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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Falhas na recepção da TDT têm origens múltiplas

Desde que arrancaram as emissões de Televisão Digital Terrestre, as questões relacionadas com a recepção do sinal têm motivado um interesse crescente, o que é compreensível. A tecnologia utilizada é bastante mais exigente quanto à qualidade das instalações de recepção e coloca novos desafios aos técnicos instaladores. Embora o blogue TDT em Portugal não seja um consultório técnico, tenho dedicado vários posts aos assuntos mais técnicos tentando utilizar uma linguagem o mais acessível possível. Muitos leitores e instaladores têm partilhado experiências, muitas vezes queixando-se de problemas na recepção do sinal. Muitos mostram-se decepcionados, pois dizem que, “afinal não é só ligar e já está, como diz a publicidade”.

Como tenho escrito, as causas dos problemas podem ser de vária ordem e muitas vezes não têm origem na emissão de TDT mas sim nos sistemas de recepção que não estão devidamente adaptados ao novo sinal. Muitas antenas são simplesmente instaladas “a olho”, orientadas para o emissor mais próximo quando em muitos casos o emissor mais próximo não é a melhor opção. Noutros casos simplesmente não há condições para se obter uma recepção fiável e a solução é a recepção da TDT por satélite. No entanto, de facto, algumas falhas na recepção do sinal TDT têm origem na rede de distribuição/emissão do sinal. Estas falhas traduzem-se em pixelizações e congelamento da imagem(*) ou até à interrupção momentânea da emissão. Importa dizer que não existe uma rede perfeita, as falhas fazem parte da equação.

A rede de TDT utilizada em Portugal é operada e propriedade da PT Comunicações. No Continente e na Madeira foi adoptada a tipologia SFN (rede de frequência única), o que significa que todos os emissores utilizam a mesma frequência (canal 56 no Continente e canal 54 na Madeira). Este facto apresenta vantagens mas também algumas desvantagens importantes! A vantagem principal reside no facto de se poupar imenso espectro, pois apenas se utiliza um único canal de emissão. No entanto, para que todos os emissores utilizem a mesma frequência são necessários cuidados extremos no planeamento e execução da rede para que se garanta a máxima disponibilidade possível do sinal, ou seja, para se conseguir uma recepção com o menor número possível de falhas. Para que todos os emissores possam utilizar a mesma frequência, o sinal é emitido obedecendo a um parâmetro chamado “Intervalo de Guarda”, que permite a sobreposição de sinais provenientes de vários emissores desde respeitem uma distância máxima entre si, que no Continente é de aprox. 67Km.

Como disse, as falhas de sinal podem ter várias causas, tanto no lado da recepção como no lado da emissão. A rede que vem sendo implementada tem-me suscitado algumas reservas, nomeadamente relativamente à localização escolhida e potência de alguns dos emissores, especialmente na faixa do Litoral entre a Figueira da Foz e o Porto, dado que é uma zona onde com alguma frequência (sobretudo no Verão) as condições de propagação podem mais que duplicar o alcance dos emissores, criando naturalmente interferências destrutivas que podem impossibilitar a recepção correcta do sinal.

Já disse que na minha opinião esta rede teve por base essencialmente critérios economicistas. Tenho guardado a maioria dessas reservas para mim mesmo uma vez que a rede ainda não estava completa, o que parece ser agora o caso. Recordo que a rede TDT obedece a um plano técnico apresentado pela PTC na fase de concursos. A PTC deve cumprir esse plano e, caso pretenda introduzir alterações, tem que as submeter à aprovação da ANACOM. Ora, curiosamente, as potências de emissão dos emissores TDT divulgadas pela ANACOM sofreram recentemente em muitos casos aumentos significativos sem que haja conhecimento de algum pedido nesse sentido e respectiva autorização por parte da ANACOM. Como já comentei, isso não quer dizer que as potências tenham de facto aumentado, pois pode dar-se o caso das potências anteriormente divulgadas estarem erradas. Aliás, recebo vários emissores e não notei variação na potência de emissão, embora isso também não seja garantia absoluta que ela não tenha ocorrido. Caso tenham de facto ocorrido os aumentos de potência relativamente ao plano inicial, sem que tenham sido adoptadas outras alterações, isso terá forçosamente um impacto significativo no comportamento da rede, especialmente tendo em conta o que escrevi mais acima. Mas, como escrevi há muito tempo atrás, tão importante como conhecer a localização e potência de emissão dos emissores é conhecer o seu diagrama de irradiação, um dado que quer a PTC quer a ANACOM não facultam.

Do lado da emissão as falhas podem ter várias origens: na cabeça de rede (em Monsanto), na rede de distribuição e nos emissores. Falhas com origem na cabeça de rede serão necessariamente propagadas por toda a rede e serão reproduzidas em todos os equipamentos de recepção. Falhas na rede de distribuição afectam a parte da rede imediatamente a seguir ao local da falha. Uma falha num emissor afecta a zona servida por esse emissor mas, consoante o tipo de problema, pode afectar também outras zonas que o seu sinal alcance.

É convicção minha que muitos dos problemas de recepção têm origem em falhas na rede de distribuição do sinal. Os emissores são alimentados por rede de fibra óptica ou rádio frequência, consoante a disponibilidade no site. Todos os emissores têm, num dado momento, de emitir exactamente o mesmo conteúdo, bit por bit. Caso isso não aconteça em algum emissor devido a uma falha momentânea na rede de distribuição, perante a rede SFN o sinal desse emissor comporta-se como sinal interferente, com efeito destrutivo, podendo naturalmente afectar a recepção do sinal TDT em zonas abrangidas por outros emissores, mesmo que elas ainda estejam dentro do intervalo de guarda! Uma discrepância na configuração de um emissor pode também causar efeitos semelhantes.

Naturalmente, são situações que requerem uma investigação meticulosa e deveriam merecer a atenção da PTC e da ANACOM o que aparentamente não tem acontecido. Dada a forma "trapalhona" como a rede tem sido implementada não me surpreendia se não existisse qualquer tipo de monitorização das emissões.

É aliás um problema que não afecta só as emissões TDT. A distribuição do sinal de rádio da RDP é também da responsabilidade da PTC e tem sofrido problemas semelhantes (embora parte da rede seja diferente) que duram há vários anos, tendo eu também escrito a esse respeito. Neste caso a RDP atira as responsabilidades para a PTC e a PTC atira as responsabilidades para a RDP!

Volto a frisar que muitos dos problemas de recepção da TDT devem-se a deficiências nas instalações de recepção dos telespectadores e podem ser facilmente corrigidos. Apesar das falhas ocasionais, a qualidade de imagem dos quatro canais (RTP1, RTP2, SIC e TVI) através da recepção da TDT por antena terrestre é actualmente superior à qualidade de imagem desses canais obtida através dos serviços de televisão via satélite.

* estas falhas são muitas vezes causadas por interferências causadas ao sinal no local de recepção.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nível de migração para a TDT é baixo

A pouco mais de um mês da data prevista para o desligamento de vários emissores e retransmissores de sinal analógico de televisão, a ANACOM reconhece finalmente que o nível de migração para a TDT é muito baixo, algo que venho alertando há muito tempo e que tem posteriormente sido confirmado por inquéritos.

Segundo a ANACOM, de um total estimado de 1,3 milhões de lares que serão afectados pelo fim das emissões analógicas, menos de 200 mil já mudaram para a TDT. Ainda segundo a ANACOM, dos 1,3 milhões de famílias, um milhão está na zona que terá que o fazer até 12 de Janeiro.

Tanto o número de famílias que já fizeram a mudança para a TDT como o número de famílias afectadas a 12 de Janeiro me parece exagerado. Estimo que a percentagem de lares que já recebem a TDT está ainda abaixo dos 10% (e não os 15% estimados pela ANACOM) e o número de famílias afectadas pelo “apagão” agendado para 12 de Janeiro será inferior a 1 milhão, pois importantes centros emissores (Lousã, Monte da Virgem, Montejunto e Marão) que servem uma vasta população do litoral não serão desligados a 12 de Janeiro.

