos, perdurará sempre a dúvida se o Governo que estiver em funções está a trabalhar em prol do interesse público ou capturado por interesses privados!

Actualização Jan. 2016:
As circunstancias da vida politica ditaram que o novo Governo tenha o apoio de dois partidos que defenderam o aumento do número de canais na TDT. A política do Governo é pois influenciada por três partidos (PS, BE e PCP) que defenderam nos seus programas eleitorais o aumento do número de canais da TDT, nomeadamente a disponibilização dos canais da RTP. A RTP já divulgou que pretende disponibilizar a RTP Memória e a RTP 3 na TDT. Pretende também lançar a RTP 3 Internacional, fazendo "companhia" à RTP Internacional. Defendo a disponibilização de dois canais internacionais até porque foi uma das sugestões que apresentei em 2013 na Consulta Pública ao Projecto do Contrato de Concessão da RTP. 

Sem surpresa, sempre que a RTP refere que pretende disponibilizar a RTP 3 e a RTP Memória na TDT, os dois operadores privados manifestam-se contra. Recordo mais uma vez que, até à data, apenas a RTP solicitou autorização para disponibilizar mais canais de TV na TDT. Tal como referi na consulta pública relativa à investigação aos custos e proveitos da TDT, a ERC entende que os contratos de concessão do serviço público constituem título bastante para o transporte e difusão desses serviços de programas na rede de TDT. Ou seja, a RTP não carece de autorização. Já os operadores privados não deram entrada junto da ERC ou ANACOM de qualquer pedido.

Tudo indica pois que a disponibilização na TDT da RTP Memória e da RTP 3 poderá ser uma realidade ainda em 2016. Esperemos que o Governo cumpra a palavra e não se deixe intimidar por interesses menores. Tal não teria desculpa!


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Governo adia novos canais na TDT para 2016!

Tal como previ (ler post anterior), o Governo adiou novamente o aumento da oferta de canais na TDT. O Ministro Poiares Maduro diz agora, depois de em Setembro de 2013 ter prometido novidades “o mais tardar até ao inicio de 2014”, querer fazer coincidir as “mudanças” com as alterações já decididas pela ANACOM a ter lugar em 2016 a fim de melhorar a cobertura.

A isso eu digo: bullshit! Mas será que alguém ainda acredita nas promessas do Ministro?! Há mais de um ano que perdi a (pouca) confiança no Governo e no Ministro e tornei-o público, quer aqui no blogue TDT em Portugal, quer na consulta pública sobre o futuro da TDT.

Como afirmei em 9/10/2013, o Governo deixou logo cair a disponibilização da RTP Memória na TDT e quanto à RTP Informação, perante as queixas dos privados de que o canal era “desnecessário” (traduzindo: fazia concorrência à SIC Notícias e à TVI 24), o canal seria transformado numa espécie de canal de informação regional. Portanto, o Governo “está-se nas tintas”, quer para a opinião e os pedidos dos cidadãos, quer para a Autoridade da Concorrência! As eleições estão próximas e não convém “irritar” os privados, que são quem efectivamente “manda” na televisão em Portugal. Tal como afirmei no próprio documento, a consulta sobre o Futuro da TDT serviu para continuar a adiar qualquer decisão no sentido do aumento da oferta de canais.

O Ministro diz que as pessoas já sofreram demasiado e o melhor é fazer as mudanças ao mesmo tempo de forma a “poupar as pessoas”. Que hipocrisia! Ao adiar novamente a melhoria da oferta de canais na TDT, desta vez para 2016, na prática o ministro está a recuar e a fugir às suas responsabilidades! Como tenho argumentado, é possível a disponibilização imediata de mais dois canais no actual Mux A. Mas este Governo tem medo dos privados! Dos privados que nunca se interessaram pela TDT e se opuseram à disponibilização de canais de interesse público (RTP Memória e RTP Informação). Muito fraco é um Governo que se deixa intimidar desta forma…

