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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Trapalhada Digital Terrestre (actual.)

Chegamos ao final de mais um ano em que, à semelhança de outros, praticamente nada se alterou na TDT portuguesa. O que estava mal, mal continua, sem que o Estado tenha feito o que quer que seja para inverter a situação. Desde 2008 tenho alertado as entidades competentes e os portugueses para os erros e irregularidades que se têm cometido no processo de introdução da Televisão Digital Terrestre. No blogue TDT em Portugal foram publicados, até ao momento, 159 textos e inúmeros comentários. Criei e enviei para as autoridades competentes a única petição a nível nacional relacionada com a TDT portuguesa. Ainda no verão passado voltei a alertar o Governo para a situação da TDT. Felizmente não estou só, há cada vez mais vozes de protesto contra a TDT que nos é imposta. Com alguma frequência, frases e afirmações publicadas neste blogue aparecem repetidas por outras pessoas noutros locais, embora raramente seja referida a fonte das mesmas.

Infelizmente, apesar de muitos portugueses (mais de 1500) se terem manifestado por uma TDT melhor, através da Petição pela emissão RTP Memória e RTP-N na TDT em canal aberto, que cumpriu todas as formalidades e foi reconhecida pelas entidades públicas, estando todo o processo acessível para consulta, nem os meios de comunicação do serviço público a ela fazem referência nas suas peças e reportagens, uma atitude de desrespeito pelos cidadãos e por um instrumento da nossa democracia. Lamentavelmente, até algumas pessoas que agora dão entrevistas e dizem defender mais canais na TDT não assinaram a dita petição nem ajudaram à sua divulgação, apesar de dela terem tido conhecimento.

Como (mais uma vez) pode ser constatado pelas notícias mais recentes, os avisos, criticas e alertas que tenho lançado tinham toda a pertinência. Estamos a dias da data prevista para o primeiro verdadeiro “apagão” analógico e o que se pode constatar é que não há condições para avançar, como previ há precisamente um ano atrás. As próprias televisões, que durante anos marginalizaram a TDT (informaram pouco e mal sobre a TDT, afirmaram ser contra mais canais gratuitos e utilizaram tácticas para impedir a melhoria da oferta da TDT), estão agora (de uma forma cínica) finalmente a criticar o modelo da TDT portuguesa, pois já se aperceberam da revolta crescente das populações e do facto de que se o apagão avançar irão perder muitos telespectadores. Não há desculpas, há culpados! Todos foram avisados!

Deixo aqui alguns excertos de alguns dos muitos posts que se tornaram premonitórios do que estava para vir:

«…Portugal acabou por ser um dos últimos países a iniciar o processo de transição para a televisão digital terrestre e é também um dos países com um período de simulcast mais curto. …Como escrevi em 2008, ao ser um dos últimos países a avançar para a TDT, Portugal teria a hipotética vantagem de poder evitar os erros cometidos por outros países e de seguir os bons exemplos (a vizinha Espanha é caso de estudo). Mas, como sabemos, não foi nada disso que aconteceu!» in blogue TDT em Portugal 28/12/2010

«…por tudo o que tem acontecido e tenho relatado no blogue TDT em Portugal, cada vez mais me convenço de que o Estado, afinal, entregou o ouro ao bandido! O monopólio consentido na difusão do sinal de televisão digital, tem-se revelado um entrave ao desenvolvimento da televisão em Portugal. Como já disse, o que está a acontecer (por acção e inacção), é uma verdadeira sabotagem da TDT em favor das plataformas de televisão por subscrição!...» in blogue TDT em Portugal 28/12/2010

«…a seis meses da data anunciada para o arranque oficial das emissões (Abril de 2009) não foram ainda tornadas públicas as opções tecnológicas adoptadas. …Na ausência de informação oficial, cresce a especulação, instala-se a dúvida e a descrença. Ou seja, começámos mal e continuamos mal! … Se não são conhecidos os requisitos técnicos dos aparelhos (Tv’s e STB), como é que os fabricantes e comerciantes sabem que modelos devem produzir e comercializar em Portugal? Mais uma vez, não sabemos adoptar as boas práticas de outros países, que têm gerido muito melhor o processo de transição da televisão analógica à digital.» in blogue TDT em Portugal 14/10/2008

« Será já pois impossível concretizar um processo tranquilo de transição para a televisão digital terrestre em tão curto espaço de tempo. Dado o número altíssimo de sistemas de recepção que será necessário adaptar, dificilmente será possível completar estes trabalhos até Abril de 2012. … E como será impensável que tanto aos canais de TV (RTP, SIC e TVI) fiquem sem boa parte dos seus telespectadores, como que os telespectadores fiquem sem acesso aos seus canais de TV, o cenário mais plausível é que a data do desligamento das emissões analógicas acabe adiada!» in blogue TDT em Portugal 28/12/2010

«De acordo com o plano para a cessação das emissões analógicas, um emissor não poderá ser desligado sem que a população abrangida seja servida há mais de um ano por emissões de televisão digital terrestre. Como o Blogue TDT em Portugal tem informado, a rede de emissores, que deveria ter ficado completa até 31/12/2010, ainda não está terminada.» in blogue TDT em Portugal 28/05/2011

«… é legítimo considerar que a candidatura às licenças da TDT paga, não passou de uma estratégia para eliminar a concorrência. Julgo também, ter ficado claro que, desde muito cedo a PT terá desistido da TDT. …Esta decisão da PT representa um rude golpe na TDT portuguesa, mas também na credibilidade e imagem da Portugal Telecom e da autoridade reguladora! Se o processo de transição para a TDT já se antevia difícil, agora será ainda mais complicado. » in blogue TDT em Portugal 22/01/2010

«Creio pois que o desligamento nestes locais não vai permitir um verdadeiro teste ou ensaio para os desligamentos de 2012. Mais parece que a verdadeira intenção desta escolha foi causar o menor impacto possível junto da população e, mais uma vez, não encarar de frente os problemas que a TDT portuguesa enfrenta: preço dos adaptadores e oferta de canais. Assim, espera-se que estes "pilotos" sejam mais um "sucesso" para os responsáveis políticos.» in blogue TDT em Portugal 6/08/2010

«Apesar de afectar uma quantidade mínima de telespectadores, a experiência piloto de Alenquer serviu para desmentir a ilusão criada por alguns de que tudo corre bem com a implantação da televisão digital terrestre em Portugal. Se não forem tomadas medidas rapidamente, quando se iniciar o encerramento dos grandes emissores, que naturalmente afectam muitos milhares de telespectadores, será a confusão generalizada. Quem disser o contrário estará a dourar a pílula.» in blogue TDT em Portugal 16/05/2011

« A RTP que tanto se tem "inspirado" na RTVE e na BBC, porque não "copia" também o exemplo desses serviços públicos que introduziram novos canais temáticos na plataforma (gratuita) da TDT?» in blogue TDT em Portugal 3/06/2009

«A RTP que siga o exemplo das suas congéneres italiana, espanhola ou inglesa … Porque será que RTVE, RAI, BBC, e tantas outras estações públicas apostam na televisão digital terrestre e a RTP não? Qual a razão? Afinal quem manda na RTP? » in blogue TDT em Portugal 26/01/2011

«…A adopção da TDT pelos portugueses terá de ser ganha e não imposta. A história ensina que quem governa contra os interesses da população acaba sempre derrotado.» in blogue TDT em Portugal 22/01/2010

«Mas a culpa não é só do Estado. A verdade é que praticamente ninguém denúncia ou critica estes comportamentos ou situações. Como é habitual, em Portugal todos esperam pela hora H para se fazerem ouvir. Mais tarde, não hão-de faltar “especialistas”, estudiosos e pretensos defensores do interesse público, que pouco ou nada tendo feito ou tentado fazer para inverter o estado das coisas, darão então a sua (já irrelevante) opinião sobre o que correu mal com a televisão digital terrestre portuguesa.» in blogue TDT em Portugal 10/02/2011

Bom 2012!