Segundo Eduardo Cardadeiro, a venda de “descodificadores” está muito aquém do necessário para fazer a migração. Ainda segundo este administrador da ANACOM, aquela estima que cerca de 120 mil famílias residem em zonas onde só será possível receber o sinal digital por satélite, anunciando para breve a descida do preço do respectivo kit para cerca de 40 Euros.

Estes dados foram divulgados ontem durante o lançamento de nova campanha publicitária que custou 1,2 milhões de Euros e que já passa nas televisões (ver post anterior).

Perante esta realidade, o adiamento do “apagão” parece inevitável, como venho alertando há muitos meses, sem que nada tenha sido feito para o contrariar. E se isso vier a acontecer, a culpa não será dos consumidores, como alguns já pretendem fazer crer, mas sim de todos os responsáveis que durante anos afirmaram que tudo estava a correr bem, ignorando todos os sinais e alertas, deixando a TDT ao abandono! Que mais provas serão necessárias para que se proceda a um relançamento da TDT com uma oferta alargada de canais? Que forças ou poderes o impedem? São poderes democraticamente eleitos ou outros?

Mas mesmo perante esta realidade, tudo indica (espero estar enganado) que o Governo, em vez de tomar medidas, vai antes adoptar uma atitude de “esperar para ver”. Tal como informei há dias, o canal de notícias Euronews poderá vir a reforçar a TDT portuguesa, dependendo no entanto da evolução do “mercado” TDT. Ou seja, tudo aponta para que o Governo não vá “mexer” na TDT para já e, consoante a “adesão” dos portugueses, procederá ou não ao reforço do número de canais. Mas, se o eventual reforço de canais passar apenas pela Euronews será insuficiente e demasiado tarde.

Repito o que já disse em ocasiões anteriores e de que muitos portugueses já se deram conta. Há poderosos interesses a quem interessa que a Televisão Digital Terrestre não seja minimamente atractiva. Até aqui, todos os interesses têm sido tidos em conta menos os interesses dos telespectadores e consumidores. Uma eventual promessa vã de mais canais após o "apagão" de 2012 não passará disso, mais uma promessa, como tantas outras que não foram cumpridas! Se o switch-off for avante com esta oferta de canais, a Televisão Digital Terrestre ficará definitivamente parada no tempo.

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ANACOM lançou nova campanha publicitária à TDT

Arrancou ontem uma nova campanha publicitária para divulgação da TDT. Esta nova campanha é da responsabilidade da ANACOM e pretende explicar o processo de migração para a Televisão Digital Terrestre. Tal como o blogue TDT em Portugal informou em Julho, a campanha, que irá custar 1,2 milhões de Euros, terá três fases: a que arrancou ontem, outra entre 2 e 17 de Janeiro e a terceira entre 12 de Abril e 1 de Maio.

O spot publicitário, que já passa nas televisões, à semelhança dos anteriores, è muito pouco informativo e tão curto que se pestanejar quase não dá por ele. Mais uma vez se aposta no medo de ficar sem televisão para levar o consumidor a mudar para a TDT, uma táctica arriscada. 

Facto interessante é que a RTP terá prometido passar o anúncio mais vezes do que o contratado pela agência de publicidade responsável pela campanha. O administrador da ANACOM responsável pela introdução da TDT em Portugal Eduardo Cardadeiro, espera que as outras televisões também “cooperem” nesse sentido.

Esta “cooperação” entre a televisão do Estado e o regulador do Estado para as telecomunicações não é surpreendente, mas é tardia. Também não me surpreendia se as televisões privadas alinhassem nesta verdadeira campanha de medo. Agora que o switch-off se aproxima e, na eminência de perderem telespectadores, os responsáveis pelos canais têm motivos para estar apreensivos.

As entidades responsáveis que pouco ou nada têm feito para acelerar a migração para a TDT, parecem pois apostadas num bombardeamento dos telespectadores para evitarem o adiamento do “apagão” a todo o custo. Tivessem feito o que deveria ter sido feito há muito tempo: informação atempada e de qualidade e aumento da oferta de canais (RTP Memória e RTP Informação e até mais porque há espaço) e a maioria dos portugueses já teria mudado para a TDT. Assim, o mais provável é que seja necessário adiar o apagão, como venho alertando há largos meses. Aliás a ANACOM reconheceu finalmente que o nível de migração para a TDT é muito baixo. Não é num mês que a situação se vai inverter.

Alguns já atiram as culpas para os “malandros” dos portugueses que deixam tudo para a última hora. Mas quem menos responsabilidades tem nesta trapalhada são os consumidores que têm sido enganados e diria mesmo roubados de uma oportunidade para se fazer um salto qualitativo e quantitativo na televisão portuguesa. Vergonha para todos os que colaboram com este estado de coisas.

Video da publicidade da ANACOM



Video de um dos vários spots de publicidade à TDT espanhola


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Falta de cobertura atrasa migração para a TDT

A dificuldade de acesso ao sinal TDT é referida por muitos leitores do blogue TDT em Portugal como a razão pela qual ainda não mudaram para a Televisão Digital Terrestre. A ausência de atractivos (mais canais) é, sem surpresa e com largo avanço, a razão principal.

De acordo como a licença de utilização do espectro, a PTC (empresa responsável pela rede de emissores) estaria obrigada a assegurar a cobertura de pelo menos 87% da população por sinal terrestre até 31/12/2010. Segundo informação prestada por fonte ligada à PT, a rede seria composta por 180 emissores. E, apesar de um alto responsável da ANACOM ter informado que até ao final de 2010 tudo ficou pronto, a verdade é que ainda em Outubro a PT anunciou a entrada em funcionamento de novos emissores e, dos 180 planeados, até à data só foram instalados 173. O blogue TDT em Portugal apurou que a PTC terá cancelado a instalação de alguns emissores, não sendo no entanto claro se o valor divulgado inicialmente (180) já contemplava essa redução.

O que é certo é que existem ainda muitas localidades sem cobertura ou com cobertura deficiente de TDT. Como escrevi em ocasiões anteriores, dado que para muitas destas localidades a data (prevista) para o apagão analógico se aproxima a passos largos, é essencial saber-se se serão beneficiadas com a eventual entrada em funcionamento de algum emissor TDT. As populações necessitam e merecem saber como poderão continuar a receber a RTP a SIC e a TVI. Se por antena terrestre ou por satélite. A informação disponibilizada pela PT é insuficiente e por vezes contraditória ou mesmo errada.

É que os custos de adaptação para a TDT podem variar muito consoante o sinal TDT recebido, daí a importância do público (ou pelo menos os técnicos instaladores) serem atempadamente informados, o que não tem sido o caso. A razão para tal atitude por parte da PT até não é difícil de adivinhar. A cobertura prevista para a TDT (por sinal terrestre) é bastante inferior á actual cobertura analógica da maioria dos canais e as queixas são inevitáveis, como aliás já acontece com várias freguesias de Trás-os-Montes que, quando suspeitaram que não seriam servidas por emissores TDT e que teriam que recorrer à recepção por satélite (bastante mais cara na maioria dos casos) protestaram junto da ANACOM e da PT com a qual travam actualmente um braço de ferro.

Este valor de cobertura por emissores terrestres (87%) fica também bastante abaixo do de outros países com uma geografia semelhante ou ainda mais desfavorável que a nossa. A título de exemplo, como referi no comparativo com a TDT espanhola que publiquei recentemente, aí a cobertura dos muxs de âmbito nacional é de 98,5%!