2016 É uma miragem! Desde que a ANACOM estabeleceu a meta 2016, a situação alterou-se. Como o blogue TDT em Portugal oportunamente destacou, a PT Portugal não tem o mínimo interesse em aumentar a capacidade da rede TDT! E mais, a TDT já está a ser afectada! Recordo que ainda não há decisão relativamente à consulta sobre as obrigações de cobertura terrestre da TDT. Recordo também que (como já chamei à atenção), já antes da decisão de fusão com a Oi e a subsequente crise na empresa, a PT Portugal já falava no desligamento da rede terrestre de TDT! E mesmo que a fusão com a Oi se concretize e a PT Portugal (ou Oi Portugal) seja vendida, quem ficar com ela dificilmente quererá “pegar” na TDT para a tornar atractiva, embora haja ainda a remota esperança dos “remédios”. Os “donos disto tudo” da televisão e os políticos fantoche que nos têm “governado” conseguiram tornar a TDT num activo tóxico!

Os portugueses têm tido muito “azar” com os ministros que têm tido a responsabilidade de gerir a TDT. Eles não fazem mais senão defender os interesses mais fortes à custa do interesse público, à custa dos portugueses. Os indicadores sobre a TDT portuguesa, os piores da Europa e piores do que dos de muitos países do chamado terceiro mundo, deveriam envergonhar qualquer Governo e levá-lo a tomar medidas urgentes. Mas não é assim, Poiares Maduro é só mais um a decepcionar!

Infelizmente a TDT é só mais uma área onde se constata a incapacidade do Governo. Ao fim de 6 1/2 anos e mais de 200 posts, cada vez mais me custa escrever sobre TDT, quando tudo é tão previsível e há inúmeros casos tão mais graves que afectam as nossas vidas.

Off-topic (mas não muito): 
Tal como previ na consulta pública sobre o futuro da TDT, depois do pedido à ERC para disponibilizar a RTP Memória e a RTP Informação na TDT e ter criticado o atraso do lançamento da consulta, na primeira oportunidade a Administração da RTP foi demitida:

«É significativo e revelador que o até presidente da RTP, nomeado por este Governo já percebeu que o Governo está a fazer o jogo dos privados. É muito revelador o facto de pessoas nomeadas pelo Governo (de sua confiança) mais cedo ou mais tarde acabarem por compreender que as directrizes são erradas e lesam a RTP e os interesses dos cidadãos em favor de determinados lobbies. O anterior presidente do conselho de administração da RTP acabou por demitiu-se e o actual já demonstrou o seu desconforto, pois também criticou o atraso desta consulta dando a entender que concordava com a opinião (partilhada pelo blogue TDT em Portugal) que o Governo estava a fazer o jogo dos privados.» Consulta Futuro TDT - Blogue TDT em Portugal - Agosto 2014.

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sábado, 18 de outubro de 2014

Novidades TDT Espanhola

Enquanto em Portugal se aguarda por resultados práticos da consulta pública sobre o futuro da TDT, decorrido já um ano após o Governo ter prometido novidades. Os últimos meses trouxeram várias desenvolvimentos (positivos e negativos) para a TDT Espanhola. Começando pelas más notícias, em Maio foram encerrados 9 canais de âmbito nacional, por o anterior Governo Espanhol não ter observado todas as formalidades legais e após queixa apresentada por um pequeno operador espanhol. No entanto, os canais encerrados tinham audiências baixas e o espaço libertado nos muxes até permitiu melhorar a qualidade de emissão de outros canais.

Iniciou-se também já em Agosto o processo de migração dos canais que emitem na faixa dos 800Mhz, a utilizar pelos serviços 4G/LTE. Para o efeito, decorre já em várias zonas de Espanha um simulcast da emissão nas frequências antigas e nas novas frequências que permitirá a re-sintonização dos equipamentos praticamente sem incómodos e sem despesas para as populações. Tal como aconteceu com a transição do sinal analógico para a TDT, o Governo Espanhol aprovou ajudas aos condomínios que variam entre 150 e 550 Euros. Recordo que em Portugal os condomínios não receberam qualquer ajuda financeira e isso forçou muitos condóminos a terem de aderir a soluções de televisão por subscrição! O Governo Espanhol promete também para breve a abertura de concurso para a ocupação de um Mux e 1/4 de outro.