03/01/2012: As críticas sobem de tom!

Com o aproximar da data prevista para o 1º “apagão” analógico, intensificam-se as criticas à TDT. Hoje foi a vez da comissão de trabalhadores da RTP que lançou fortes críticas à forma como está a ser desenvolvida a implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal. A representante dos trabalhadores do grupo RTP classificou este processo como "um verdadeiro escândalo económico e político com graves consequências sociais a curto, médio e longo prazo". Para a CT, o primeiro erro terá sido a aceitação da PT (que vende o serviço MEO, um produto pago) como concorrente no processo de candidaturas. Vários jornais referem ainda que outro erro foi exigir-se à PTC que fosse assegurada a "cobertura de uma percentagem de território em vez de assegurar a cobertura de uma percentagem de população". Presumo que haja algum equívoco nesta afirmação, pois as metas de cobertura exigidas à PTC referem-se a percentagem de população e não de território. De qualquer forma é irrelevante, conseguir-se-ia uma cobertura mais equilibrada do país simplesmente exigindo uma maior taxa de cobertura da população.

A CT da RTP critica ainda o reduzido número de canais da TDT portuguesa, ao contrário do que acontece resto da Europa. Segundo a mesma, ao atribuir-se o desenvolvimento da plataforma de TDT à PT "está a perder-se uma oportunidade histórica para efectuar um salto gigantesco na qualidade e variedade do serviço televisivo prestado às populações". Exige um outro modelo de TDT que integre os canais que actualmente existem e os que facilmente podem ser criados e com cobertura total do território de forma a garantir um serviço público de televisão e rádio.

A CT lança ainda fortes críticas à ANACOM pois, segundo a mesma, apesar de todas as críticas e problemas apontados publicamente ao processo (não diz por quem), "faz a defesa deste modelo de TDT e dos seus intervenientes, contra tudo e contra todos". E prossegue: "tudo neste processo da TDT foi motivado, não pela defesa do bem público, mas sim pela defesa do bem privado, nomeadamente das operadoras de telecomunicações móveis".

Como os mais atentos saberão, a maioria destas criticas têm sido apontadas desde há anos neste blogue, chamando a atenção de todos para aquilo que se estava a tentar impor aos portugueses. É lamentável que só a poucos dias da data prevista para o primeiro grande “apagão” outros levantem a voz contra o que está mal há já muito tempo!

04/01/2012: PCP agendou debate urgente sobre a TDT. PS também critica e apresenta recomendação ao Governo.

A rádio TSF informa que o PCP agendou para esta quinta-feira um debate de urgência sobre a instalação da Televisão Digital Terrestre, pedindo o adiamento dos desligamentos analógicos. O PS criticou também a oferta reduzida de canais e diz que o Governo deverá avaliar se o aumento dessa oferta implica ou não o adiamento do "apagão".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nível de migração para a TDT é baixo

A pouco mais de um mês da data prevista para o desligamento de vários emissores e retransmissores de sinal analógico de televisão, a ANACOM reconhece finalmente que o nível de migração para a TDT é muito baixo, algo que venho alertando há muito tempo e que tem posteriormente sido confirmado por inquéritos.

Segundo a ANACOM, de um total estimado de 1,3 milhões de lares que serão afectados pelo fim das emissões analógicas, menos de 200 mil já mudaram para a TDT. Ainda segundo a ANACOM, dos 1,3 milhões de famílias, um milhão está na zona que terá que o fazer até 12 de Janeiro.

Tanto o número de famílias que já fizeram a mudança para a TDT como o número de famílias afectadas a 12 de Janeiro me parece exagerado. Estimo que a percentagem de lares que já recebem a TDT está ainda abaixo dos 10% (e não os 15% estimados pela ANACOM) e o número de famílias afectadas pelo “apagão” agendado para 12 de Janeiro será inferior a 1 milhão, pois importantes centros emissores (Lousã, Monte da Virgem, Montejunto e Marão) que servem uma vasta população do litoral não serão desligados a 12 de Janeiro.

Segundo Eduardo Cardadeiro, a venda de “descodificadores” está muito aquém do necessário para fazer a migração. Ainda segundo este administrador da ANACOM, aquela estima que cerca de 120 mil famílias residem em zonas onde só será possível receber o sinal digital por satélite, anunciando para breve a descida do preço do respectivo kit para cerca de 40 Euros.

Estes dados foram divulgados ontem durante o lançamento de nova campanha publicitária que custou 1,2 milhões de Euros e que já passa nas televisões (ver post anterior).

Perante esta realidade, o adiamento do “apagão” parece inevitável, como venho alertando há muitos meses, sem que nada tenha sido feito para o contrariar. E se isso vier a acontecer, a culpa não será dos consumidores, como alguns já pretendem fazer crer, mas sim de todos os responsáveis que durante anos afirmaram que tudo estava a correr bem, ignorando todos os sinais e alertas, deixando a TDT ao abandono! Que mais provas serão necessárias para que se proceda a um relançamento da TDT com uma oferta alargada de canais? Que forças ou poderes o impedem? São poderes democraticamente eleitos ou outros?

Mas mesmo perante esta realidade, tudo indica (espero estar enganado) que o Governo, em vez de tomar medidas, vai antes adoptar uma atitude de “esperar para ver”. Tal como informei há dias, o canal de notícias Euronews poderá vir a reforçar a TDT portuguesa, dependendo no entanto da evolução do “mercado” TDT. Ou seja, tudo aponta para que o Governo não vá “mexer” na TDT para já e, consoante a “adesão” dos portugueses, procederá ou não ao reforço do número de canais. Mas, se o eventual reforço de canais passar apenas pela Euronews será insuficiente e demasiado tarde.

Repito o que já disse em ocasiões anteriores e de que muitos portugueses já se deram conta. Há poderosos interesses a quem interessa que a Televisão Digital Terrestre não seja minimamente atractiva. Até aqui, todos os interesses têm sido tidos em conta menos os interesses dos telespectadores e consumidores. Uma eventual promessa vã de mais canais após o "apagão" de 2012 não passará disso, mais uma promessa, como tantas outras que não foram cumpridas! Se o switch-off for avante com esta oferta de canais, a Televisão Digital Terrestre ficará definitivamente parada no tempo.

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ANACOM lançou nova campanha publicitária à TDT

Arrancou ontem uma nova campanha publicitária para divulgação da TDT. Esta nova campanha é da responsabilidade da ANACOM e pretende explicar o processo de migração para a Televisão Digital Terrestre. Tal como o blogue TDT em Portugal informou em Julho, a campanha, que irá custar 1,2 milhões de Euros, terá três fases: a que arrancou ontem, outra entre 2 e 17 de Janeiro e a terceira entre 12 de Abril e 1 de Maio.

O spot publicitário, que já passa nas televisões, à semelhança dos anteriores, è muito pouco informativo e tão curto que se pestanejar quase não dá por ele. Mais uma vez se aposta no medo de ficar sem televisão para levar o consumidor a mudar para a TDT, uma táctica arriscada. 

Facto interessante é que a RTP terá prometido passar o anúncio mais vezes do que o contratado pela agência de publicidade responsável pela campanha. O administrador da ANACOM responsável pela introdução da TDT em Portugal Eduardo Cardadeiro, espera que as outras televisões também “cooperem” nesse sentido.