Apesar de (aparentemente) a rede não estar ainda concluída, fica evidente que a cobertura vai deixar de fora muitas localidades de várias zonas do país que actualmente são servidas por sinal analógico. Questões técnicas à parte, a meta de cobertura é pouco ambiciosa e foi definida sobretudo com base em critérios economicistas. Não é aliás coincidência que muitos dos locais sem cobertura terrestre têm sido “visitados” com regularidade por agentes das operadoras de televisão por subscrição. Idem para o silêncio relativamente à entrada em funcionamento dos emissores TDT, ao contrário do que sucedia com emissores e retransmissores analógicos, em que se informava os telespectadores nos canais de TV.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

TDT: "apagão" analógico na Nazaré afectou 2000 famílias

Decorreu ontem na Nazaré o terceiro e último “apagão” analógico “piloto” antes do switch-off final das emissões televisivas analógicas, agendado para 2012. Cerca das 15H30 o emissor analógico de TV foi desligado, ficando a zona da Nazaré e parte de Alcobaça apenas com sinal digital. Este desligamento do sinal analógico afecta cerca de 2000 famílias. No concelho da Nazaré, as freguesias de Famalicão, Nazaré e Valado de Frades, e, no concelho de Alcobaça, as freguesias de Alfeizerão e Cela.

Nos dias que antecederam o “apagão” a ANACOM divulgou dados de um inquérito que indicava que 90% da população dizia estar preparada para o desligamento da televisão analógica. Dois dias antes do desligamento informou ter feito chegar a todos os lares das freguesias de Famalicão (concelho da Nazaré) e de Alfeizerão (concelho de Alcobaça) uma carta a alertar para a necessidade de se prepararem para a recepção do sinal de televisão digital terrestre (TDT) via satélite (DTH), pois estas duas freguesias não têm cobertura de sinal terrestre. Isto porque, segundo o inquérito, apenas 30% dos residentes dessas freguesias diziam ter conhecimento de morar numa zona com cobertura por satélite. Os residentes destas freguesias sem acesso ao sinal terrestre terão que comprar o kit TDT Complementar fornecido em exclusivo pela Portugal Telecom.

O emissor de TDT da Nazaré está localizado na localidade do Sítio da Nazaré e a maioria dos residentes terá que reorientar a antena para receber o sinal digital.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Receptores TDT: qualidade deixa muito a desejar

A esmagadora maioria dos televisores comprados antes de 2009 não é compatível com a TDT portuguesa. Muitos aparelhos até têm sintonizador DVB-T (TDT), mas não suportam a norma adoptada por Portugal (MPEG-4/H.264), logo não exibem os canais portugueses. Perante esta situação desagradável, temos duas soluções: a substituição do televisor por um novo, já compatível, ou a compra de um receptor de TDT (também apelidado de set-top-box, adaptador ou descodificador) que, ligado ao actual televisor, permite a recepção dos canais. É previsível que a maioria dos consumidores opte por comprar um receptor TDT, pois um televisor novo e de boa qualidade, apesar da progressiva baixa dos preços devido às contínuas inovações tecnológicas, ainda representa um investimento considerável.

A grande maioria dos telespectadores afectados pela mudança para a Televisão Digital Terrestre, terá assim que comprar um ou mais receptores TDT, para poder continuar a ver os quatro canais: RTP1, RTP2, SIC e TVI. No mercado estão disponíveis vários modelos, sendo alguns equipamentos praticamente idênticos. No entanto, a maioria dos receptores TDT não tem uma qualidade global boa. As falhas são de vária ordem e podem comprometer a experiência televisiva.

A grande maioria dos equipamentos à venda é de marcas pouco conhecidas. Muitas são marcas criadas por empresas importadoras que importam estes equipamentos do Extremo Oriente. A fim de poderem vender estes equipamentos ao preço mais baixo possível, a qualidade dos produtos é, regra geral, baixa. Também, muitos dos equipamentos à venda em Portugal são destinados prioritariamente ao mercado espanhol e, como tal, os parâmetros iniciais estão pré-programados para Espanha, o que pode criar dificuldades na primeira utilização, sobretudo para os mais idosos. Regra geral, as instruções de utilização são também insuficientes. Mas, mais grave, muitos destes equipamentos não estão aptos a receber correctamente a TDT portuguesa!

O guia electrónico de programação (EPG) é referido como um dos atractivos da TDT. Mas, em muitos receptores actualmente à venda, o EPG não funciona correctamente. Muitos equipamentos não interpretam correctamente determinados caracteres da língua portuguesa. Isto acontece porque os fabricantes não adaptaram o software dos equipamentos à língua portuguesa. Felizmente, este tipo de falha normalmente pode ser corrigida com uma actualização do equipamento mas, para isso, é necessário que a marca disponibilize a actualização e nem todos têm o à-vontade para realizar a operação.

Apesar desta e outras falhas, muitos equipamentos são colocados no mercado português e vendidos como preparados para receber a TDT portuguesa. Até receptores não preparados para a Alta Definição (HD) continuam a ser vendidos como compatíveis com a TDT portuguesa, o que não é o caso porque, como já alertei, os requisitos técnicos da TDT portuguesa exigem compatibilidade MPEG-4/H.264 HD (1920x1080i). Mais grave ainda, algumas lojas informam que se o Canal HD voltar a emitir os equipamentos em causa vão ser capazes de recebê-lo, o que é falso! É possível encontrar alguns destes equipamentos não conformes com a TDT portuguesa, inclusive em grandes superfícies comerciais e cadeias de bricolage. Alguns equipamentos têm a indicação SD ou DS no nome do modelo, indicando que são capazes de receber apenas emissões em Definição Standard.

Recordo que a PT, à semelhança do que sucede noutros paises, publicou os requisitos necessários para que receptores e televisores sejam capazes de receber a TDT portuguesa em perfeitas condições técnicas. Criou também um programa de certificação de equipamentos. Chegou inclusive a apresentar receptores TDT com a sua marca, mas disponibilizou um número baixíssimo de exemplares e quase ninguém pode compra-los. Foi inclusivamente lançado um concurso de design para um receptor TDT "Made in Portugal", mas tudo ficou em “águas de bacalhau”. Mais grave, os fabricantes ignoraram o programa de certificação e assim, os consumidores não têm a garantia de estarem a comprar equipamentos 100% conformes. Como referi na altura, até os modelos brevemente comercializados pela PT não respeitavam todos os requisitos para obter a certificação, o que levou a uma redução das exigências.

A ANACOM informou que reuniu com algumas empresas da grande distribuição (Media Markt, Worten, Radio Popular, Auchan, Makro e Intermarché), com o objectivo de preparar o primeiro momento do desligamento analógico. Espero que tenha aproveitado a ocasião para sensibilizar essas empresas para a necessidade de exigir aos fabricantes e distribuidores o fornecimento de equipamentos totalmente compatíveis com a TDT portuguesa. Isto porque, apesar do mercado português ser relativamente pequeno, as grandes cadeias de distribuição têm poder negocial. Como referi, já constatei a venda de equipamentos não HD em lojas de algumas destas empresas. Normalmente estes equipamentos não estão disponíveis para teste na loja, o que dificulta a vida dos consumidores no momento de comprar. E, como o Canal HD não emite, é fácil os mais incautos não se aperceberem que o equipamento em questão não suporta emissões em Alta Definição!

Importa realçar que este problema se coloca essencialmente com os receptores TDT. Os televisores, regra geral, são conformes com a TDT portuguesa e não apresentam problemas.

Como sempre, ao consumidor cabe um papel fundamental, pois deve exigir equipamentos totalmente funcionais. Comprar estes equipamentos é um risco, dada a incerteza que ainda rodeia o futuro da TDT portuguesa.

Exemplos de mau funcionamento do Guia de Programação Electrónico:



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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TDT: 2ª campanha publicitária arrancou hoje (act.)

Chegou hoje às televisões a nova publicidade à TDT. Dando seguimento à publicidade que passou em Março, o lema agora é a “obrigatoriedade da mudança”.

No pequeno spot publicitário repete-se a “mensagem” de que quem não tem televisão paga, se não fizer nada, irá ficar sem televisão. Mais uma vez, não se explica o porquê da mudança nem tampouco se mencionam as vantagens de mudar para a TDT. Mas compreende-se porque não se aborda as vantagens, uma vez que são quase nulas para a maioria da população! A TDT portuguesa, ao contrário de praticamente todas as congéneres, até á data, mantém a mesma oferta de canais da televisão analógica.