A TDT Espanhola está pois de boa saúde e recomenda-se. O mesmo não se pode dizer da Portuguesa. Recordo o comparativo que publiquei aqui no blogue TDT em Portugal em 2011. Como é sabido, desde então pouco se alterou relativamente à TDT Portuguesa. As poucas alterações prendem-se com a disponibilização do canal ARTV (que praticamente ninguém vê), a adopção do formato 16:9 e da audiodescrição para alguns programas por parte da RTP. Recordo que as duas últimas "novidades" só surgiram ambas poucos meses após as criticas do blogue TDT em Portugal em Março de 2012 e em Junho e de 2013, respectivamente.

Relativamente à rede, e como tenho informado, fruto da trapalhada com a rede SFN e a "migração" forçada dos cidadãos (situações que venho denunciando há bastante em tempo) e após terem sido gastos perto de meio milhão de Euros para se comprovar que a rede TDT tem deficiências graves, tem sido antecipada a activação de emissores em rede multi-frequência para a difusão do Mux A.

Recordo, o blogue TDT em Portugal ALERTOU!:

«Tal como a Anacom reconhece, Portugal vai ter um dos menores períodos de simulcast. Este período, em que as emissões digitais e analógicas coexistem, é fundamental para dar tempo, não só para os telespectadores prepararem as suas instalações para o sinal TDT, mas também para o operador de rede proceder a correcções na cobertura! Por muitas medições no terreno que sejam realizadas, só após uma adesão significativa da população serão detectados muitos problemas na recepção da televisão digital terrestre! E acreditem, em muitos locais do país vão existir problemas de cobertura que será necessário solucionar. Se não há ninguém a captar o sinal, os problemas, naturalmente, passam despercebidos in TDT em Portugal Junho 2010.

«Os nossos políticos permitiram que da Televisão Digital para Todos rapidamente passássemos para a Televisão Digital dos Tesos, agravando a desigualdade entre os portugueses em vez de a encurtar. Geograficamente, até o país conseguiram dividir ainda mais, com zonas cobertas e vastas zonas de “sombra digital”. Com uma enorme faixa do território onde as populações cada vez mais vêm os programas da televisão espanhola e a publicidade das empresas espanholas aos produtos espanhóis. Tudo isto implementado por uma empresa onde o Estado é accionista e está representado por dois administradores executivos. Calha bem, pois assim cada vez mais vamos a Espanha comprar produtos espanhóis e pagar impostos ao Rei. Nada que preocupe os nossos visionários e capazes “queridos líderes”.» in TDT em Portugal Janeiro 2012.
  
Na altura diziam que estava tudo a correr bem, agora vê-se o resultado! Muitos portugueses quase só vêem a TDT Espanhola! Mais, como os mais atentos sabem, tenho repetidamente alertado a ANACOM para a possibilidade de em várias zonas do país virem a ocorrer interferências provocadas por emissores espanhóis. Inclusivamente já enviei ao regulador informação concreta relativa a emissões que recebo e que com toda a certeza perturbarão a recepção da TDT Portuguesa. Até à data a ANACOM tem menosprezado os alertas. Quando os problemas surgirem, provavelmente dirão que são ocorrências imprevistas. Já agora, também só há dias a ANACOM actualizou e corrigiu a informação relativa à rede de emissores TDT e, mais uma vez, só após o alerta do blogue TDT em Portugal!

A TDT Portuguesa continua pois essencialmente parada no tempo, à espera de uma decisão que há muito tarda. Como já referi, a manter-se a oferta miserável dos 4 1/2 canais, o desperdício de espectro do Mux A será multiplicado por 12 com a passagem para rede MFN! É mais uma razão para aumentar a oferta de canais da nossa TDT.

Espero que a TDT pare de ser utilizada como instrumento de propaganda e o aumento da oferta de canais se materialize finalmente, aumento prometido e que deverá contemplar pelo menos a RTP Memória e a RTP Informação. Espero que o Governo e o ministro Poiares Maduro não tenham o descaramento de estar à espera da véspera das próximas eleições legislativas para fazer mais promessas!