Esta “cooperação” entre a televisão do Estado e o regulador do Estado para as telecomunicações não é surpreendente, mas é tardia. Também não me surpreendia se as televisões privadas alinhassem nesta verdadeira campanha de medo. Agora que o switch-off se aproxima e, na eminência de perderem telespectadores, os responsáveis pelos canais têm motivos para estar apreensivos.

As entidades responsáveis que pouco ou nada têm feito para acelerar a migração para a TDT, parecem pois apostadas num bombardeamento dos telespectadores para evitarem o adiamento do “apagão” a todo o custo. Tivessem feito o que deveria ter sido feito há muito tempo: informação atempada e de qualidade e aumento da oferta de canais (RTP Memória e RTP Informação e até mais porque há espaço) e a maioria dos portugueses já teria mudado para a TDT. Assim, o mais provável é que seja necessário adiar o apagão, como venho alertando há largos meses. Aliás a ANACOM reconheceu finalmente que o nível de migração para a TDT é muito baixo. Não é num mês que a situação se vai inverter.

Alguns já atiram as culpas para os “malandros” dos portugueses que deixam tudo para a última hora. Mas quem menos responsabilidades tem nesta trapalhada são os consumidores que têm sido enganados e diria mesmo roubados de uma oportunidade para se fazer um salto qualitativo e quantitativo na televisão portuguesa. Vergonha para todos os que colaboram com este estado de coisas.

Video da publicidade da ANACOM



Video de um dos vários spots de publicidade à TDT espanhola


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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

TDT: "apagão" analógico na Nazaré afectou 2000 famílias

Decorreu ontem na Nazaré o terceiro e último “apagão” analógico “piloto” antes do switch-off final das emissões televisivas analógicas, agendado para 2012. Cerca das 15H30 o emissor analógico de TV foi desligado, ficando a zona da Nazaré e parte de Alcobaça apenas com sinal digital. Este desligamento do sinal analógico afecta cerca de 2000 famílias. No concelho da Nazaré, as freguesias de Famalicão, Nazaré e Valado de Frades, e, no concelho de Alcobaça, as freguesias de Alfeizerão e Cela.

Nos dias que antecederam o “apagão” a ANACOM divulgou dados de um inquérito que indicava que 90% da população dizia estar preparada para o desligamento da televisão analógica. Dois dias antes do desligamento informou ter feito chegar a todos os lares das freguesias de Famalicão (concelho da Nazaré) e de Alfeizerão (concelho de Alcobaça) uma carta a alertar para a necessidade de se prepararem para a recepção do sinal de televisão digital terrestre (TDT) via satélite (DTH), pois estas duas freguesias não têm cobertura de sinal terrestre. Isto porque, segundo o inquérito, apenas 30% dos residentes dessas freguesias diziam ter conhecimento de morar numa zona com cobertura por satélite. Os residentes destas freguesias sem acesso ao sinal terrestre terão que comprar o kit TDT Complementar fornecido em exclusivo pela Portugal Telecom.

O emissor de TDT da Nazaré está localizado na localidade do Sítio da Nazaré e a maioria dos residentes terá que reorientar a antena para receber o sinal digital.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Só 3% dos portugueses já mudaram para a TDT!

Não há como mascarar os factos, a TDT está atrasadíssima como tenho vindo a dizer há largos meses. Finalmente há dados novos sobre o grau de “adesão” à Televisão Digital Terrestre e, sem surpresa, os números são péssimos. De acordo com um estudo realizado em Setembro, apenas 3% dos portugueses sem televisão paga já fez a migração para a TDT!

Recordo que em Novembro de 2010, um inquérito revelou que apenas 1,1% dos portugueses tinha mudado para a TDT. Ou seja desde Novembro de 2010 até meados de Setembro de 2011 (data deste inquérito), apenas mais 1,9% dos portugueses mudaram para a TDT! Tal como venho comprovando no terreno, e alertando, a taxa de migração é baixíssima e não há demagogia que consiga ocultar a realidade: a introdução da TDT em Portugal está a falhar!

Como será possível iniciar o switch-off analógico (apagão) em Janeiro de 2012 (daqui por 3 meses), quando 97% dos portugueses (sem televisão paga) ainda não estão preparados para a TDT?

Alguns dados do estudo:
  • 38.3% dos inquiridos não possuem TV paga em casa;
  • 92.4% dos inquiridos sem TV paga afirmaram receber TV analógica, via antena tradicional;
  • 3% dos inquiridos sem TV paga afirmaram receber televisão digital terrestre (TDT);
  • 62% dos inquiridos sem TV paga desconhecem que em 2012 está previsto o desligamento do sinal de TV analógica terrestre ;
  • 43.9% dos inquiridos sem TV paga afirmaram que o seu televisor não é compatível com a TDT e 41.5% responderam não saber se é compatível;
  • 55.4% dos inquiridos sem TV paga responderam não saber o que fazer para ter TDT;
  • 70.4% dos participantes no inquérito sem TV paga responderam não saber se podem receber TDT;
  • 44.6% responderam não saber se é necessário adaptar antena ;
  • 37.2% dos inquiridos sem TV paga e com TV analógica terrestre responderam que pensam adquirir um televisor ou caixa descodificadora só quando for obrigatório.
Tal como escrevi em Dezembro de 2010, antes mesmo de serem publicados os dados da taxa de migração, atingiu-se na altura um ponto a partir do qual já não seria possível concretizar um processo tranquilo de transição para a Televisão Digital Terrestre e o adiamento seria praticamente inevitável. Os dados agora divulgados confirmam que, basicamente, se perdeu mais um ano!

Resta saber até quando é que os políticos vão aguardar para tomar medidas concretas. Eu, pessoalmente e através do Blogue TDT em Portugal, já apontei os erros e apresentei soluções. Espero que após a entrega do estudo sobre o conceito de serviço público de rádio e televisão pelo Grupo de Trabalho criado para o efeito pelo Governo, sejam finalmente adoptada a solução defendida há anos pelo Blogue TDT em Portugal: RTP Memória e RTP Informação na TDT

Tal como o primeiro, este estudo é da responsabilidade da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e pode ser consultado na integra aqui.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TDT: 2ª campanha publicitária arrancou hoje (act.)

Chegou hoje às televisões a nova publicidade à TDT. Dando seguimento à publicidade que passou em Março, o lema agora é a “obrigatoriedade da mudança”.

No pequeno spot publicitário repete-se a “mensagem” de que quem não tem televisão paga, se não fizer nada, irá ficar sem televisão. Mais uma vez, não se explica o porquê da mudança nem tampouco se mencionam as vantagens de mudar para a TDT. Mas compreende-se porque não se aborda as vantagens, uma vez que são quase nulas para a maioria da população! A TDT portuguesa, ao contrário de praticamente todas as congéneres, até á data, mantém a mesma oferta de canais da televisão analógica.

Tal como na primeira publicidade, sob o pretexto de se alertar para a mudança, acaba por se fazer publicidade à televisão paga! Além disso, a mensagem sugere que quem tem televisão paga não tem que se preocupar com o fim da televisão analógica, o que nem sempre é o caso. Muitas famílias têm televisão paga em um ou dois (ou três) televisores mas, dependem do sinal analógico da televisão terrestre para os restantes televisores. Logo, nem só quem não tem televisão paga será afectado.