Tal como na primeira publicidade, sob o pretexto de se alertar para a mudança, acaba por se fazer publicidade à televisão paga! Além disso, a mensagem sugere que quem tem televisão paga não tem que se preocupar com o fim da televisão analógica, o que nem sempre é o caso. Muitas famílias têm televisão paga em um ou dois (ou três) televisores mas, dependem do sinal analógico da televisão terrestre para os restantes televisores. Logo, nem só quem não tem televisão paga será afectado.

Faltam pouco mais de 3 meses para o (suposto) inicio do apagão analógico no Continente e 10 dias para o apagão analógico das zonas servidas pelo retransmissor da Nazaré. Os dados mais recentes sobre o grau de migração para a TDT datam de Novembro de 2010 e indicam que apenas 1,1% dos portugueses sem televisão paga já mudaram para a TDT. Hoje, a tão curta distância da data programada para o início do “apagão” a nível nacional, embora superior, essa taxa deverá permanecer baixíssima. É aliás sintomático que não estejam disponíveis dados recentes, pois revelariam o enorme atraso de Portugal na migração para a televisão digital terrestre. Em contraste, tal como comentei anteriormente, a ANACOM disponibiliza trimestralmente dados estatísticos sobre televisão paga.

Ao contrário do que sucedeu com a primeira campanha, que não passou na TVI, agora, tanto a RTP como a SIC e a TVI estão a passar o spot publicitário. Aparentemente, a ANACOM (ou o Governo) conseguiram convencer a SIC e a TVI a passar esta publicidade. Será que houve contrapartidas?

Entretanto, após um aparente “descanso para férias”, a PT retomou a instalação de emissores de TDT, tendo informado da entrada ao serviço de mais dois emissores: Lagos Norte e Aldeia de Juzo. Dos 180 emissores anunciados, estão em funcionamento 171. Destes 171, 17 foram activados após 31/12/2010, data limite concedida à PT para assegurar a cobertura de 100% da população.

Video da publicidade (com Leonor Poeiras)


Video da publicidade (com Paulo Bento)


Agora um dos vários spots de publicidade à TDT espanhola. Vejam a diferenças...


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sábado, 24 de setembro de 2011

ANACOM foi ao Parlamento dar explicações sobre a TDT

Dadas as preocupantes notícias que vieram recentemente a público a propósito da implantação da Televisão Digital Terrestre (TDT), o presidente da ANACOM, José Amado da Silva deslocou-se esta semana ao Parlamento, convocado pelo PSD, a fim de prestar esclarecimentos.

Não esperava grandes resultados desta audição, mas mesmo assim conseguiu desapontar. A audição foi curta (68 minutos) e os disparates começaram logo no primeiro minuto quando o deputado Mendes Bota apontou (erradamente) 12 de Março como a data em que todo o país estará a ver Televisão Digital Terrestre, querendo naturalmente referir-se à data do “apagão” final agendado para 26 de Abril de 2012. Ninguém da ANACOM (estavam 3 responsáveis) o corrigiu.

Com duas ou três honrosas excepções os deputados deixaram transparecer que não se prepararam devidamente para os assuntos em discussão. Mas a verdadeira surpresa partiu da prestação do presidente da ANACOM. O Sr. presidente da ANACOM mais uma vez demonstrou desconhecer informações básicas sobre o processo de implementação da TDT em Portugal. Há alguns meses atrás, interpelado pelos jornalistas, não foi capaz de informar qual o valor do subsídio para a aquisição de receptores TDT para os mais carenciados. Agora não foi capaz de identificar correctamente o anterior canal de emissão da TDT (67) e ainda afirmou que após o switch-off ficariam disponíveis 60 canais, imagine-se!

Interrogado sobre a oferta de canais, diz que só depois do switch-off, porque agora não há espaço! Qual a pressa para desocupar os canais 61-69? Em Espanha continuam a ser utilizados! E os 7Mbs reservados para o Canal HD que continuam desperdiçados? Por favor...

Também afirmou que a ANACOM levou a cabo uma “campanha” de informação a aconselhar os consumidores a comprar televisores MPEG-4! Ora, se houve campanha eu não dei por ela, e recordo que foi o blogue TDT em Portugal (a 29/10/2008), após insistentes alertas e pedidos de esclarecimento, a informar em primeira mão que o Mux A da TDT iria utilizar a norma MPEG-4. Ora, a PTC ganhou o concurso TDT no início de Junho de 2008 e a ANACOM só no final de Novembro de 2008 informou (que eu saiba só no seu site) quais os requisitos mínimos necessários para os televisores e receptores receberem a TDT portuguesa. Isto conhecendo a proposta da PTC (a única) desde Abril!

Nesta audição, todas as questões foram respondidas com ligeireza pela ANACOM, o que demonstra bem a falta de preparação relativamente aos assuntos em apreciação. Veja-se a questão das antenas, que possivelmente será tão ou ainda mais sensível que a questão das caixas adaptadoras. Até hoje a ANACOM não apresentou nenhuns dados quantificando quantas teriam de ser substituídas ou reorientadas. Como se não fosse uma questão fundamental para o planeamento do desligamento.

Sobre a rede TDT passou em claro a questão de a PTC, obrigada a completar a cobertura até 31/12/2010 ainda andar a montar antenas em Julho de 2011! Se calhar as antenas instaladas depois de 31/12 são uma demonstração de generosidade por parte da PT, que está a fazer mais do que aquilo a que ficou obrigada! 

E claro, há aquele pequeno pormenor que diz que o sinal analógico não deve ser desligado sem que o sinal digital esteja disponível há pelo menos um ano(1). Ora se a PT ainda andava a montar antenas em Julho… é fazer as contas.

E decide-se a questão do adiamento ou não do “switch-off” sem divulgar dados estatísticos?! Faltam 3 meses para o (suposto) inicio do “switch-off”. Quantos portugueses já migraram para a TDT? De três em três meses a ANACOM publica estatísticas sobre o serviço de televisão por subscrição (que naturalmente continua a registar crescimento). E sobre a TDT não há dados?! E ninguém pergunta porquê?

O presidente da ANACOM disse também que a PT não está obrigada a prestar esclarecimentos sobre TDT nas suas lojas. Reproduzo aqui um extracto de uma deliberação da própria ANACOM para que cada um tire as suas conclusões:

«Tendo sido verificadas algumas deficiências na informação disponibilizada pela PT Comunicações, S. A. relativamente à atribuição de subsídio à aquisição de equipamentos de recepção de emissões TDT por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, bem como à comparticipação em equipamentos e respectiva instalação nas zonas abrangidas por meios de cobertura complementar (DTH), em 26 de Maio de 2011 o ICP-ANACOM determinou à referida empresa que:
“1. Disponibilize, de modo imediato, nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT – nomeadamente, no portal de informação web TDT, nas lojas PT e no Contact Center –, informação clara, rigorosa e completa consonante com as obrigações acima referidas, passando a referir expressamente:
(a) os casos de subsidiação à aquisição de equipamentos por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, indicando (i) os valores aplicáveis, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a subsidiação; e
(b) a existência de comparticipação na aquisição dos equipamentos e nas instalações necessárias à recepção por meios complementares de TDT (DTH), indicando (i) os respectivos valores, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a comparticipação.
... »

Mas a defesa da PT foi mais além! O presidente da ANACOM defendeu também a aceitação do pedido de revogação dos Muxs B-F da TDT pela PTC apresentando justificações sem qualquer nexo! Vejamos:

Disse o presidente da ANACOM que a PT lançou o MEO devido ao atraso do concurso da TDT (paga) devido às complicações legais (recurso da Airplus). Ora, a PT lançou o MEO (em Cabo, IPTV e satélite) em 2 de Abril de 2008, dois meses antes de serem conhecidos os resultados dos concursos da TDT! Mais, em Janeiro de 2008 (antes do inicio da data de apresentação de candidaturas aos concursos TDT) a PT já havia informado(2) que iria lançar o serviço MEO Satélite em Abril. Parece-me que só a ANACOM aceitou as justificações da PTC, o que é, digamos… “estranho”.