Algumas capturas de alguns dos canais de TDT Espanhola (nacionais, regionais, locais e piratas) por mim recebidos (DX) ao longo de 2014:

 
  
 
  


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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Rede TDT MFN tem +4 emissores

No seguimento de deficiências detectadas pela ANACOM na recepção do sinal TDT em várias zonas de Portugal, o regulador atribuiu uma licença temporária (mas que certamente passará a definitiva) para a activação de quatro novos emissores de TDT em rede MFN:
  • emissor do Mendro: canal 40;
  • emissor de Palmela: canal 45;
  • emissor de São Mamede: canal 47;
  • emissor da Marofa: canal 48.
A potência (PAR) máxima para cada uma das estações referidas é de 10 kW, à exceção do emissor de São Mamede, no sector 20º - 110º, cuja PAR máxima será de 100 W. Esta "solução" deverá ser implementada no prazo máximo de 5 dias úteis. 

A ANACOM determinou ainda à PTC a apresentação, no prazo de 10 dias úteis, de um plano para a instalação dos emissores principais necessários para a resolução dos problemas constatados nas zonas não abrangidas quer pela atual rede MFN (C42, C46, C49), quer pelos quatro emissores agora temporariamente licenciados. 

Já em 2012 foi necessário activar emissores "alternativos" em rede MFN (temporária) para remediar os graves (mas previsíveis) problemas de recepção que afectaram o litoral e, em 2013, foi decidida a migração da actual rede SFN para uma rede MFN de SFN's em 2017. Referindo inúmeras falhas na recepção do sinal TDT em vários pontos do país, o regulador está a antecipar essa migração, sendo de prever para breve a activação dos restantes emissores principais (C33, C34, C43).

Mas também os graves problemas financeiros que têm afectado a PT são públicos. Como é sabido, a empresa está em processo de fusão com a operadora brasileira Oi e, como o blogue TDT em Portugal destacou, já deu a entender não estar interessada em manter as emissões terrestres da TDT por muitos mais anos. Mesmo havendo protocolos assinados, é pois do interesse do Estado que a migração da rede TDT seja concretizada o mais rapidamente possível!

Recordo que o blogue TDT em Portugal vem desde há anos alertando para as deficiências da rede de TDT, inclusivamente através das várias consultas públicas já realizadas. Ainda recentemente, nas consultas sobre o futuro da TDT e definição das obrigações de cobertura terrestre (relatório ainda não publicado), o blogue TDT em Portugal voltou a criticar (referindo vários exemplos) a forma deficiente como a rede tem sido implementada. Estão documentados os inúmeros alertas e as criticas do blogue à forma como se estava a processar a migração para a TDT em Portugal, enquanto os principais meios de comunicação social (e certas entidades privadas) se limitaram a "vender" a posição do Governo e do regulador de que tudo estava e iria correr bem! 

A deliberação da ANACOM pode ser consultada aqui.

Actualização:
A zona servida pelo emissor em rede MFN da Serra da Lousã (C46) foi a primeira zona do país a iniciar a implementação de rede MFN de SFN's. Em Setembro foi activado o canal 46 também no emissor da Boa Viagem (Figueira da Foz).

8/10/2014:
Em consulta pública alertei a ANACOM em Maio (e novamente em Agosto) para a desactualização e incorrecção da informação relativa aos emissores TDT. Curiosamente, mais ninguém referiu essa situação insólita. Finalmente, ao fim de quatro meses após o meu alerta, a ANACOM lá actualizou e corrigiu a informação que estava desactualizada desde Dezembro de 2012!

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sábado, 9 de agosto de 2014

Futuro da TDT: TV Record interessada - PT fala no fim das emissões terrestres

A ANACOM divulgou finalmente o resultado da consulta pública sobre o futuro da TDT em Portugal. Sem surpresa, a esmagadora dos contributos individuais defendeu o aumento da oferta de canais, enquanto os actuais operadores privados são contra a disponibilização de novos serviços.

Como se esperava, a consulta trouxe poucas novidades. No entanto, uma afirmação da PT Portugal em particular merece destaque. É que, tal como o blogue TDT em Portugal havia alertado, já está a ser equacionado o fim da TDT!

Eis a afirmação da PT:

«(...) devem, igualmente, ser ponderadas as condições que garantam a manutenção de um serviço público de televisão, de acordo com o previsto na Lei, num cenário de longo prazo, possível, que preveja o desligamento das operações TDT na faixa de frequências UHF e a sua substituição por plataformas alternativas. (...)»