Faltam pouco mais de 3 meses para o (suposto) inicio do apagão analógico no Continente e 10 dias para o apagão analógico das zonas servidas pelo retransmissor da Nazaré. Os dados mais recentes sobre o grau de migração para a TDT datam de Novembro de 2010 e indicam que apenas 1,1% dos portugueses sem televisão paga já mudaram para a TDT. Hoje, a tão curta distância da data programada para o início do “apagão” a nível nacional, embora superior, essa taxa deverá permanecer baixíssima. É aliás sintomático que não estejam disponíveis dados recentes, pois revelariam o enorme atraso de Portugal na migração para a televisão digital terrestre. Em contraste, tal como comentei anteriormente, a ANACOM disponibiliza trimestralmente dados estatísticos sobre televisão paga.

Ao contrário do que sucedeu com a primeira campanha, que não passou na TVI, agora, tanto a RTP como a SIC e a TVI estão a passar o spot publicitário. Aparentemente, a ANACOM (ou o Governo) conseguiram convencer a SIC e a TVI a passar esta publicidade. Será que houve contrapartidas?

Entretanto, após um aparente “descanso para férias”, a PT retomou a instalação de emissores de TDT, tendo informado da entrada ao serviço de mais dois emissores: Lagos Norte e Aldeia de Juzo. Dos 180 emissores anunciados, estão em funcionamento 171. Destes 171, 17 foram activados após 31/12/2010, data limite concedida à PT para assegurar a cobertura de 100% da população.

Video da publicidade (com Leonor Poeiras)


Video da publicidade (com Paulo Bento)


Agora um dos vários spots de publicidade à TDT espanhola. Vejam a diferenças...


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sábado, 24 de setembro de 2011

ANACOM foi ao Parlamento dar explicações sobre a TDT

Dadas as preocupantes notícias que vieram recentemente a público a propósito da implantação da Televisão Digital Terrestre (TDT), o presidente da ANACOM, José Amado da Silva deslocou-se esta semana ao Parlamento, convocado pelo PSD, a fim de prestar esclarecimentos.

Não esperava grandes resultados desta audição, mas mesmo assim conseguiu desapontar. A audição foi curta (68 minutos) e os disparates começaram logo no primeiro minuto quando o deputado Mendes Bota apontou (erradamente) 12 de Março como a data em que todo o país estará a ver Televisão Digital Terrestre, querendo naturalmente referir-se à data do “apagão” final agendado para 26 de Abril de 2012. Ninguém da ANACOM (estavam 3 responsáveis) o corrigiu.

Com duas ou três honrosas excepções os deputados deixaram transparecer que não se prepararam devidamente para os assuntos em discussão. Mas a verdadeira surpresa partiu da prestação do presidente da ANACOM. O Sr. presidente da ANACOM mais uma vez demonstrou desconhecer informações básicas sobre o processo de implementação da TDT em Portugal. Há alguns meses atrás, interpelado pelos jornalistas, não foi capaz de informar qual o valor do subsídio para a aquisição de receptores TDT para os mais carenciados. Agora não foi capaz de identificar correctamente o anterior canal de emissão da TDT (67) e ainda afirmou que após o switch-off ficariam disponíveis 60 canais, imagine-se!

Interrogado sobre a oferta de canais, diz que só depois do switch-off, porque agora não há espaço! Qual a pressa para desocupar os canais 61-69? Em Espanha continuam a ser utilizados! E os 7Mbs reservados para o Canal HD que continuam desperdiçados? Por favor...

Também afirmou que a ANACOM levou a cabo uma “campanha” de informação a aconselhar os consumidores a comprar televisores MPEG-4! Ora, se houve campanha eu não dei por ela, e recordo que foi o blogue TDT em Portugal (a 29/10/2008), após insistentes alertas e pedidos de esclarecimento, a informar em primeira mão que o Mux A da TDT iria utilizar a norma MPEG-4. Ora, a PTC ganhou o concurso TDT no início de Junho de 2008 e a ANACOM só no final de Novembro de 2008 informou (que eu saiba só no seu site) quais os requisitos mínimos necessários para os televisores e receptores receberem a TDT portuguesa. Isto conhecendo a proposta da PTC (a única) desde Abril!

Nesta audição, todas as questões foram respondidas com ligeireza pela ANACOM, o que demonstra bem a falta de preparação relativamente aos assuntos em apreciação. Veja-se a questão das antenas, que possivelmente será tão ou ainda mais sensível que a questão das caixas adaptadoras. Até hoje a ANACOM não apresentou nenhuns dados quantificando quantas teriam de ser substituídas ou reorientadas. Como se não fosse uma questão fundamental para o planeamento do desligamento.

Sobre a rede TDT passou em claro a questão de a PTC, obrigada a completar a cobertura até 31/12/2010 ainda andar a montar antenas em Julho de 2011! Se calhar as antenas instaladas depois de 31/12 são uma demonstração de generosidade por parte da PT, que está a fazer mais do que aquilo a que ficou obrigada! 

E claro, há aquele pequeno pormenor que diz que o sinal analógico não deve ser desligado sem que o sinal digital esteja disponível há pelo menos um ano(1). Ora se a PT ainda andava a montar antenas em Julho… é fazer as contas.

E decide-se a questão do adiamento ou não do “switch-off” sem divulgar dados estatísticos?! Faltam 3 meses para o (suposto) inicio do “switch-off”. Quantos portugueses já migraram para a TDT? De três em três meses a ANACOM publica estatísticas sobre o serviço de televisão por subscrição (que naturalmente continua a registar crescimento). E sobre a TDT não há dados?! E ninguém pergunta porquê?

O presidente da ANACOM disse também que a PT não está obrigada a prestar esclarecimentos sobre TDT nas suas lojas. Reproduzo aqui um extracto de uma deliberação da própria ANACOM para que cada um tire as suas conclusões:

«Tendo sido verificadas algumas deficiências na informação disponibilizada pela PT Comunicações, S. A. relativamente à atribuição de subsídio à aquisição de equipamentos de recepção de emissões TDT por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, bem como à comparticipação em equipamentos e respectiva instalação nas zonas abrangidas por meios de cobertura complementar (DTH), em 26 de Maio de 2011 o ICP-ANACOM determinou à referida empresa que:
“1. Disponibilize, de modo imediato, nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT – nomeadamente, no portal de informação web TDT, nas lojas PT e no Contact Center –, informação clara, rigorosa e completa consonante com as obrigações acima referidas, passando a referir expressamente:
(a) os casos de subsidiação à aquisição de equipamentos por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, indicando (i) os valores aplicáveis, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a subsidiação; e
(b) a existência de comparticipação na aquisição dos equipamentos e nas instalações necessárias à recepção por meios complementares de TDT (DTH), indicando (i) os respectivos valores, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a comparticipação.
... »

Mas a defesa da PT foi mais além! O presidente da ANACOM defendeu também a aceitação do pedido de revogação dos Muxs B-F da TDT pela PTC apresentando justificações sem qualquer nexo! Vejamos:

Disse o presidente da ANACOM que a PT lançou o MEO devido ao atraso do concurso da TDT (paga) devido às complicações legais (recurso da Airplus). Ora, a PT lançou o MEO (em Cabo, IPTV e satélite) em 2 de Abril de 2008, dois meses antes de serem conhecidos os resultados dos concursos da TDT! Mais, em Janeiro de 2008 (antes do inicio da data de apresentação de candidaturas aos concursos TDT) a PT já havia informado(2) que iria lançar o serviço MEO Satélite em Abril. Parece-me que só a ANACOM aceitou as justificações da PTC, o que é, digamos… “estranho”.

O presidente da ANACOM reconheceu que o assunto é sério, mas foi evasivo nas respostas. No final da audição, ainda contou uma história com barbas tentando conquistar os deputados. Pois é, a mente por vezes prega-nos partidas, é que se tivesse sido o motorista do Sr a responder às questões que lhe colocaram, provavelmente ninguém iria mesmo notar a diferença!