O presidente da ANACOM reconheceu que o assunto é sério, mas foi evasivo nas respostas. No final da audição, ainda contou uma história com barbas tentando conquistar os deputados. Pois é, a mente por vezes prega-nos partidas, é que se tivesse sido o motorista do Sr a responder às questões que lhe colocaram, provavelmente ninguém iria mesmo notar a diferença!

Julgo que cada vez fica mais claro o porquê de termos a TDT que temos e porque está na situação em que está. Felizmente alguns politicos finalmente já perceberam o que está realmente em jogo com a introdução da TDT em Portugal e começam a colocar o dedo na ferida. Sinceramente, espero que o Governo não caia no erro de se “fiar” cegamente nesta ANACOM, ou sujeita-se a ter uma surpresa muito desagradável.

1) Resolução do Conselho de Ministros n.º 26/2009
2) PT lança televisão por satélite em Abril e 'ataca' TV Cabo, JN 25/01/2008

Videos da audição ao presidente da ANACOM (5 videos)

Video 1/5

Video 2/5

Video 3/5

Video 4/5

Video 5/5


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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Madeira tem Televisão Digital grátis desde 2004!

A ANACOM é a Autoridade Nacional das Comunicações e, como tal, deveria pautar-se pelo rigor da informação que divulga, o que infelizmente com demasiada frequência não tem sido o caso, como tenho vindo a alertar. Há poucos dias actualizou o seu “Guia TDT” e ainda bem. É que o mesmo continha informação incorrecta.

No “Guia TDT” e no jornal “Notícias TDT”, o presidente da ANACOM afirmava que com a TDT as regiões dos Açores e da Madeira pela primeira vez iriam receber gratuitamente todos os canais generalistas nacionais (RTP1, RTP2, SIC e TVI). Ora não é inteiramente verdade. Relativamente à Madeira isso só é verdade relativamente à recepção terrestre. É que na Madeira, desde 2004 que praticamente todos recebem gratuitamente os canais nacionais de televisão em virtude de um protocolo entre o Governo Regional da Madeira, o Governo da República, a Cabo TV Madeirense (actual ZON Madeira) e a própria ANACOM! Isto para suprir a ausência de emissões analógicas terrestres da RTP2, SIC e TVI.

Além de não pagarem mensalidade, todos os madeirenses tiveram direito a uma comparticipação de 50 Euros (por habitação) para custear o equipamento de recepção e a instalação. No Continente (com a TDT) a comparticipação tem um limite de apenas 22 Euros (para grupos desfavorecidos), mais 22 Euros no caso de recepção da TDT via satélite. Este protocolo já foi renovado e, pelo menos até ao final de 2011, os madeirenses têm garantido o acesso gratuito a todos os canais nacionais generalistas mais a RTP Madeira. Mas além dos 5 canais, os madeirenses recebem mais canais de forma gratuita (incluindo o Disney Channel!). Pergunto: se o protocolo se mantiver em vigôr e com uma oferta alargada de canais, quantos na Madeira irão mudar para a TDT com apenas 4 canais?

Sem querer colocar em causa o mérito da iniciativa, pergunto porque razão não têm todos os portugueses direito a condições idênticas? Nos Açores também só a RTP1 e a RTP Açores emitem em analógico. E há locais no Continente onde a recepção da televisão analógica sempre foi muito deficiente. Porque razão os portugueses que têm o “azar” de morar em zonas sem cobertura de sinal TDT, têm uma “ajuda” de apenas 22 Euros (ou 44 Euros nalguns casos) para a aquisição do kit TDT Complementar? E porque não é possível optar pela recepção via satélite como acontece em alguns países?

Mas os erros não se ficam por aqui. No próprio dia em que tornou pública a primeira versão do “Guia TDT” (em Maio), alertei para o facto da informação relativa à data do “apagão” analógico da zona litoral estar incorrecta. Isto porque o desligamento de importantes emissores como a Lousã, Monte da Virgem, Montejunto e Marão está programada para 26 de Abril de 2012 e não para 12 de Janeiro, como a informação da ANACOM fazia crer. O mesmo erro foi repetido no jornal “Notícias TDT” também da ANACOM. Dizia-se na primeira versão:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: Emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura da faixa litoral do território.

A informação foi agora finalmente corrigida (embora o mapa continue a induzir em erro) e pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012: emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental. (o negrito é meu).

Como diz o ditado: mais vale tarde que nunca.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Caos na TDT – Governo pondera adiar “apagão” analógico! (act.)

Segundo noticia o jornal Expresso, o Governo está a ponderar adiar o fim das emissões de televisão analógica vulgarmente designado "apagão" ou switch-off, atrasando a mudança definitiva para a televisão digital terrestre. Alegadamente, o adiamento pretende evitar que a compra de descodificadores coincida com o corte no subsídio de Natal. O inicio do fim das emissões analógicas de TV, está agendado para 12 de Janeiro de 2012.

Mas, e esta suposição não é do Expresso, é minha, esta não deverá a única razão para o adiamento. Como tenho vido a informar (e recentemente confirmado pela DECO), a PT não está a promover e informar os consumidores sobre a TDT nas suas lojas PT Bluestore. Nem as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, que supostamente o deveriam fazer. Isto terá levado o PSD a convocar o presidente da ANACOM para prestar esclarecimentos no parlamento. Também, tanto a SIC como a TVI recusam passar a próxima publicidade à TDT, com inicio previsto para Setembro/Outubro, o que poderá indiciar uma intenção de boicote, como avancei em Maio. E o baixíssimo número de consumidores que já mudaram para a TDT, também deverá ter pesado na (alegada) decisão, sobretudo se considerarmos que faltam menos de 6 meses para a data planeada para o inicio do “apagão” analógico.

A confirmar-se a notícia, esta decisão não surpreende. Há muito que era evidente o enorme atraso português na mudança para a TDT, um atraso impossível de recuperar até Janeiro de 2012, a tempo de ser possível realizar uma transição tranquila para a televisão digital terrestre. Isso mesmo tenho vindo a dizer no blogue TDT em Portugal desde Dezembro de 2010, quando afirmei que um adiamento de pelo menos 6 meses seria inevitável. Seja qual for a justificação invocada para o (alegado) adiamento, o falhanço do plano para a introdução da Televisão Digital Terrestre em Portugal é total! Falhou a informação, falhou a promoção, falhou a implantação da rede, falhou a (mísera) oferta de canais! Infelizmente, este triste resultado era expectável antes mesmo do arranque da TDT, porque a estratégia adoptada foi a errada e o plano foi pessimamente executado.

Veremos se o Governo irá aproveitar o (alegado) adiamento da TDT para introduzir as mudanças necessárias e tornar a TDT pelo menos atraente q.b. para acelerar a mudança ou, se cede aos interesses dos canais de televisão generalista e operadores de televisão por assinatura para que os seus interesses não sejam beliscados e tudo fique como antes, forçando porventura a novo adiamento dentro de alguns meses.

8/08/2011 (actualização):
O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou hoje que o Governo irá reunir-se a 8 de Setembro com a ANACOM, PT, RTP, Impresa (SIC) e Media Capital (TVI), afím de «fazer uma avaliação rigorosa e sensata» do projecto da TDT, após a qual tomará uma decisão. 

9/09/2011 (actualização):
A reunião decorreu ontem e teve a duração aproximada de 3 horas. Não há ainda qualquer novidade a reportar. No entanto, relativamente à questão do adiamento do "apagão" analógico, Francisco Pinto Balsemão (SIC) afirmou ao Jornal de Negócios que os operadores de televisão não pediram o adiamento do "switch off". Ora, o ministro Miguel Relvas havia dito que quando tomou posse foi contactado por operadores de TV que pediam o adiamento do "switch off". Um aparte: a ideia do Canal HD partilhado entre os operadores partiu de Francisco Pinto Balsemão. O Canal nunca emitiu nos moldes previstos, alegadamente devido à falta de acordo entre os operadores.