Um dos alertas que fiz em 2013:

«Teme-se que tenhamos já atingido um ponto de não retorno em que, devido às más opções tomadas, os intermináveis custos da migração e a consequente insatisfação com o serviço, leve a médio prazo à pressão por parte dos operadores de televisão para o abandono puro e simples da plataforma TDT» in consulta proj. decisão "Evolução da rede TDT", Abril 2013.

Outro alerta, também de 2013:

«Poderá já não estar longe o dia em que os operadores nacionais não estarão dispostos a suportar os custos com a sua emissão na TDT. Quando esse dia chegar os canais irão reivindicar uma de duas coisas: a redução brutal dos custos de emissão na TDT ou o abandono puro e simples da mesma, forçando a população que ainda depende da TDT a aderir a um serviço prestado por um operador de televisão paga. (...) Com estes governantes e a sua política de “deixa andar” é para aí que caminhamos.»

Venho há anos alertando para factos que considero configurarem actos de sabotagem à plataforma TDT e que não se trata apenas de uma questão de disponibilizar mais ou menos canais, mas do próprio futuro da televisão em sinal aberto que está em risco! Já havia também referido em consulta que a PTC considerava a TDT uma plataforma alternativa. Eis mais uma prova de que (em Portugal) a TDT foi encarada como uma ameaça aos serviços de televisão por subscrição e aos operadores "instalados" e, por acção e omissão, tudo tem sido feito para acabar com ela!

Quanto ao interesse de novos operadores na TDT (um dos propósitos da consulta), apenas uma novidade: o canal Brasileiro TV Record. A TV Record é propriedade da IURD (Igreja Universal Reino de Deus) e está disponível em Portugal há vários anos através dos operadores de TV por subscrição, mas também em canal aberto via satélite para toda a Europa.

O blogue TDT em Portugal participou nesta consulta através de um documento abordando várias questões relacionadas com o passado, o presente e o futuro da Televisão Digital Terrestre. Nesse documento, o blogue TDT em Portugal reiterou muitas das críticas que, desde 2008, tem apontado ao processo de introdução da TDT e apresentado em sede própria e apresentou soluções que permitiriam dotar o país de uma Televisão Digital Terrestre minimamente satisfatória a curto prazo e sem custos para os telespectadores. Em resumo, o blogue TDT em Portugal criticou:
  • O enorme atraso da consulta pública.
  • A subserviência do Estado a interesses privados.
  • A ausência de uma politica audiovisual socialmente responsável.
  • O desastroso processo de migração para a TDT.
  • A falta de interesse na TDT por parte dos três operadores televisivos.
  • As deficiências da rede de transporte e emissão da TDT.
  • A ineficácia dos reguladores. 
E defendeu, entre outros:
  • A disponibilização imediata no Mux A da TDT dos canais RTP Memória e RTP Informação.
  • A disponibilização dos canais de rádio do serviço público e (havendo interesse) de emissoras privadas.
  • A activação o mais rápida possível (2014/2015) de dois Muxes em DVB-T para a disponibilização em SD e/ou HD de novos canais de âmbito nacional do operador público e dos privados e eventuais canais de âmbito regional. 
  • A adopção do formato 720p para emissões em HD. 
Como argumentei, com o reduzido interesse por parte dos operadores, existe disponibilidade de espectro suficiente, não sendo necessário alterar a rede para DVB-T2 e HEVC. Isso traria mais custos para os cidadãos e afastaria ainda mais as pessoas da TDT.

Com base no interesse conhecido à data, propus o reforço da oferta de canais já em 2014 no Mux A e em 2015 em dois novos Mux B e C (em DVB-T MPEG-4):
TDT em 2014/2015 - 3 Muxes DVB-T

Em 2016/2017, após o fim do simulcast SD/HD, o Mux A ficaria com espaço para disponibilizar novos canais:

TDT em 2016/2017 - 3 Muxes DVB-T

Dado que as respostas do blogue a várias questões foram bastante resumidas pela ANACOM/ERC ao ponto de nalguns casos poderem suscitar interpretação errada, recomendo a leitura da versão integral do documento enviado pelo blogue TDT em Portugal:

Futuro da TDT - contrib. blogue TDT em Portugal (versão integral)

O relatório da consulta está disponível aqui.  

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