Julgo que cada vez fica mais claro o porquê de termos a TDT que temos e porque está na situação em que está. Felizmente alguns politicos finalmente já perceberam o que está realmente em jogo com a introdução da TDT em Portugal e começam a colocar o dedo na ferida. Sinceramente, espero que o Governo não caia no erro de se “fiar” cegamente nesta ANACOM, ou sujeita-se a ter uma surpresa muito desagradável.

1) Resolução do Conselho de Ministros n.º 26/2009
2) PT lança televisão por satélite em Abril e 'ataca' TV Cabo, JN 25/01/2008

Videos da audição ao presidente da ANACOM (5 videos)

Video 1/5

Video 2/5

Video 3/5

Video 4/5

Video 5/5


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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Madeira tem Televisão Digital grátis desde 2004!

A ANACOM é a Autoridade Nacional das Comunicações e, como tal, deveria pautar-se pelo rigor da informação que divulga, o que infelizmente com demasiada frequência não tem sido o caso, como tenho vindo a alertar. Há poucos dias actualizou o seu “Guia TDT” e ainda bem. É que o mesmo continha informação incorrecta.

No “Guia TDT” e no jornal “Notícias TDT”, o presidente da ANACOM afirmava que com a TDT as regiões dos Açores e da Madeira pela primeira vez iriam receber gratuitamente todos os canais generalistas nacionais (RTP1, RTP2, SIC e TVI). Ora não é inteiramente verdade. Relativamente à Madeira isso só é verdade relativamente à recepção terrestre. É que na Madeira, desde 2004 que praticamente todos recebem gratuitamente os canais nacionais de televisão em virtude de um protocolo entre o Governo Regional da Madeira, o Governo da República, a Cabo TV Madeirense (actual ZON Madeira) e a própria ANACOM! Isto para suprir a ausência de emissões analógicas terrestres da RTP2, SIC e TVI.

Além de não pagarem mensalidade, todos os madeirenses tiveram direito a uma comparticipação de 50 Euros (por habitação) para custear o equipamento de recepção e a instalação. No Continente (com a TDT) a comparticipação tem um limite de apenas 22 Euros (para grupos desfavorecidos), mais 22 Euros no caso de recepção da TDT via satélite. Este protocolo já foi renovado e, pelo menos até ao final de 2011, os madeirenses têm garantido o acesso gratuito a todos os canais nacionais generalistas mais a RTP Madeira. Mas além dos 5 canais, os madeirenses recebem mais canais de forma gratuita (incluindo o Disney Channel!). Pergunto: se o protocolo se mantiver em vigôr e com uma oferta alargada de canais, quantos na Madeira irão mudar para a TDT com apenas 4 canais?

Sem querer colocar em causa o mérito da iniciativa, pergunto porque razão não têm todos os portugueses direito a condições idênticas? Nos Açores também só a RTP1 e a RTP Açores emitem em analógico. E há locais no Continente onde a recepção da televisão analógica sempre foi muito deficiente. Porque razão os portugueses que têm o “azar” de morar em zonas sem cobertura de sinal TDT, têm uma “ajuda” de apenas 22 Euros (ou 44 Euros nalguns casos) para a aquisição do kit TDT Complementar? E porque não é possível optar pela recepção via satélite como acontece em alguns países?

Mas os erros não se ficam por aqui. No próprio dia em que tornou pública a primeira versão do “Guia TDT” (em Maio), alertei para o facto da informação relativa à data do “apagão” analógico da zona litoral estar incorrecta. Isto porque o desligamento de importantes emissores como a Lousã, Monte da Virgem, Montejunto e Marão está programada para 26 de Abril de 2012 e não para 12 de Janeiro, como a informação da ANACOM fazia crer. O mesmo erro foi repetido no jornal “Notícias TDT” também da ANACOM. Dizia-se na primeira versão:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: Emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura da faixa litoral do território.

A informação foi agora finalmente corrigida (embora o mapa continue a induzir em erro) e pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental. (o negrito é meu).

Como diz o ditado: mais vale tarde que nunca.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Caos na TDT – Governo pondera adiar “apagão” analógico! (act.)

Segundo noticia o jornal Expresso, o Governo está a ponderar adiar o fim das emissões de televisão analógica vulgarmente designado "apagão" ou switch-off, atrasando a mudança definitiva para a televisão digital terrestre. Alegadamente, o adiamento pretende evitar que a compra de descodificadores coincida com o corte no subsídio de Natal. O inicio do fim das emissões analógicas de TV, está agendado para 12 de Janeiro de 2012.

Mas, e esta suposição não é do Expresso, é minha, esta não deverá a única razão para o adiamento. Como tenho vido a informar (e recentemente confirmado pela DECO), a PT não está a promover e informar os consumidores sobre a TDT nas suas lojas PT Bluestore. Nem as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, que supostamente o deveriam fazer. Isto terá levado o PSD a convocar o presidente da ANACOM para prestar esclarecimentos no parlamento. Também, tanto a SIC como a TVI recusam passar a próxima publicidade à TDT, com inicio previsto para Setembro/Outubro, o que poderá indiciar uma intenção de boicote, como avancei em Maio. E o baixíssimo número de consumidores que já mudaram para a TDT, também deverá ter pesado na (alegada) decisão, sobretudo se considerarmos que faltam menos de 6 meses para a data planeada para o inicio do “apagão” analógico.

A confirmar-se a notícia, esta decisão não surpreende. Há muito que era evidente o enorme atraso português na mudança para a TDT, um atraso impossível de recuperar até Janeiro de 2012, a tempo de ser possível realizar uma transição tranquila para a televisão digital terrestre. Isso mesmo tenho vindo a dizer no blogue TDT em Portugal desde Dezembro de 2010, quando afirmei que um adiamento de pelo menos 6 meses seria inevitável. Seja qual for a justificação invocada para o (alegado) adiamento, o falhanço do plano para a introdução da Televisão Digital Terrestre em Portugal é total! Falhou a informação, falhou a promoção, falhou a implantação da rede, falhou a (mísera) oferta de canais! Infelizmente, este triste resultado era expectável antes mesmo do arranque da TDT, porque a estratégia adoptada foi a errada e o plano foi pessimamente executado.

Veremos se o Governo irá aproveitar o (alegado) adiamento da TDT para introduzir as mudanças necessárias e tornar a TDT pelo menos atraente q.b. para acelerar a mudança ou, se cede aos interesses dos canais de televisão generalista e operadores de televisão por assinatura para que os seus interesses não sejam beliscados e tudo fique como antes, forçando porventura a novo adiamento dentro de alguns meses.

8/08/2011 (actualização):
O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou hoje que o Governo irá reunir-se a 8 de Setembro com a ANACOM, PT, RTP, Impresa (SIC) e Media Capital (TVI), afím de «fazer uma avaliação rigorosa e sensata» do projecto da TDT, após a qual tomará uma decisão. 

9/09/2011 (actualização):
A reunião decorreu ontem e teve a duração aproximada de 3 horas. Não há ainda qualquer novidade a reportar. No entanto, relativamente à questão do adiamento do "apagão" analógico, Francisco Pinto Balsemão (SIC) afirmou ao Jornal de Negócios que os operadores de televisão não pediram o adiamento do "switch off". Ora, o ministro Miguel Relvas havia dito que quando tomou posse foi contactado por operadores de TV que pediam o adiamento do "switch off". Um aparte: a ideia do Canal HD partilhado entre os operadores partiu de Francisco Pinto Balsemão. O Canal nunca emitiu nos moldes previstos, alegadamente devido à falta de acordo entre os operadores.