Quanto à falta de decisão a respeito do possível adiamento, não constitui surpresa, pois anunciá-lo agora atrasaria ainda mais o processo de migração para a TDT. Dado o enorme atraso de Portugal, o adiamento é muito provável mas só deverá será anunciado pouco antes do inicio da data prevista para o início do switch off. O que realmente interessa saber é se o Governo irá tomar medidas para acelerar o processo de migração, e se sim quais e quando, ou se vai esperar para a véspera do "switch off" para fazer alguma coisa. Informo ainda que o blogue TDT em Portugal enviou ao Sr. ministro Miguel Relvas uma exposição documentada da situação da TDT em Portugal, recordando também a petição pela emissão da RTP Memória e RTP-N na TDT em canal aberto.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

ANACOM distribui jornal sobre a TDT

A ANACOM informa que durante a corrente semana irá proceder à distribuição nacional do jornal “TDT Notícias”, publicação gratuita editada por si e com o objectivo declarado de informar os portugueses sobre o processo de mudança para a televisão digital terrestre. O “TDT Notícias” será ainda distribuído juntamente com as revistas “TV 7 Dias” e “TV Guia”.

A edição electrónica do referido “jornal” já está disponível para consulta. Sem surpresa, mais do que informar, a referida publicação parece-me ser essencialmente um instrumento de propaganda da estratégia adoptada para a implantação da TDT em Portugal. Recordo que a estratégia que está  a ser seguida em Portugal fracassou em vários países por não ter em consideração as aspirações e interesses dos consumidores e obrigou ao relançamento da televisão digital terrestre.

A referida publicação repete a avaliação irrealista, já conhecida, dos processos de encerramento “piloto” de Alenquer e Cacém, apresentando mesmo números errados, como já referi em post anterior. Tal como chamei à atenção em Agosto de 2010, os retransmissores seleccionados para os desligamentos piloto abrangem zonas muito limitadas onde a taxa de adesão aos serviços de televisão paga é altíssima (93% no caso do Cacém). Apesar dos vários tipos de problemas retratados por algumas reportagens, esta autoridade insiste em classificar os desligamentos como um sucesso. Mas seria de esperar outra conclusão quando a ANACOM é juiz em causa própria?

A ilusão continua quando se aborda os adaptadores (receptores TDT) necessários para tornar a esmagadora maioria dos televisores compatível com a TDT portuguesa. A maioria dos equipamentos à venda não oferece uma qualidade global boa, o que nalguns casos pode mesmo comprometer a qualidade da recepção e/ou a comodidade na visualização dos programas.

A qualidade da informação ao consumidor sofre novo “rombo” quando mais uma vez se transmite a ideia (já corrigida pelo blogue TDT em Portugal) que o litoral do país ficará sem televisão analógica a 12 de Janeiro de 2012, omitindo que a maioria dos principais emissores que cobrem o litoral, só serão desligados a 26 de Abril de 2012, como é o caso do Monte da Virgem, Marão, Lousã e Montejunto, que abrangem uma área enorme.

De referir que a Anacom abriu também concurso para a impressão, embalamento e distribuição nacional do “Guia TDT” que deverá ocorrer entre 17 e 21 de Outubro.

Não irá portanto faltar papel na caixa do correio dos portugueses! Poderá é faltar “papel” na carteira de muitos, quando chegar a hora de comprar dois, três ou mais adaptadores e pagar a “actualização” da instalação de antena que muitos terão que fazer. Tudo para poder continuar a ver apenas e só aquilo que sempre se pode ver. O povo cala-se, terá o que merece...

Enviar toda esta papelada para quase todos os endereços de Portugal deverá custar muito dinheiro. Pena que a ANACOM não tenha destinado uma pequena verba para informar nas TV’s sobre a entrada em funcionamento dos emissores TDT ou da alteração da frequência da TDT. O blogue TDT em Portugal tem recebido vários pedidos de ajuda devido ao desconhecimento da alteração da frequência da TDT. Deixo aqui, a titulo de exemplo, o agradecimento de uma leitora que perante a perda do sinal recorreu ao blogue TDT em Portugal.

Boa noite,
Quem não percebe muito tem que pedir ajuda. Mas, felizmente alguém se lembrou de criar um blogue tão útil.
Se voltar a acontecer, vou ler o blogue da TDT.
Obrigada.
Edite

O "jornal" "TDT Notícias" pode ser consultado aqui.

16/09/2011:

A ANACOM parece ter finalmente aceitado que a informação relativamente ao switch-off na zona litoral do país não estava correcta (como venho alertando) e procedeu a uma actualização do Guia TDT. Pode ler-se agora:

1.ª Fase - 12 de Janeiro de 2012 (emissores e retransmissores que asseguram sensivelmente a cobertura de uma faixa litoral do território continental).

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

TDT: Apagão no Cacém deixou 1000 famílias sem televisão (act.)

Foi hoje concretizado o segundo “apagão” da televisão analógica portuguesa. Pelas 11h30m da manhã técnicos da PTC desligaram o retransmissor de televisão analógica do Cacém, que transmitia a RTP1, RTP2, SIC e TVI para as localidades de Cacém, Agualva, Belas, Massamá, Mira-Sintra, Rio de Mouros e S. Pedro de Penaferim. No ecrã dos televisores pode agora ver-se unicamente um aviso do encerramento das emissões. Nestas localidades, para continuar a ver os 4 canais com qualidade e sem pagar assinatura, só através da TDT.

Segundo informação da ANACOM (a entidade responsável), devido ao desligamento do retransmissor, cerca de mil famílias perderam acesso aos 4 canais de televisão. De acordo com dados avançados em Maio também pela ANACOM, estas mil famílias representam metade do total de famílias afectadas pelo desligamento do retransmissor do Cacém. Ou seja, metade dos residentes sem contrato de televisão por assinatura ficou sem televisão! O meu aviso relativamente à necessidade de retirar ensinamentos da experiência de Alenquer e tomar medidas de correcção, comprova-se que fez todo o sentido.

Metade dos cidadãos afectados pelo desligamento terem ficado sem acesso à televisão é inaceitável e prova evidente do falhanço da estratégia adoptada para a televisão digital terrestre portuguesa e que denunciei logo em 2008.

A “experiência” do Cacém, apesar de afectar um número relativamente baixo de habitantes, comprova, mais uma vez, que há muito a fazer para que os desligamentos previstos para 2012 decorram sem sobressaltos. E os políticos têm motivos para ficar preocupados! A desculpa que ouvi hoje do responsável máximo pela TDT é típica: nós fizemos tudo para informar as pessoas… Uma ova!

O processo de introdução da televisão digital terrestre em Portugal tem desde o inicio sido uma verdadeira anedota de mau gosto. Estava já mais que provado que é necessário motivar as pessoas para aderir à TDT. E isso só poderá acontecer introduzindo algo de valor para todos os cidadãos ou seja, aumentando a oferta de programas. Até o próprio director da RTP Memória já defende a disponibilização do canal em sinal aberto! Em 2009 fui o autor de uma petição que propunha isso mesmo: trazer a RTP Memória e a RTP-N para a TDT, à semelhança do que já aconteceu em inúmeros países.

É por esta TDT não trazer nada de substancialmente novo e ter custos elevados que a resistência em aderir é tão grande. Os portugueses têm toda a razão em estar de pé atrás, esta TDT é um mau "negócio" para a maioria dos cidadãos. È aliás, pelo facto da TDT portuguesa não trazer praticamente nada de novo, que a publicidade que passa na TV aposta no sentimento de perda para levar as pessoas a aderir. Ou seja, você com a TDT não ganha nada, mas se não aderir vai perder o que já tem! Com esta TDT ganham todos, menos o “vulgar” cidadão, como já expliquei em post anterior.