Quanto à falta de decisão a respeito do possível adiamento, não constitui surpresa, pois anunciá-lo agora atrasaria ainda mais o processo de migração para a TDT. Dado o enorme atraso de Portugal, o adiamento é muito provável mas só deverá será anunciado pouco antes do inicio da data prevista para o início do switch off. O que realmente interessa saber é se o Governo irá tomar medidas para acelerar o processo de migração, e se sim quais e quando, ou se vai esperar para a véspera do "switch off" para fazer alguma coisa. Informo ainda que o blogue TDT em Portugal enviou ao Sr. ministro Miguel Relvas uma exposição documentada da situação da TDT em Portugal, recordando também a petição pela emissão da RTP Memória e RTP-N na TDT em canal aberto.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

ANACOM distribui jornal sobre a TDT

A ANACOM informa que durante a corrente semana irá proceder à distribuição nacional do jornal “TDT Notícias”, publicação gratuita editada por si e com o objectivo declarado de informar os portugueses sobre o processo de mudança para a televisão digital terrestre. O “TDT Notícias” será ainda distribuído juntamente com as revistas “TV 7 Dias” e “TV Guia”.

A edição electrónica do referido “jornal” já está disponível para consulta. Sem surpresa, mais do que informar, a referida publicação parece-me ser essencialmente um instrumento de propaganda da estratégia adoptada para a implantação da TDT em Portugal. Recordo que a estratégia que está  a ser seguida em Portugal fracassou em vários países por não ter em consideração as aspirações e interesses dos consumidores e obrigou ao relançamento da televisão digital terrestre.

A referida publicação repete a avaliação irrealista, já conhecida, dos processos de encerramento “piloto” de Alenquer e Cacém, apresentando mesmo números errados, como já referi em post anterior. Tal como chamei à atenção em Agosto de 2010, os retransmissores seleccionados para os desligamentos piloto abrangem zonas muito limitadas onde a taxa de adesão aos serviços de televisão paga é altíssima (93% no caso do Cacém). Apesar dos vários tipos de problemas retratados por algumas reportagens, esta autoridade insiste em classificar os desligamentos como um sucesso. Mas seria de esperar outra conclusão quando a ANACOM é juiz em causa própria?

A ilusão continua quando se aborda os adaptadores (receptores TDT) necessários para tornar a esmagadora maioria dos televisores compatível com a TDT portuguesa. A maioria dos equipamentos à venda não oferece uma qualidade global boa, o que nalguns casos pode mesmo comprometer a qualidade da recepção e/ou a comodidade na visualização dos programas.

A qualidade da informação ao consumidor sofre novo “rombo” quando mais uma vez se transmite a ideia (já corrigida pelo blogue TDT em Portugal) que o litoral do país ficará sem televisão analógica a 12 de Janeiro de 2012, omitindo que a maioria dos principais emissores que cobrem o litoral, só serão desligados a 26 de Abril de 2012, como é o caso do Monte da Virgem, Marão, Lousã e Montejunto, que abrangem uma área enorme.

De referir que a Anacom abriu também concurso para a impressão, embalamento e distribuição nacional do “Guia TDT” que deverá ocorrer entre 17 e 21 de Outubro.

Não irá portanto faltar papel na caixa do correio dos portugueses! Poderá é faltar “papel” na carteira de muitos, quando chegar a hora de comprar dois, três ou mais adaptadores e pagar a “actualização” da instalação de antena que muitos terão que fazer. Tudo para poder continuar a ver apenas e só aquilo que sempre se pode ver. O povo cala-se, terá o que merece...

Enviar toda esta papelada para quase todos os endereços de Portugal deverá custar muito dinheiro. Pena que a ANACOM não tenha destinado uma pequena verba para informar nas TV’s sobre a entrada em funcionamento dos emissores TDT ou da alteração da frequência da TDT. O blogue TDT em Portugal tem recebido vários pedidos de ajuda devido ao desconhecimento da alteração da frequência da TDT. Deixo aqui, a titulo de exemplo, o agradecimento de uma leitora que perante a perda do sinal recorreu ao blogue TDT em Portugal.

Boa noite,
Quem não percebe muito tem que pedir ajuda. Mas, felizmente alguém se lembrou de criar um blogue tão útil.
Se voltar a acontecer, vou ler o blogue da TDT.
Obrigada.
Edite

O "jornal" "TDT Notícias" pode ser consultado aqui.

16/09/2011:

A ANACOM parece ter finalmente aceitado que a informação relativamente ao switch-off na zona litoral do país não estava correcta (como venho alertando) e procedeu a uma actualização do Guia TDT. Pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012 (emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental).

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

TDT: Apagão no Cacém deixou 1000 famílias sem televisão (act.)

Foi hoje concretizado o segundo “apagão” da televisão analógica portuguesa. Pelas 11h30m da manhã técnicos da PTC desligaram o retransmissor de televisão analógica do Cacém, que transmitia a RTP1, RTP2, SIC e TVI para as localidades de Cacém, Agualva, Belas, Massamá, Mira-Sintra, Rio de Mouros e S. Pedro de Penaferim. No ecrã dos televisores pode agora ver-se unicamente um aviso do encerramento das emissões. Nestas localidades, para continuar a ver os 4 canais com qualidade e sem pagar assinatura, só através da TDT.

Segundo informação da ANACOM (a entidade responsável), devido ao desligamento do retransmissor, cerca de mil famílias perderam acesso aos 4 canais de televisão. De acordo com dados avançados em Maio também pela ANACOM, estas mil famílias representam metade do total de famílias afectadas pelo desligamento do retransmissor do Cacém. Ou seja, metade dos residentes sem contrato de televisão por assinatura ficou sem televisão! O meu aviso relativamente à necessidade de retirar ensinamentos da experiência de Alenquer e tomar medidas de correcção, comprova-se que fez todo o sentido.

Metade dos cidadãos afectados pelo desligamento terem ficado sem acesso à televisão é inaceitável e prova evidente do falhanço da estratégia adoptada para a televisão digital terrestre portuguesa e que denunciei logo em 2008.

A “experiência” do Cacém, apesar de afectar um número relativamente baixo de habitantes, comprova, mais uma vez, que há muito a fazer para que os desligamentos previstos para 2012 decorram sem sobressaltos. E os políticos têm motivos para ficar preocupados! A desculpa que ouvi hoje do responsável máximo pela TDT é típica: nós fizemos tudo para informar as pessoas… Uma ova!

O processo de introdução da televisão digital terrestre em Portugal tem desde o inicio sido uma verdadeira anedota de mau gosto. Estava já mais que provado que é necessário motivar as pessoas para aderir à TDT. E isso só poderá acontecer introduzindo algo de valor para todos os cidadãos ou seja, aumentando a oferta de programas. Até o próprio director da RTP Memória já defende a disponibilização do canal em sinal aberto! Em 2009 fui o autor de uma petição que propunha isso mesmo: trazer a RTP Memória e a RTP-N para a TDT, à semelhança do que já aconteceu em inúmeros países.

É por esta TDT não trazer nada de substancialmente novo e ter custos elevados que a resistência em aderir é tão grande. Os portugueses têm toda a razão em estar de pé atrás, esta TDT é um mau "negócio" para a maioria dos cidadãos. È aliás, pelo facto da TDT portuguesa não trazer praticamente nada de novo, que a publicidade que passa na TV aposta no sentimento de perda para levar as pessoas a aderir. Ou seja, você com a TDT não ganha nada, mas se não aderir vai perder o que já tem! Com esta TDT ganham todos, menos o “vulgar” cidadão, como já expliquei em post anterior.

Terá então o Estado alguma moral para cortar desta forma o acesso à televisão, que para muitos é a única fonte de distracção? Não! Os residentes de Agualva-Cacém e localidades vizinhas são as cobaias inocentes, vitimas dum processo desgovernado, inquinado desde o inicio e sem final feliz à vista. Governo, regulador, operador da rede e canais de televisão são os principais responsáveis. Quando esta trapalhada terminar alguns dos intervenientes no projecto TDT deveriam pensar duas vezes se deverão ou não colocar no seu Curriculum a participação em tão mal concebido e executado plano. Eu teria vergonha.

Agora terão sido 1000 as famílias que ficaram sem televisão mas, a continuarmos com esta vergonha nacional e internacional chamada TDT portuguesa, daqui a alguns meses não serão mais mil famílias, serão largas dezenas ou centenas de milhar que ficarão sem televisão. Tenho esperança que impere o bom senso.

23/06/2011:
Sem surpresa e à semelhança do que aconteceu em Alenquer, a ANACOM afirma que a migração para a TDT no Cacém foi um sucesso. A ANACOM baseia a sua conclusão com dados obtidos no seu posto de atendimento, na linha telefónica da TDT e nas oito juntas de freguesia. Apesar de ter afirmado que 1000 famílias poderiam ficar sem televisão, segundo a ANACOM, no dia do "apagão" (16-06) foram "detectadas" apenas 120 famílias sem televisão. Portanto, quem ficou sem televisão e não se "queixou" a estas entidades não conta. Moral da história: quem cala consente!

Apesar de considerar que o processo foi bem sucedido, a ANACOM alerta para o facto de as pessoas deixarem para a última hora a resolução do problema. Mas será que é de estranhar que as pessoas adiem para a última hora a transição para a TDT quando, por exemplo, a rede de emissores, que deveria estar pronta desde o início do ano, continua em dito "reforço de cobertura"? E quando dos 25 adaptadores TDT "testados" (com o patrocínio da ANACOM) apenas 3 são considerados (à justa) com boa qualidade?

Como venho dizendo, a ANACOM, em vez de transmitir aos políticos (e ao público) uma avaliação realista do processo, insiste em prosseguir a sua política de fuga para a frente tentando fazer crer que tudo está bem, não havendo portanto motivos para questionar o processo. Em Janeiro de 2012 veremos se a táctica resulta.


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sábado, 28 de maio de 2011

TDT: adiamento do fim da televisão analógica no horizonte (actual.)

Em Dezembro de 2010 comentei que, devido à baixíssima adesão à TDT, a tão pouco tempo das datas definidas para o switch-off analógico, o adiamento do encerramento das emissões analógicas seria inevitável. Pois bem, agora praticamente em Junho de 2011, há novos factos, que a meu ver tornarão o adiamento quase certo.

A situação pouco evoluiu desde o inicio do ano quando se soube que apenas 1,1% dos portugueses sem serviços de televisão paga tinha aderido à TDT. Esta situação era perfeitamente previsível, dadas as opções que vêem sendo tomadas e que tenho insistentemente criticado desde a primeira hora. Como afirmei em Dezembro de 2010, será impensável que tanto aos canais de TV (RTP, SIC e TVI) fiquem sem boa parte dos seus telespectadores, como que os telespectadores fiquem sem acesso aos seus canais de TV. O custo político seria enorme e nenhum Governo com o mínimo de bom senso permitiria que tal acontece-se!

Vaticinei o adiamento do fim das emissões analógicas ainda antes de ser conhecido o adiamento dos encerramentos piloto. Desde então novos desenvolvimentos tornam o adiamento do desligamento dos principais emissores cada vez mais provável.

De acordo com o plano para a cessação das emissões analógicas, um emissor não poderá ser desligado sem que a população abrangida seja servida há mais de um ano por emissões de televisão digital terrestre. Como o Blogue TDT em Portugal tem informado, a rede de emissores, que deveria ter ficado completa até 31/12/2010, ainda não está terminada. Só este facto justifica um adiamento de pelo menos 6 meses na data do desligamento dos emissores analógicos. Talvez por esse motivo o administrador da Anacom responsável pela TDT tenha afirmado que a rede TDT ficou pronta em 2010, quando o Blogue TDT em Portugal tem demonstrado que não ficou.

Recordo que a CPMCS (que agrega os operadores de TV) também já teceu criticas quanto ao andamento da TDT. Mas talvez o mais preocupante é o facto da TVI (Media Capital) estar aparentemente a assumir uma posição de ruptura com o regulador (e o Governo). Tanto assim que a publicidade à TDT não passa na TVI!

Mais, a Media Capital ainda detém uso de uma rede própria de emissores de televisão analógica (RETI), apesar de ter negociado a sua alienação à PT pouco antes de abrirem os concursos para a TDT. A rede de emissores é gerida pela PT, mas continua propriedade da Media Capital (dona da TVI) e só após o desligamento analógico passará a ser propriedade da PT. Não conhecendo os termos exactos do negócio, não é de excluir a possibilidade da TVI ter acautelado a sua posição e decidir boicotar o desligamento analógico, continuando a emissão em analógico, caso entenda que não estejam reunidas todas as condições para o encerramento das emissões em analógico. Embora remota, a possibilidade do negócio não se concretizar está prevista no contrato. Se a TVI decidir boicotar os desligamentos, SIC e RTP iriam atrás. Seria o mais claro sinal do fracasso da “estratégia” de implementação da televisão digital terrestre em Portugal.

Tal como já comentei, recordo que ao contrário do que alguns responsáveis pretendem fazer crer, não existe obrigação de Portugal encerrar as emissões de televisão analógica em 2012. Existe apenas uma recomendação da Comunidade Europeia. E, apesar da maioria dos países europeus ter decidido encerrar as emissões de televisão analógica até 2012, nem todos o irão fazer. Como já comentei, a Polónia decidiu só encerrar as emissões analógicas até 31/07/2013. Só em Junho de 2015 desaparece a protecção às emissões analógicas, ou seja, as emissões analógicas, se necessário, poderiam prolongar-se até 2015. Claro que isso não irá acontecer pois o Estado tem pressa em libertar espectro para leiloar e os operadores de telecomunicações têm pressa em utilizá-lo para ganhar dinheiro. Só não houve pressa em arrancar a sério com a TDT oferecendo de facto alguma coisa em troca ao consumidor!

Dado o baixíssimo nível de adesão à TDT, ou o futuro Governo trata de aumentar a oferta de canais (como tenho reclamado e já deveria ter acontecido há anos), ou ver-se-á obrigado a custear a 100% o custo dos adaptadores TDT. De qualquer forma, o adiamento do desligamento das emissões analógicas em pelo menos 6 meses parece ser um dado adquirido.

27/07/2011:
Confirma-se a recusa da TVI em participar na campanha de "publicidade" da TDT, tal como referi em 28 de Maio.
Agora é o jornal Correio da Manhã que noticia o facto da TVI não ter participado na primeira campanha publicitária que se iniciou em Março. O jornal afirma ainda que, segundo a ANACOM, apenas a RTP aceitou participar em futuras campanhas. A campanha de publicidade à TDT nas TV's foi planeada para duas fases, estando previsto que a segunda fase arranque em Setembro ou Outubro. A mensagem desta segunda fase será a obrigatoriedade da mudança.