Terá então o Estado alguma moral para cortar desta forma o acesso à televisão, que para muitos é a única fonte de distracção? Não! Os residentes de Agualva-Cacém e localidades vizinhas são as cobaias inocentes, vitimas dum processo desgovernado, inquinado desde o inicio e sem final feliz à vista. Governo, regulador, operador da rede e canais de televisão são os principais responsáveis. Quando esta trapalhada terminar alguns dos intervenientes no projecto TDT deveriam pensar duas vezes se deverão ou não colocar no seu Curriculum a participação em tão mal concebido e executado plano. Eu teria vergonha.

Agora terão sido 1000 as famílias que ficaram sem televisão mas, a continuarmos com esta vergonha nacional e internacional chamada TDT portuguesa, daqui a alguns meses não serão mais mil famílias, serão largas dezenas ou centenas de milhar que ficarão sem televisão. Tenho esperança que impere o bom senso.

23/06/2011:
Sem surpresa e à semelhança do que aconteceu em Alenquer, a ANACOM afirma que a migração para a TDT no Cacém foi um sucesso. A ANACOM baseia a sua conclusão com dados obtidos no seu posto de atendimento, na linha telefónica da TDT e nas oito juntas de freguesia. Apesar de ter afirmado que 1000 famílias poderiam ficar sem televisão, segundo a ANACOM, no dia do "apagão" (16-06) foram "detectadas" apenas 120 famílias sem televisão. Portanto, quem ficou sem televisão e não se "queixou" a estas entidades não conta. Moral da história: quem cala consente!

Apesar de considerar que o processo foi bem sucedido, a ANACOM alerta para o facto de as pessoas deixarem para a última hora a resolução do problema. Mas será que é de estranhar que as pessoas adiem para a última hora a transição para a TDT quando, por exemplo, a rede de emissores, que deveria estar pronta desde o início do ano, continua em dito "reforço de cobertura"? E quando dos 25 adaptadores TDT "testados" (com o patrocínio da ANACOM) apenas 3 são considerados (à justa) com boa qualidade?

Como venho dizendo, a ANACOM, em vez de transmitir aos políticos (e ao público) uma avaliação realista do processo, insiste em prosseguir a sua política de fuga para a frente tentando fazer crer que tudo está bem, não havendo portanto motivos para questionar o processo. Em Janeiro de 2012 veremos se a táctica resulta.


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terça-feira, 31 de maio de 2011

TDT: Anacom diz que PT não está a cumprir

Mais uma prova de que a introdução da TDT em Portugal não está a correr da melhor forma. Finalmente a Anacom reconhece que a qualidade da informação prestada pela PT a propósito da TDT apresenta várias deficiências. Assim:

«A ANACOM determinou à PT Comunicações (PTC), por deliberação de 26 de Maio de 2011, que corrija de imediato os incumprimentos de obrigações detectadas no âmbito da prestação do serviço de radiodifusão televisiva digital terrestre (TDT).
Em concreto, a PTC deve disponibilizar, de imediato, nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT – nomeadamente, no portal de informação web TDT, nas lojas PT e no Contact Center –, informação clara, rigorosa e completa em conformidade com as suas obrigações, passando a referir expressamente:
(a) os casos de subsidiação à aquisição de equipamentos por parte de cidadãos com necessidades especiais, grupos populacionais mais desfavorecidos e instituições de comprovada valia social, indicando (i) os valores aplicáveis, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a subsidiação; e
(b) a existência de comparticipação na aquisição dos equipamentos e nas instalações necessárias à recepção por meios complementares de TDT (DTH), indicando (i) os respectivos valores, (ii) os utilizadores elegíveis e (iii) os procedimentos tendentes a obter a comparticipação.
A PTC deve ainda alterar, de imediato, reflectindo essa alteração nos diversos meios de promoção e informação sobre TDT, os requisitos documentais actualmente exigidos para a atribuição de subsídio à aquisição de equipamentos descodificadores de TDT, de modo a que:
(a) deixe de ser exigida a apresentação de cópia da declaração de rendimentos do requerente;
(b) deixe de ser imprescindível a indicação do NIB do requerente, podendo ser aceite, embora em casos excepcionais, indicação que possibilite que a subsidiação seja efectuada mediante procedimento distinto da transferência bancária, designadamente através de cheque ou vale postal, cessando nesses casos, naturalmente, a exigência de cópia do comprovativo de NIB; e
(c) seja aceite, para provar a morada do requerente, em alternativa a um dos documentos actualmente indicados no portal web, factura do gás ou de outros serviços de comunicações electrónicas.»

O Blogue TDT em Portugal tem vindo a alertar para a deficiente informação prestada ao público pelo serviço de apoio à TDT. E ainda no inicio do mês manifestei estranheza pelo facto de não ter encontrado qualquer informação sobre TDT em duas lojas PT BlueStore de Aveiro. As minhas criticas, confirma-se agora, faziam todo o sentido. Mas, segundo a minha experiência pessoal, devo dizer que a informação prestada pelo serviço de apoio (linha telefónica) melhorou bastante desde 2010. Ainda há alguns meses os operadores, afirmavam desconhecer que a TDT também ficaria disponível por satélite!  

Mas a própria Anacom não está isenta de críticas, muito pelo contrário. Alguma da informação prestada pela Anacom é incorrecta (ou mesmo errada) e, naturalmente, pode induzir em erro. Exemplos:
  • O administrador da Anacom para a TDT afirmou em Fevereiro que a cobertura do país ficou pronta no final de 2010. O Blogue TDT em Portugal tem avançado noticias da instalação e entrada em funcionamento de emissores muito para além da data limite concedida à PTC. Noticias confirmadas ainda recentemente pela própria PTC;
  • O Guia TDT a ser distribuido, informa mal quando serão desligados os emissores, como alertei oportunamente;
  • E eu, tal como muitos outros cidadãos, continua-mos a aguardar resposta a questões colocadas à Anacom há vários meses! As respostas, quando chegam, vêm tarde e normalmente não respondem ao que se pergunta.
Por muito poucos telespectadores que a TDT tenha, porque não há informação nas TV's sobre a mudança a nível nacional da frequência da TDT? Quem já depende da TDT não merece um aviso ou explicação?

Com tantas falhas na informação ao consumidor será que é de estranhar que, a menos de 7 meses da data marcada para o inicio do desligamento dos principais emissores de televisão, tão poucos tenham ainda feito a transição para a TDT?

Já entrámos no jogo do empurra, face aos resultados (e consequências) previsíveis que se avizinham. Infelizmente, alguns ainda teimam em enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que tudo corre bem. Em Janeiro, se não antes, veremos quem tem razão.

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sábado, 28 de maio de 2011

PT assume: meta de cobertura da TDT não foi respeitada

Tal como o Blogue TDT em Portugal tem informado, a rede de emissores TDT ainda não está terminada, ao contrário do que estava estabelecido na licença de utilização do Mux A concedida à PTC e ao contrário do que o administrador para a TDT da Anacom havia informado.

Agora é a própria Portugal Telecom que afirma que continua a reforçar a rede de emissores TDT no território nacional:

Apesar de já ter sido ultrapassada a meta de cobertura TDT no território nacional no final de 2010 (mais de 87% da população coberta com TDT e a restante população com TDT Complementar via satélite), a Portugal Telecom continua a reforçar a rede, tendo entrado em funcionamento mais um emissor TDT:

Padrela (41°33'44.93"N; 7°31'0.81"W) - cobertura outdoor da região de Valpaços e de Vila Pouca de Aguiar.

O emissor de Padrela emite o sinal digital no canal 67 da banda UHF (838-846 MHz). Está prevista a alteração de canal deste emissor no dia 13 de Junho. A partir dessa altura deverá sintonizar o seu equipamento no canal 56 da banda UHF (750-758 MHz).

Já em 2 de Maio a PT havia informado da entrada em funcionamento de 4 novos emissores. A noticia da entrada eminente em funcionamento do emissor da Padrela foi dada pelo Blogue TDT em Portugal em 5 de Maio.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

TDT: falta de cobertura mobiliza freguesias do norte (act.)

O sinal da Televisão Digital Terrestre portuguesa não chega a muitas zonas do país. Além da falta de cobertura, a maioria dos leitores do Blogue TDT em Portugal considera o sinal TDT fraco. Nas zonas sem cobertura terrestre, a única opção para continuar a receber a RTP1, RTP2, SIC e TVI após o fim das emissões analógicas (marcado para 2012), será o recurso ao satélite, mas com custos muito superiores à da recepção terrestre. Como o Blogue TDT em Portugal já informou, uma instalação típica para receber a TDT por satélite poderá facilmente ultrapassar os 200 Euros.

Esta discriminação vai contra o que foi estabelecido na licença de exploração da TDT, que prometia que quem tivesse que recorrer à recepção via satélite não teria custos acrescidos. Além disso, o kit para a recepção via satélite (TDT Complementar) ainda não está disponível, o que também contraria o que está estabelecido na licença de exploração da TDT, que obrigava o operador (PTC) a chegar a 100% da população até 31/12/2010.

Recorde-se porém que, apesar do responsável da Anacom pela TDT ter dito* que a cobertura terrestre ficou pronta em 2010, a linha de apoio da TDT tem informado que a cobertura terrestre ainda será reforçada durante o corrente ano, informação aliás confirmada pela recente entrada em funcionamento de quatro novos emissores. 

Mas, perante a confirmação da Portugal Telecom de que não seriam instalados emissores TDT para cobrir a zona compreendida entre o concelho de Viana do Castelo e o Concelho de Caminha, as autarquias afectadas pela decisão protestam contra aquilo que consideram ser uma discriminação. Para o efeito foi criada uma petição e decorre a recolha de assinaturas nas freguesias alegadamente afectadas: Areosa (norte), Carreço, Afife, Vila Praia de Âncora, Âncora, Vile, Freixieiro de Soutelo, Riba de Âncora, Amonde, Gondar, Orbacem, Dem e São Lourenço da Montaria, com uma população estimada em mais de 15700 habitantes.

É sem dúvida "bom sinal" que os cidadãos e autarcas da região não tenham esperado pela Hora H, como infelizmente é tipico no nosso país, para lutar contra o que consideram tratar-se de uma discriminação.


* «instalação da rede, coberturas, está tudo montado», «as obrigações de cobertura da totalidade do território…foi concluído até ao final do ano passado» Eduardo Cardadeiro Administrador da Anacom em entrevista ao programa Falar Global da SIC Notícias a 21/02/2011.

22/06/2011:
De acordo com notícia do JN, a pedido da Anacom, haverá uma reunião com os 13 autarcas no dia 27 de Junho.

29/06/2011:
Segundo informação recebida de um participante na reunião, a Anacom irá propor à PT que o dinheiro a ser gasto em sistemas de satélite para esta região possa ser investido em micro coberturas.

20/09/2011:
Segundo notícia do JN, Arlindo Sobral, autarca de Afife, às 13 freguesias de Viana de Castelo e de Caminha que terão que pagar mais para ter acesso à TDT, juntam-se 21 freguesias de Paredes de Coura, que representarão mais de 10 mil habitantes. O autarca de Afife afirma ainda que a sua freguesia tem nos últimos meses sido alvo de uma campanha de venda que classificou de agressiva por parte dos operadores de televisão por subscrição. Dada a ausência de respostas, os autarcas escreveram ao ministro dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas. Também o deputado socialista eleito por Viana do Castelo Jorge Fão, questionou o Governo sobre o futuro da TDT no Alto Minho.

19/11/2011:
O protesto contra a falta de cobertura do sinal TDT cresce. Agora é Vale do Mouro, concelho de Monção que se juntou ao protesto. Entre as zonas sombra de Monção estão as freguesias de Abedim, Merufe, Podame, Riba de Mouro, Segude e Tangil que se juntam aos protestos de freguesias dos concelhos de Viana do Castelo, Caminha e Paredes de Coura.

Dada a ausência de progressos na resolução desta situação, a Câmara Municipal de Monção ameaça com boicote à Portugal Telecom por parte da autarquia local e das freguesias mais afectadas. Segundo Augusto Domingues, vice-presidente da Câmara Municipal de Monção, isso passará pela rescisão de todos os contratos com os operadores da empresa. A autarquia convocou um representante da PT para uma reunião e, caso não haja desenvolvimentos, a instauração de uma providência cautelar é outra das possibilidades em aberto. A Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima mostrou-se disponível para ajudar na luta.

28/12/2011:
A novela TDT continua. Agora é um grupo de autarcas da região da Serra da Estrela que se reuniu hoje com os partidos da oposição para alertar os deputados para o facto de (segundo os mesmos) existir um milhão e 300 mil pessoas no interior do país que, a partir de 12 de janeiro, quando for desligado o sinal analógico de televisão, vão ficar sem acesso aos quatro canais generalistas por problemas financeiros. O vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Francisco Rolo, considera que este é, antes de mais, um problema social e apela à suspensão do processo de transição para a Televisão Digital Terrestre até que seja encontrada uma solução técnica para substituir os actuais retransmissores analógicos e manter a mesma taxa de cobertura da rede analógica (98%).

20/01/2012:
Alegadamente a PT terá apresentado uma proposta à Câmara de Vouzela no valor de 90000 Euros, para a instalação de três pontos emissores de micro cobertura a povoações do concelho.

20/01/2012:
Monchique - Depois de a Camara municipal de Monchique ter reagido à falta de cobertura TDT na sede do concelho, a PT terminou hoje a montagem de um pequeno emissor no sítio dos Montinhos (encosta da Picota), onde já existiam os emissores analógicos para servir a vila. Informação recebida de um leitor.

24/01/2012:
A Junta de Freguesia de Orbacém (Caminha), instalou na localidade um retransmissor que permite que os canais da TDT portuguesa cheguem a toda a freguesia. O investimento de cerca de 7000 Euros adaptou o repetidor analógico já existente e garante que o sinal chega aos cerca de 300 habitantes de Orbacém, a parte das freguesias de Gondar e a Amonde e Freixieiro de Soutelo, já pertencentes a Viana do Castelo. Informação recebida de um leitor e publicada pela Radio Geice FM.

16/02/2012:
Foi hoje instalado um emissor TDT em Montedor (Carreço) e um retransmissor em Vila Praia de Âncora. A faixa costeira entre Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora fica agora com cobertura terrestre TDT graças ao protesto das populações que durante um ano contestaram a ausência de cobertura (lêr inicio deste post). Com a instalação deste emissor e retransmissor pelo menos sete freguesias deixam de estar em zona de sombra do sinal TDT. A informação foi recebida de um leitor do blogue e divulgada pela Radio Geice FM que adianta que também o Concelho de Monção irá ser contemplado.

22/02/2012:
Monção - Entrou em funcionamento um emissor TDT em Podame. Este emissor vem no seguimento dos protestos da população local (ver actualização de 19/11/2011), porque com o desligamento em breve do emissor analógico de Podame ficaria sem acesso à televisão portuguesa por via terrestre, pois o sinal terrestre da TDT não chegava à zona.

14/05/2012:
Mirandela - A RTP passou uma reportagem ontem, dia 13 de Maio, onde é denunciada a falta de cobertura TDT no Concelho de Mirandela. Segundo um responsável da C.M. de Mirandela, 80% do território de Montalegre está em zona TDT Complementar, obrigando à instalação de antena parabólica. Lamentavelmente, antes da reportagem ser emitida, o apresentador do Jornal da Tarde da RTP informou erradamente que essa situação obrigaria a aderir à televisão paga. É falso! A TDT Complementar (por antena parabólica) não obriga a contrato de adesão com um operador de televisão paga. No blogue TDT em Portugal encontra toda a informação sobre a TDT Complementar e a possibilidade de obter comparticipação à aquisição e instalação dos equipamentos.Clique aqui para assistir à reportagem.

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