3/10/2011:
A ANACOM ou o Governo terão conseguido convencer a TVI e a SIC a passar a segunda campanha de publicidade à TDT nos seus canais. Os spots publicitários estão a passar (pelo menos) na RTP1, SIC e TVI.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

TDT: apagão em Alenquer exige reflexão

O apagão analógico em Alenquer foi há poucos dias, mas já é possível retirar algumas conclusões e lições para o futuro. O Blogue TDT em Portugal recebeu vários testemunhos de profissionais e habitantes de Alenquer que ajudam a compreender como decorreu realmente a primeira experiência de passagem da televisão analógica para a televisão digital.

Tal como tinha previsto, o “apagão” analógico em Alenquer afectou um número reduzidíssimo de telespectadores (300 familias segundo um responsável do Governo). Segundo um instalador local, a zona afectada foi unicamente a parte mais baixa da Vila de Alenquer e só de um lado da encosta e mesmo assim, nem todos deixaram de receber a televisão analógica. Apesar de ter um emissor analógico dedicado, a maioria da população da vila não tem as suas antenas para lá orientadas porque o mesmo não emite a TVI. A maioria dos residentes tem as antenas orientadas para o emissor de Montejunto e não foram portanto afectados pelo desligamento do emissor de Alenquer.

A falta de informação e confusão foram evidentes. Na véspera do desligamento do sinal analógico muitos residentes, quando entrevistados, ainda desconheciam o que é a TDT! Outro instalador da zona informou o Blogue TDT em Portugal que recebeu incessantemente telefonemas, até altas horas, de pessoas residentes em aldeias do concelho não afectadas pela mudança, convencidas que iriam ficar sem televisão no dia 12. Claramente, a informação correcta não chegou aos destinatários. Parece não ter havido o cuidado de informar as pessoas de que quem recebia o sinal proveniente do emissor de Montejunto não seria afectado. O “ataque” cerrado de agentes de operadoras de televisão paga, que começaram o seu “trabalho” bastante tempo antes de arrancar a campanha da Anacom, também não deverá ter ajudado.

Outro aspecto que ficou evidente é a falta de qualidade das instalações de antena existentes em casa de muitos telespectadores. Tanto a Anacom como a PTC têm desvalorizado este problema, fazendo passar a ideia que para receber a TDT basta trocar de televisor ou comprar um receptor TDT e ligá-lo. Quem anda no terreno sabe que em grande medida, em boa parte do país, isso não passa de pura ficção! Há imensos casos em que a televisão analógica não se recebe bem, porque simplesmente as instalações estão mal feitas ou estão deterioradas. E há de tudo: utilização de antenas desadequadas, antenas mal orientadas, má utilização de amplificadores, etc. Muitos telespectadores nem sequer sabem de que emissor recebem o sinal, como aliás ficou evidente em Alenquer!

Na grande maioria destes casos, a passagem para o digital vai tornar ainda mais evidentes essas deficiências, mais ainda devido ao tipo de rede DVB-T utilizada no Continente e as consequentes limitações da potência de emissão a que obriga.

Apesar de afectar uma quantidade mínima de telespectadores, a experiência piloto de Alenquer serviu para desmentir a ilusão criada por alguns de que tudo corre bem com a implantação da televisão digital terrestre em Portugal. Se não forem tomadas medidas rapidamente, quando se iniciar o encerramento dos grandes emissores, que naturalmente afectam muitos milhares de telespectadores, será a confusão generalizada. Quem disser o contrário estará a dourar a pílula.

O próximo desligamento da televisão analógica terá lugar a 16 de Junho em Agualva-Cacém, uma zona onde também é possível captar emissores analógicos alternativos.

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quinta-feira, 12 de maio de 2011

Alenquer fica sem TV analógica: 1º desligamento é hoje

Alenquer tornar-se-á a partir de hoje na primeira localidade portuguesa a ficar sem o “antigo” sinal de televisão analógica que chega a casa da maioria dos portugueses. O emissor de sinal analógico de Alenquer será desligado às 11H30 e, para continuar a ver os quatro canais (RTP1, RTP2, SIC e TVI) com qualidade de imagem, só através da Televisão Digital Terrestre que já emite os canais a partir do mesmo local mas em sistema digital DVB-T.

O desligamento do sinal analógico em Alenquer segundo o Secretário de Estado do MOPTC irá afectar apenas 300 famílias e será o primeiro de três ensaios que antecedem o inicio da fase de desligamento geral das emissões analógicas de televisão no nosso país, cujo inicio está marcado para 12 de Janeiro do próximo ano. Segundo dados da Anacom, em Alenquer 82% dos residentes tem televisão paga, apenas 16% dos televisores não estão preparados para a TDT e 80% das famílias que precisam de fazer adaptações para a TDT são beneficiárias potenciais do programa de subsidiação. Alenquer não é portanto de modo algum representativa da realidade portuguesa, como aliás chamei à atenção em Agosto de 2010:

Creio pois que o desligamento nestes locais não vai permitir um verdadeiro teste ou ensaio para os desligamentos de 2012. Mais parece que a verdadeira intenção desta escolha foi causar o menor impacto possível junto da população e, mais uma vez, não encarar de frente os problemas que a TDT portuguesa enfrenta: preço dos adaptadores e oferta de canais. Assim, espera-se que estes "pilotos" sejam mais um "sucesso" para os responsáveis políticos. In Blog TDT em Portugal 6/08/2010

Na vila dois quiosques ambulantes de duas empresas prestam informações e vendem as caixas receptoras necessárias para adaptar os televisores não preparados para a nossa TDT. A procura não é muita, dizem. As pessoas procuram sobretudo esclarecimentos.

Para receber a TDT a partir do emissor de Alenquer será necessário:
  • Ter antena adequada e preferencialmente orientada ao emissor de Alenquer;
  • Possuir televisor com sintonizador DVB-T MPEG4/H.264 ou utilizar um receptor TDT DVB-T/H.264 conectado entre o televisor e a antena;
  • Realizar uma pesquisa automática de canais ou sintonizar manualmente o canal 56 (frequência 754000Khz), largura de banda 8Mhz.
Note-se que poderão ser afectados não só os residentes de Alenquer, mas também de algumas localidades próximas que eventualmente recebam o sinal analógico a partir do emissor de Alenquer. Nalguns casos poderá ser possível continuar a receber o sinal analógico (embora não nas melhores condições) reorientando a antena e resintonizando os canais.

No decorrer de 2011 haverá ainda mais dois ensaios: Agualva-Cacém (16/06) e Nazaré (13/10). O encerramento dos últimos emissores está marcado para 26 de Abril de 2012.

De notar que na véspera do desligamento do sinal analógico o presidente da Associação Nacional de Municípios voltou a pedir ao Governo o adiamento da TDT, desta vez com o apoio do PSD, que se diz preocupado com o prejuízo que o "apagão" analógico pode causar na campanha eleitoral. Pois é, os políticos só se lembram de “defender” as populações quando precisam do seu voto. Defender mais canais na TDT, fiscalizar o cumprimento de promessas e o respeito pelos prazos acordados, isso não fazem. Ignoraram alertas e deixaram a TDT portuguesa seguir pelo caminho errado, completamente manipulada por lobbies mesquinhos mas poderosos, e agora que se aproxima a Hora H, a solução que apresentam é adiar! Mas o adiamento é mesmo cada vez mais provável, como já justifiquei em Dezembro de 2010. Aliás, a cada dia que passa o adiamento do inicio do processo de desligamento dos principais emissores analógicos, marcado para 12 de Janeiro de 2012, torna-se mais provável.

O blogue TDT em Portugal gostaria de recolher impressões sobre o processo de transição a decorrer em Alenquer. Se é residente na zona afectada agradeço o seu comentário ou o envio de mensagem para o correio electrónico tdtportugal@gmail.com. Não deixe que manipulem a realidade, diga de sua justiça!

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